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segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Sabedoria Persa - 2 (ou aquilo que Ceslo Amorim já sabia!)

Irã: uma nova viagem de descobrimento
23/2/2011, Kaveh L Afrasiabi, Asia Times Online
“Os EUA esforçam-se muito para não aparecer como alvo desses gigantescos levantes populares, mas fracassam, porque o povo já sabe que as políticas dos EUA e seus comparsas são causa de humilhação e divisão entre as nações. Por isso, a chave para resolver os problemas do povo está em dar fim a todos os arranjos que os EUA impõem à Região”
(Supremo Líder do Irã, aiatolá Seyed Ali Khamenei)
Na 2ª-feira, com dois navios de guerra iranianos preparados para cruzar o Canal de Suez – para grande preocupação em Israel, que interpreta o movimento “como de máxima gravidade” – o Supremo Líder do Irã aiatolá Ali Khamenei dirigiu-se a um grupo de dignitários estrangeiros de todo o mundo árabe e falou-lhes, confiante, da aurora de uma nova era no Oriente Médio, que refletiria “um novo despertar islâmico”.
Com o fim das duas ditaduras pró-ocidente na Tunísia e no Egito, e com protestos que crescem no Bahrain predominantemente xiita, onde está atracada a 5ª Frota da Marinha dos EUA, os líderes iranianos têm ampla justificativa para a confiança com que falam de “um Novo Oriente Médio”, cada dia menos rendido aos interesses ocidentais e cada dia mais independente e assertivo.
Uma fragata iraniana e um barco de suprimentos navegaram pelo Canal de Suez a caminho da Síria, depois de autorizados pelas autoridades egípcias –, primeira vez que navios iranianos navegam pelo canal, desde antes da queda do Xá, em 1979. O primeiro-ministro de Israel Benjamin Netanyahu disse no domingo que o Irã estaria tentando aproveitar-se da instabilidade na Região.
Pela legislação internacional, só navios de países que estejam em guerra contra o Egito são impedidos de passar pelo Canal de Suez. Mas navios militares têm de, antes, ser autorizados pelos ministérios da Defesa e das Relações Exteriores do Egito.
“Acho que hoje se pode ver o quanto é instável a região em que vivemos, cuja instabilidade o Irã tenta explorar. O movimento de passar pelo Canal de Suez foi pensado para ampliar a influência do Irã” – dizem as notícias, citando palavras de Netanyahu. O primeiro-ministro de Israel considerou a viagem “uma provocação” à qual “a comunidade internacional terá de responder”.
Na avaliação dos especialistas em política exterior do Irã, a decisão dos militares egípcios, de autorizar a passagem dos navios “Alvand” e “Khargh”, foi importante gesto para quebrar o gelo e dá tom positivo a uma muito necessária melhora nas relações entre o Irã e o Egito.
Acusados pelos israelenses de “conivência” com o Irã, no caso da autorização para a passagem dos navios, os militares egípcios – que hoje são governo, depois da deposição do presidente Mubarak – podem acelerar o processo de normalização das relações com o Irã, ainda antes das eleições marcadas para setembro. É decisão que nada tem a ver com a promessa que fizeram de manter todos os compromissos já assumidos com outras nações, inclusive o tratado de paz de Camp David com Israel.
Mas, para o jornal israelense Ha’aretz, Israel já não pode ter certeza de que o Egito continuará seu aliado contra o Irã. Interpretação mais acurada diria que Israel teme que o Egito se alie ao Irã contra Israel, o que, com certeza, alteraria o equilíbrio de forças, em detrimento do bloco conservador liderado por EUA e Israel que visa a isolar o Irã.
Nos tempos tumultuados que se vive no Oriente Médio e Norte da África, vê-se agora a queda de regimes pró-EUA, ou derrubados ou seriamente contestados pelas massas nas ruas, o que cria, para o bloco liderado pelo Irã (e que inclui a Síria, o Hezbollah no Líbano e o Hamás em Gaza), oportunidade única para colher um importante ganho (geo)político. Mais clara a oportunidade será, se o “efeito dominó” hoje ativado levar a mudança radical também no sistema político arcaico do Bahrain.
Apesar de o almirante Mike Mullen, presidente do Conselho do Estado-maior dos EUA, em sua última entrevista, ter acusado implicitamente o Irã de estar estimulando a agitação no Bahrain, fato é que muitos xiitas do Bahrain têm como sagrada a cidade iraquiana de Najaf e como líder espiritual o aiatolá Ali Sistani, enquanto só uma minoria segue a orientação de Khamenei.
Seja como for, a inevitável maior influência dos xiitas do Bahrain – que são superiores, em número, aos sunitas reinantes –, seja por revolução, seja mediante o “diálogo nacional” que o governo propôs, acabará por ser interpretada como importante ganho para o Irã. Com isso, será de esperar que o Bahrain e outros membros do Conselho de Cooperação do Golfo [ing. Gulf Cooperation Council (GCC)] passem a demonstrar maior deferência ao rapidamente crescente maior poder do Irã na região. O GCC foi criado em 1981 e inclui os estados do Golfo Persa, Bahrain, Kuwait, Oman, Qatar e Arábia Saudita, e os Emirados Árabes Unidos.
Esse reconhecimento de que a mudança na maré política favorece o Irã, a bete noir dos EUA no Oriente Médio, já é bem visível na decisão da Arábia Saudita, até agora sem precedentes, de permitir que navios de guerra iranianos passem por portos sauditas (os navios iranianos atravessaram o Mar Vermelho e o Canal de Suez, em rota para o porto de Latika, na Síria). Mas o ramo de oliveira estendido ao Irã pode também ter sido motivado pelo medo, em Riad, de um levante; e dessa vez, dos seus próprios xiitas descontentes (há dois milhões de xiitas na Arábia Saudita, numa população de 26 milhões).
Veem-se assim novas questões relativas ao futuro das relações EUA-Irã, à luz da complexa convivência entre interesses conflitantes e interesses partilhados entre os dois países no caldeirão do Oriente Médio e em outros pontos do mundo.
É provável que os EUA sejam obrigados a revisar a abordagem de coerção e violência contra o Irã e seu programa nuclear; que tenham de evitar futuras sanções e alterar a até agora perfeitamente inócua política de isolar o Irã. É possível que tenham de começar a trabalhar para ganhar a confiança de Teerã para defender interesses partilhados ou, no mínimo, paralelos não conflitantes, como, por exemplo, a tríplice ameaça que paira sobre Irã e EUA: a ação dos Talibã, o extremismo dos wahhabistas e o tráfico de drogas – para não falar da estabilidade regional, que interessa a todos.
No que tenha a ver com os programas nucleares, movimento prudente dos EUA seria aceitar imediatamente o projeto de troca de combustível nuclear para o reator médico de Teerã e apoiar, com todo seu peso político, os esforços da ONU para fazer do Oriente Médio zona livre de armas nucleares.
Deve-se desejar também que os EUA parem de impedir que a Índia participe do projeto do oleoduto Irã-Paquistão-Índia. A lógica econômica da interdependência, que ensina a praticar a moderação, não pode nem deve ser ignorada.
Infelizmente, é pouco provável que Washington, em futuro próximo, venha a reconhecer o papel de destaque de Teerã em todos os negócios no Oriente Médio. Em vez disso, como já transparece na fala de Mullen, os EUA continuarão a analisar o quadro político pelas lentes da fobia anti-Irã – motivo pelo qual toda uma enorme área de “interesses mútuos” permanecerá sem ser nem considerada nem explorada.

