Jorge Amado é um dos responsáveis por colocar a Bahia no mapa do mundo. Quando se fala do baiano, imagina-se um povo alegre, sensual, religioso e tolerante. Estas características foram reveladas por Jorge Amado, ou a imagem da Bahia é uma projeção de sua obra e de outros mestres como Caymmi, Verger e Carybé? Sendo causa ou consequência da obra do famoso escritor, o certo é que o jeito peculiar do baiano se parece muito com boa parte de seus personagens. Isto revela a transcendência do autor que, interpretando sua gente, tornou-se parte de sua cultura.
Um dos grandes méritos deste Obá de Xangô foi a louvação à liberdade que sua obra representa. A praia, as fazendas, os bares, quase todos cenários de seus romances são usualmente identificados esta temática. Muito antes da revolução cultural da década de 60, o romancista já falava do prazer da mulher com o sexo. A vadiagem, a boemia, a liberdade religiosa e sexual, mais que retratadas, foram exaltadas em sua obra.
Poder-se-ia dizer que Jorge Amado é mais que baiano e brasileiro, sendo um artista mundial. Sua obra foi editada em 52 países, e vertida para 49 idiomas e dialetos, que vão desde o guarani ao vietnamita. Bairrista que sou, prefiro deixá-lo como ilustre conterrâneo.
Curioso saber que embora Jorge Amado tenha sido registrado no povoado de Ferradas, pertencente a Itabuna, existem dúvidas sobre o exato local de seu nascimento. Alguns biógrafos indicam que isto se deu na Fazenda Auricídia, à época município de Ilhéus. Mais tarde a área da fazenda passou a pertencer ao município de Itajuípe. Tenho para mim que ele pode ser filho do município de Camacan, tendo em vista de que dois de seus três primeiros livros (Cacau e Suor) fazem referência à cidade! Tudo bem que ele falou muito mais de outras cidades. Se me perguntarem, direi que nasceu em Camacan. Afinal, não faz assim tanto tempo que todo camacanense nascia em Itabuna.

