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quinta-feira, 22 de abril de 2010

A Dança


"Eu só poderia acreditar num Deus que soubesse dançar."
"E quando vi meu demônio, pareceu-me sério, grave, profundo, solene. Era o espírito da gravidade. Ele é que faz cair todas as coisas." (Friedrich Nietzche)

O homem se vê no centro e crê que seu mais legítimo sentimento de justiça e lógica seria aplicável a Deus. Produziu-se no mundo e em cada indivíduo um Deus, ente superior que segue ou aplica uma moral, um padrão um objetivo nobre. "Vaidade, tudo vaidade". Estamos órfãos. A proteção divina se baseia em anseios psicológicos e só seria atendida por uma entidade de igual estrutura mental. O homem fez Deus sua imagem e semelhança.
Entretanto, se distinguir a figura divina é tão difícil, o demônio é reconhecido facilmente. A tristeza desprovida de fé é o próprio inferno.
Sem fé em Deus não se crê no mundo. Quem não vê lógica e justiça torna-se refém das frustrações. A solidão é o destino de todos notado por alguns.
É na antítese do demônio que está o divino alento. Desvia-se da dor e busca-se a alegria. Se Deus existe é um ser dançando com o mundo aos seus braços. Não é conduzido por anseios humanos, mas pela música que só ele escuta. Ao homem resta dançar a dança do mundo. Bailar tentando não pisar em falso e rir-se de seu passo desajeitado.

domingo, 4 de abril de 2010

Eclesiastes

"Vaidade de vaidades! - diz o pregador, vaidade de vaidades! É tudo vaidade."

Na primeira metade do século XX, Gandhi pregava sobre o autocontrole. O controle de seus desejos como forma de promover mudança no mundo exterior. - "Seja em você a mudança que quer para o mundo." No início do século XX, Freud teorizou sobre o ego e sua influência no comportamento humano. Mas já dizia o Eclesiastes há dois mil anos atrás: "Nada há novo debaixo do sol." dizia também:
"Atentei para todas as obras que se fazem debaixo do sol, e eis que tudo era vaidade e aflição de espírito."
"E apliquei o meu coração a conhecer a sabedoria e a conhecer os desvarios e as loucuras e vim a saber que também isso era aflição de espírito. Porque, na muita sabedoria, há muito enfado."
"Vaidade de vaidades, é tudo vaidade!"

quinta-feira, 25 de março de 2010

Deus é Fiel!


Deus é produto da lógica humana. Existe tanto quanto outras abstrações do homem como a moral e o Estado. É uma ficção. Um forma de perceber o mundo e obter respostas. Deus é peculiar para cada religião e para cada pessoa. Afora divagações sobre o exato sentido da figura de Deus, persiste o questionamento se existe algo de natureza superior que intervenha no mundo ou seja responsável por sua origem?
Minha resposta é simples, confusa e talvez inexata. Deus é cria do homem. Produto da percepção temporal que temos da vida. O antes e o depois são abstrações do homem. A percepção linear que temos da sucessão de fatos é forte a ponto de ser inquestinável. A existência se divide em passado, presente e futuro. Aos nossos olhos, sempre foi assim.
Em busca da compreensão de si e do mundo, o homem procura suas causas, seus porquês. Procura o antes do antes. Não se conforma com Big Bang inexplicavelmente sem causa. Tudo tem um antes. E quem disse que tem que ter um antes? "Sempre teve". "Por que não teria?" A dúvida é humana. A vida e o mundo não têm explicação, senão a dada pelo homem. A existência simplesmente é.
"Mas sempre tem que haver um antes". Por que? Porque precisamos de um depois. Sobretudo para além de nossas vidas. Sobretudo para além da vida daqueles que não queríamos que se fossem.
Não raro, o encontro do indivíduo com a religiosidade é uma epfania emergida na crise. No desespero há uma ruptura. Ou o sujeito se parte, ou encontra um conforto. A mente submersa em angústia quer se reequilibrar. A mente humana é pródiga na adaptação, na sobrevivência. O cérebro busca o divino.
E os que encontram Deus são abraçados por sua fidelidade. Ele surge para sanar, para explicar. Se ainda não proveu, proverá. Já o mérito de cada conquista passa ser dele. Se a pessoa é arrebatada por um mal inexplicável, haverá uma razão oculta à altura apenas da sabedoria divina. No fim, eu e os crentes concordamos em algo. Deus é fiel!