sábado, 12 de junho de 2010

Lebesraum - O Espaço Vital*

O que acontece hoje no mundo guarda certa similaridade com o início do século passado. Naquela época o mundo estava dividido em colônias entre determinadas potências. Com um período de grande intercâmbio econômico mundial, surgiram potências emergentes disputando áreas de influência com as já estabelecidas. Conflitos periféricos foram aumentando de proporção, acarretando as guerras mundiais. Novamente o mundo assiste a emergência de forças com ambições de expansão de sua influência.
A guerra-fria manteve o contexto de disputa de áreas de influência e conflitos periféricos, mas a paz armada entre URSS e EUA prevaleceu. Após a queda dos socialistas, o força econômica passou a ser a principal arma dos americanos para impor seus interesses, mas não única. A Guerra nos Bálcãs testou uma nova força, a OTAN. Os conflitos étnicos foram pano de fundo da fragmentação de paísses que em outros tempos estiveram alinhados à URSS. O pretexto humanitário de acabar com massacre de ditadores até hoje não resultaram em intervenção militar da OTAN na África, por exemplo. Não foi atoa que parte dos avanços da OTAN no leste europeu foi barrada pela chegada de tropas Russas.
A eleição de Bush Jr. e o 11 de setembro modificaram a geopolítica mundial. Futuramente esses dois fatos serão citados como causas dos eventos seguintes. As mentiras usadas para invadir o Iraque provam que o ataque às torres gêmeas não explicam sozinhos a invasão daquele país. Por outro lado, é fato que o mais sangrento ataque à maior potência mundial pautou os debates de política externa norte-americano.
Com a invasão do Iraque à revelia da ONU, os EUA criaram um novo paradigma. Os americanos têm um orçamento militar equivalente à metade do que é gasto no mundo. Com apoio de potências européias, fizeram da OTAN uma força então incontestável no mundo. Com pretexto moral fornecido pelo terrorismo e pela ditadura de Sadan e se valendo da prévia distribuição de tarefas na futura "reconstrução" do país, Bush Jr. ignorou os apelos de França, Rússia e China no Conselho de Segurança da ONU.
Neste particular as guerras de Bush lembram as invasões promovidas pela Alemanha antes da Segunda Guerra. A Alemanha tinha sido lograda nos acordos firmados após a Primeira Guerra, o que lhe conferiu justificativa moral para as primeiras anexações territoriais.
A doutrina Bush era audaciosa e avançava. Apertou o cerco ao eixo do mal, representado por comunistas remanescentes e o Irã. Na América Latina foram hostilizados os aspirantes a socialistas bolivarianos. Nos sonhos dos falcões de Washington sairiam do poder a dinastia Castro e Chavez. Governos moderados em nações mais importantes como Brasil e México ou radicais em países militarmente fracos como Bolívia e Equador seriam relevados. A conta era de que em caso de maior tencionamento, inimigos não contassem com a simpatia extremada de ninguém muito próximo ou muito relevante no continente americano. O escudo anti-missísl no leste europeu também foi parte do projeto de poder americano.
O projeto da pax americana foi abalado por dois fatores. O primeiro está relacionado aos altos custos das Guerras de Bush. O custos financeiros e políticos (em parte em razão das mentiras sobre as armas químicas) desgastaram o governante americano e aliados. A guerra ao terror perdeu apoio, custando o mandato do então primeiro ministro inglês, Tony Blair, um de seus avalistas. Neste sentido, a resistência iraquiana e dos talibãs tiveram uma relevante contribuição, podendo no futuro ser reavaliado o papel destes no mundo.
O outro fator foi a crise financeira de 2008/09. Com problemas financeiros de seus contribuintes, a cara política beligerante teve que ser reavaliada. Estes dois fatores tiraram dos republicanos conservadores a presidência dos EUA e entregaram ao democrata Obama. A crise também tornou evidente o peso de economias emergentes como os BRIC´s e, fundamentalmente no caso de Rússia e China, a força econômica é amparada em força militar.
Caso Obama seja merecedor do Nobel da paz que recebeu, terá grandes desafios. Um deles é convencer o público interno de que outro caminho é desejável. Além disto, terá que contornar a crise econômica de seu país, cuja recuperação é ameaçada pela crise européia. Se falhar nestes objetivos, seu mandato será um hiato no conservadorismo belicista. Se o presidente americano não estiver à altura da honraria recebida seus desafios serão mais parecidos com os das potências européias no século passado.

