Mostrando postagens com marcador imprensa. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador imprensa. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

A mídia e a era Lula! - 2

"A suprema arte da guerra é derrotar o inimigo sem lutar." 
Sun Tzu
O próprio Lula costuma-se creditar ao preconceito de classe o tratamento hostil de seu governo recebeu de parte da mídia. Para alguns analistas, a razão do embate entre o governo Lula e a grande imprensa seria de natureza ideológica. O governo mais de esquerda ou "populista" teria encontrado resistência de uma mídia liberal "progressista". Nos últimos dias do mandato do presidente, a Folha de São Paulo acabou por revelar a verdadeira razão da insatisfação da grande mídia com o governo. Revelou também como Lula soube derrotar o editorial da grande mídia sem nunca ter recorrido a uma medida de força. A democratização da verba da publicidade federal foi a arma silenciosa que tanto distanciou Lula da grande imprensa.

Fernando Rodrigues, Folha de S. Paulo
Quando Luiz Inácio Lula da Silva tomou posse, em janeiro de 2003, apenas 499 veículos de comunicação recebiam verbas de publicidade do governo federal. Agora, o número foi para 8.094.
Esses jornais, revistas, emissoras de rádio, de TV e "outros" estão espalhados por 2.733 cidades. Em 2003, eram só 182 municípios.

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Censura e Silêncio!


O nome deste blog foi inspirado em reflexões de determinado livro. Reflexões estas relacionadas à natureza humana. Entretanto, a expressão "livre pra que?" é extremamente adequada para que se faça uma análise do que vem ocorrendo na mídia brasileira.
Amaury Ribeiro é um jornalista que passou pelo O Globo, Jornal do Brasil, Estado de Minas, Istoé e vários outros veículos. Foi ganhador de
alguns dos maiores prêmios de jornalismo: o Prêmio Esso (três vezes) e o Valdimir Herzog (quatro) .
Seu nome recentemente ganhou notoriedade ao ser relacionado à violação de sigilo fiscal de pessoas ligadas a José Serra. Se ele tem culpa ou não no episódio, caberá à justiça esclarecer.
Ontem, ao sair do depoimento na Polícia Federal, ele distribuiu documentos que integrariam a CPI do Banestado, aos quais obteve acesso legal. Não se tratava de declarações de renda ou bens obtidos criminosamente. Os documentos foram xerocopiados no próprio Tribunal de Justiça de São Paulo e trazem este registro de presunção de autenticidade.
A imprensa que tanto brada contra qualquer tipo de regulação, falando sempre em censura, agora se cala ante os documentos apresentados. Há um completo silêncio inclusive sobre a carta aberta do premiado jornalista a seus colegas:


No Blog do Nassif  podem ser baixados os documentos oferecidos por Amaury, em pdf.

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Globo X Dunga 2


Desde 2008 a Globo aposta na queda de Dunga


Do site www.comunique-se.com.br/
 
Crítica a Dunga leva “Cala boca Tadeu Schmidt” ao topo no Twitter

Da Redação
Os internautas brasileiros ficaram irritados com a crítica de Tadeu Schmidt a Dunga, depois que o técnico xingou o repórter da TV Globo, Alex Escobar, de "cagão". No Fantástico deste domingo, o Schmidt disse que Dunga tem uma postura “incompatível” com seu papel na Seleção.
Inspirados no “Cala Boca, Galvão”, os twitteiros lançaram o “Cala boca Tadeu Schmidt”, que nesta segunda-feira (21/06) ocupa o primeiro lugar no Trending Topics do microblog. Alguns estrangeiros até questionam se o termo seria uma nova campanha para salvar pássaros, explicação falsa usada pelos brasileiros para explicar o "Cala Boca, Galvão" aos twitteiros de outros países.

"Xingou o técnico, é jornalismo; xingou os jornalistas, é crime contra a liberdade de imprensa. CALA BOCA TADEU SCHMIDT", foi uma das mensagens mais retwittadas.

Globo X Dunga

No site Vi o Mundo do Azenha (link na coluna à direita) há uma compilação de textos que explicam a crise entre a Globo e o técnico Dunga. Extraí trechos que considero mais relevantes, embora as informações daquele site sejam interessantes por completo.

