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terça-feira, 27 de abril de 2010

Diáspora Negra em Números

- O tráfico de escravos a partir da descoberta das Américas, grande responsável pela dispersão dos negros, durou cerca de 4 séculos, do início do séc. XVI ao fim XIX.
- O tráfico de escravos foi oficialmente proibido no Brasil em 1830, mas ocorreu clandestinamente até o final daquele século. Cerca de 40% dos embarcados morriam na viagem ao país.
-A Conferência de Berlim, realizada entre novembro de 1884 e fevereiro de 1885, dividiu o território africano entre as potências européias. A divisão não respeitou fronteiras históricas, étnicas, ou mesmo laços familiares, sendo o embrião do atual mapa do continente e dos conflitos existentes.
- O Brasil é o país fora da África com o maior número absoluto de descendentes de negros, cerca de 85,8 milhões de pessoas. Em seguida vem os EUA com 38,5 milhões e Colômbia com cerca de 9,5 milhões.
- Os países não africanos com maior percentual de população negra são: São Cristóvão e Nevis com 98%; Haiti com 97,5% e Jamaica com 97,4%. O Brasil possui 6% de negros mais 38,2% de pardos. Os EUA possuem 12,9% de negros.
- A Europa possui 2,1% de negros. Portugal possui 2%, Espanha 1,3% e a França 3%. Esta última registra grande fluxo de imigrantes do norte africano nos últimos anos.
- O mundo deve ter em outubro de 2010 cerca de 7 bilhões de pessoas. 4 bilhões vivem na Ásia. Os negros do mundo inteiro somam cerca de 1 bilhão.

Diáspora

A palavra diáspora remete quase sempre ao povo judeu. O termo significa a dispersão de povo por motivos políticos, econômicos ou religiosos. Essa identificação imediata com o povo de Israel é o símbolo de como a percepção da história é altamente influenciada por interesses diversos.
Se no mundo ocidental Jesus foi o homem que personificou Deus, Hitler é o mais próximo da representação do mau. A despeito do merecimento da imagem do nazista, o papel de maiores injustiçados da história ocupado pelos Judeus ofusca uma compreensão mais profunda. Não que se deva relativizar o sofrimento de qualquer povo. Entretanto, é preciso ter visão crítica, porque é a compreensão da história que norteia boa parte das decisões políticas no mundo.
Ao longo da história humana, vários povos foram dizimados ou quase extintos Os Armênios foram massacrados pelos turcos, os albaneses pelos sérvios, curdos por iraquianos. A colonização européia deixou um rastro de extinção de povos e etnias. Só na América civilizações inteiras foram eliminadas. Astecas, Maias, Incas, Tupinambás, Apaches, todos foram usurpados no domínio que tinham do continente americano. Não foi diferente em regiões colonizadas na Ásia. Sobretudo, foi a África o palco da maior tragédia produzida. Lá houve massacres semelhantes, mas fundamentalmente lá se instituiu o comércio de seres humanos em dimensão ímpar na história do homem.
É certo que a escravidão já existia desde a antiguidade, inclusive feita de negros por negros. Em geral, ela era resultante de guerras. Existia, a princípio, uma razão lógica para tal prática (lógica, mas não justa). Se um povo vence uma guerra e ocupa as terras de outro, um grande contingente de prisioneiros e nativos se tornam inimigos em potencial. Manter uma nação em cárcere é dispendioso e inviável. Assim como ocorreu com os judeus na segunda guerra, a exploração compulsória da força de trabalho do povo dominado é uma forma de viabilizar sua dominação.
O tráfico de escravos não obedecia a regra de escravização de povos vencidos. Ela foi ampliada à escala continental e mantida por séculos. Comercializou-se o homem como gado sob os diversos pretextos. Um mal irreparável e imperdoável. Somado danos males provocados pelas diferentes formas de exploração do continente africano pelos brancos, tem-se um tragédia que se arrasta aos dias atuais.
É preciso dimensionar corretamente o papel que cada povo ou país desempenhou, desempenha e deve desempenhar. Se o Holocausto da segunda guerra justificou Israel sob forma de reparação, a qual medida tem direito o continente africano?