*O conceito de espaço vital (em alemão, Lebensraum) foi concebido por Friedrich Ratzel como o espaço de vida dos grupamento humanos. O espaço vital seria o espaço necessário para a expansão territorial de um povo,no caso, alemão. O interesse alemão nesta expansão justificava-se em certa medida pelo fato de o país ser retardatários na expansão marítima européia, e ao contrário da França e da Inglaterra, não tinha vastos domínios coloniais. Hitler considerava que a "raça ariana" (que segundo ele, era superior) deveria permanecer unida, e para uni-la a Alemanha deveria possuir um território maior. Esse território era onde o povo germâncio morava, porém foi dividido.Era chamado de "Espaço Vital Alemão".

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Um Nome na História


Dizem que um homem pode ser medido pelo tamanho de seus sonhos. O retirante Lula sonhou em ter um emprego decente, um sindicato forte, um partido grande e, por fim, sonhou em ser presidente. Alcançou seus sonhos e continuou a olhar pro alto. Acabar com a fome no Brasil e no mundo, promover o equilíbrio e paz mundial. Dizem também que o importante na vida não é onde se quer chegar, mas o caminho que se trilha. Lula continua trilhando o caminho de seus nobres anseios. A despeito dos dizeres piegas e lugares comuns, o fato é que Lula neste momento enche seu povo de orgulho. Este brasileiro escreve seu nome na história do país e do mundo.
O Acordo alcançado no Irã tem a marca do otimismo e persistência de Lula. Às potências ainda cabe ratificar o entendimento, mas Brasil já rompeu o ciclo de omissão que existiu na guerra do Iraque. O presidente teima em crer no improvável e conquistar o impensado. Exemplo para sua nação. Prova do que preconizou Darci Ribeiro ao dizer que a "raça mestiça" deste país tem muito a ensinar ao planeta.

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Sabedoria Persa



Em uma entrevista exibida hoje pelo canal americano ABC, o presidente iraniano Mahmud Ahmadinejad que está em Washington esclareceu uma grande dúvida. Ao ser questionado se Bin Laden estava escondido no Irã, chamou de risível a suposição e afirmou:
"Fiquei sabendo que está em Washington! Fiquei sabendo...ele está lá. Porque era um antigo parceiro do Sr. Bush. Eles eram colegas, de fato, nos bons tempos. Você sabe disso. Eles estavam juntos no negócio do petróleo. Eles trabalharam juntos. Bin Laden nunca cooperou com o Irã, mas cooperou com o Sr. Bush."
"Pode ter certeza que está em Washington. O governo americano invadiu o Afeganistão para prender Bin Laden. Eles provavelmente sabiam onde Bin Laden estava. Se não sabiam, por que invadiram? Podemos conhecer as informações de inteligência?"
"Primeiro eles deveriam conhecer a localização e, então, invadir. Não conhecer a localização, invadir e tentar descobrir onde ele esta, isto faz sentido?