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sexta-feira, 26 de março de 2010

Liberdade de Imprensa

Estive pensando em escrever um Post sobre como a imprensa tem registrado os eventos no país, especialmente em ano de eleição. Os jornais de décadas e séculos passados sempre apoiaram o estudo da história. Mas parte da imprensa brasileira opta pelo papel de agente da política ao de testemunha dos fatos. Enquanto ensaiava o que escrever me deparei com o texto abaixo que li há poucos dias.

GABRIELA GUERREIRO da Folha Online, em BrasíliaEm cerimônia para anunciar novas medidas do governo para o programa “territórios da cidadania”, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez duros ataques à mídia brasileira. Lula disse que a imprensa age de “má-fé” ao deixar de divulgar ações do governo federal que considera essenciais para o país.“Eu levanto de manhã, vejo manchetes e fico triste. Acabei de inaugurar 2.000 casas, não sai uma nota. Caiu um barraco, tem manchete. É uma predileção pela desgraça. É triste quando a pessoa tem dois olhos bons e não quer enxergar. Quando a pessoa tem direito de escrever a coisa certa e escreve a coisa errada. É triste, melancólico, para um governo republicano como o nosso”, afirmou.
“O estudante que daqui a 30 anos for ler determinados tabloides vai estar estudando mentiras, quando poderia estar estudando a verdade. Quando o cidadão quer ser de má-fé, não tem jeito.”Ao relembrar o episódio de 2003 quando, no primeiro ano de governo, colocou um boné do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra), Lula disse que não se rendeu aos ataques da mídia.“A partir daquele instante, eu passei a colocar qualquer chapéu na cabeça. Nunca mais me colocaram. Eles vêm pra cima, se você se acovarda, eles ganham. Você não tem por que temer. Não temos vergonha do que fizemos nesse país. Nós todos vamos ser medidos pelo que nós fizemos, a gente precisa ficar prestando contas todos os dias.”Segundo o presidente, alguns “setores da imprensa” deveriam olhar para as pesquisas de opinião pública antes de tirar suas conclusões sobre as ações públicas. “Se não quisessem saber pelos seus olhos, saberiam pelas pesquisas de opinião pública. Ainda assim não querem saber. Vamos trabalhando. A única coisa para vencer isso é trabalhar. Não temos tempo para resmungar.”

Lula tem uma habilidade política imensa. Talvez tenha sido mais criticado que seus antecessores e goza de maior popularidade. Em alguma medida a mídia tem sido um contra-peso necessário a tamanha confiança que os brasileiros depositaram no presidente. Mas a qualidade da crítica é baixa. Em alguns momentos certos veículos quiserem medir força com o presidente e perderam. Perderam porque abriram mão de manter distanciamento crítico. De apurar com cautela denúncias antes de divulgá-las. De ouvir sem distorcer o que diz a parte criticada. Adotaram uma forma virulenta que atenta contra o próprio conteúdo publicado. Enfim, minaram sua credibilidade e com isso muitas vezes colocararm o presidente no papel de vítima. Na posição de perseguido pelos fantamas de nossa história de golpes e conspirações de direita. Um erro que não colabora com o país, nem com a própria imprensa.

segunda-feira, 15 de março de 2010

Discutindo Rumos

A liberdade é anseio quase indissociavél da própria vida. Requisitada por qualquer ser, pensante ou não.Para as sociedades ocidentais, esta conceito é quase um dogma. Em nome dela, a maior potência mundial promove guerras, ainda que para isso afronte os direitos dos seus cidadãos e de suspeitos estrangeiros, além de atentar contra a autodeterminação dos povos. Existem os que exigem o direito de ser livre até mesmo para abrir mão da própria vida, sem que o Estado intervenha. No país, o conceito é também usado para justificar manifestações de uma imprensa comprometida com os mais diversos interesses.
O Brasil como nação é fruto da opressão. Os índiso nativos foram escravisados. Os negroes em escala ainda maior. Até os brancos nascidos aqui eram parte de um povo colonizado. A liberdade aqui foi uma conquista e uma concessão.
O país deixou de ser colônia para ainda ser comandado pelos herdeiros dos ex-dominadores. O povo deixou de ser escravo para servir aos mesmos senhores. Sua história como república democrática sofreu vários hiatos autoritários. Destas ditaduras não saiu pela ruptura, mas pelo consenso dos grupos que sempre estiveram ligados ao poder. A chegada do povo ao governo, metaforicamente representada na figura de um ex-metalúrgico, foi precedida de uma carta de compromisso com interesses conservadores.
Determinadas ideologias dirão que o Brasil permanece cativo de imperialistas, burgueses ou do capital financeiro. O fato é que existe menos repressão no país, principalmente comparando com seu passado recente de ditadura militar. Há em maior ou em menor grau liberdade de expressão, associação, política, sexual, econômica, etc. Internacionalmente o brasileiro é associado à tolerância ou mesmo à libertinagem.
A liberdade alcançada é resultado de lutas pretéritas e atuais. É preciso refletir em nome de que ela foi conquistada. Construir em cada um e na coletividade o sentido de toda busca. Desejamos ser livres de que? E mais importante, livres para que?