22/06/2010 – 06h37
Globo negociou entrevistas com Ricardo Teixeira, mas Dunga vetou
Mauricio Stycer, no UOL
Em Durban (África do Sul)
Por trás do incidente entre Dunga e o jornalista Alex Escobar, da Rede Globo, durante a entrevista coletiva no Soccer City, logo depois da vitória do Brasil sobre a Costa do Marfim, esconde-se uma história que revela o alcance do poder do técnico da seleção brasileira.
O UOL Esporte apurou que a Globo negociou diretamente com Ricardo Teixeira, presidente da CBF (Confederação Brasileira de Futebol), entrevistas exclusivas com três jogadores da seleção, entre os quais Luis Fabiano. As entrevistas iriam ser exibidas durante o programa “Fantástico”, no domingo, horas depois da partida contra Costa do Marfim, vencida pelo Brasil por 3 a 1. Dunga vetou o acerto.
O incidente entre Dunga e Alex Escobar ocorreu quando o jornalista conversava ao telefone com o apresentador Tadeu Schmidt exatamente sobre este assunto. O técnico percebeu o que ocorria e perguntou: “Algum problema?” Escobar respondeu: “Nem estou olhando para você, Dunga”. O técnico replicou em voz baixa, o suficiente para ser captado pelo microfone à sua frente: “Besta, burro, cagão!”
Diversos jornalistas na sala de entrevistas ouviram Escobar desabafar: “Insuportável, bicho, insuportável. O Rodrigo (Paiva) foi revoltado lá falar comigo, cara. O Dunga não deixou. Ninguém. Caraca, nem o Luís Fabiano. Infelizmente. Valeu, Tadeuzão”.
Muitos também notaram que Rodrigo Paiva, diretor de comunicação da CBF, fez o gesto de quem soca a parede a certa altura da entrevista coletiva. Paiva tem tentado se equilibrar entre o atendimento à imprensa e o respeito às exigências de Dunga. No cargo há nove anos, gentil com todos os jornalistas, o assessor dá sinais cada vez mais evidentes de reprovação à política de clausura imposta pelo técnico.
Horas depois do incidente, durante o “Fantástico”, Schmidt falou: “O técnico Dunga não apresenta nas entrevistas comportamento compatível de alguém tão vitorioso no esporte. Com frequência, usa frases grosseiras e irônicas”. O jornalista da Globo não mencionou, no entanto, o motivo do atrito, ou seja, a recusa do técnico em aceitar um acordo feito entre o presidente da CBF e a emissora.
*****
21 de junho de 2010
Há dois anos, Dunga anunciava “área de desconforto” com a Globo
Por Luciano Borges, no Terra Magazine
A saia justa entre o técnico Dunga e a Rede Globo é antiga. Há exatamente dois anos, em entrevista exclusiva ao Blog do Boleiro, o treinador dizia que tinha criado uma “área de desconforto” para os profissionais da emissora.
A primeira vez em que Dunga tornou público o conflito com a Globo, aconteceu dois dias depois do empate entre Brasil e Argentina (0 a 0), no dia 19 de junho de 2008. Naquela partida, Dunga ouviu a torcida no Mineirão cantar “Adeus Dun-ga, Adeus Dun-ga”. E soube que tinham feito leitura labial do que falou no banco de reservas.
Veja o que Dunga disse na época e constate que pouca coisa mudou:
Dunga, como você está?
Tranqüilo. Estou puto, mas estou tranqüilo. Sei que querem a minha cabeça porque criei uma zona de desconforto para quem estava acostumado a cobrir a seleção brasileira sem sair de casa. Porque tinham a escalação, o time, as preferências do treinador. Mas isto mudou.
De quem você está falando?
Queira ou não queira, a poderosa manda e os caras que trabalham para ela acham que mandam. Não digo que seja a TV Globo, mas alguns profissionais que trabalham lá e estavam acostumados com privilégios e não têm mais. Lá nos Estados Unidos, vieram pedir para entrevistar um jogador à uma da manhã. Disse não. Eles foram à loucura. Um câmera ficou dizendo que ia falar com A, B ou C, mas falei que não. Não tenho culpa se os caras chegaram atrasados em três dos quatro treinos que dei. Não é meu problema se o cara perdeu a hora passeando no shopping. E eu disse para o cara: “Não vai jogar a responsabilidade em cima de mim”. Depois dizem que o Dunga é carrancudo. Tenho senso de justiça.
As relações entre você e os jornalistas estão estremecidas?
Comigo, os repórteres perguntam tudo e eu respondo tudo. O que fiz foi atender o que 95% da mídia pediu e 100% da população brasileira queria: coloquei ordem, acabei com a festa que foi na Copa do Mundo de 2006. E estou atendendo o que o meu patrão determinou.
Mas a reclamação não é só dos profissionais da Globo.
Veja como são as coisas. Os caras que a vida toda reclamaram dos privilégios de uma emissora, agora se juntam com ela para meter o pau. Quem reclamava das tendas de algumas tevês que cobriam os treinos e faziam entrevistas na hora que queriam, agora tem tratamento igual. Mesmo assim, reclamam. Mas não vou dar nada para ninguém. Mas está tudo dez. Sei que os caras vão fazer leitura labial comigo, mas não mudo de posição. Estou tranqüilo.
*****
Luiz Antônio Prosperi
“Globo x Luxemburgo: só tensão“, copyright Jornal da Tarde, 11/09/00, no Observatório da Imprensa
via blog do Evaldo Novelini
As relações entre a TV Globo e Wanderley Luxemburgo são tensas. O Departamento de Esportes da empresa não concorda com os métodos de trabalho que o técnico vem empregando na Seleção. A crise se acentuou com as denúncias contra o treinador e a campanha da emissora para que Romário disputasse a Olimpíada de Sydney. Ao final dos Jogos, espera-se por uma nova e talvez definitiva batalha entre Globo e Luxemburgo.
Na era Luxemburgo, que começou em 1998, a Globo não vem encontrando as mesmas regalias que tinha na era Zagallo (1994 a 98). Quando Zagallo era o técnico, nos intervalos dos jogos e logo após o apito final, ele procurava o repórter da Globo para uma rápida entrevista exclusiva. Era, no mínimo, um acordo de cavalheiros. Nunca técnico e emissora divulgaram se havia um contrato entre as partes.
Alguns jogadores importantes, como Ronaldinho (Inter de Milão), também procuravam o microfone da Globo antes e durante a Copa do Mundo de 98 para entrevistas exclusivas. Agentes dos atletas informaram que aqueles jogadores também tinham “acordo de cavalheiros”. Quando Luxemburgo assumiu a Seleção, a Globo perdeu a exclusividade. O vaidoso técnico procura todas as emissoras.
A Globo não gostou. A crise ficou evidente no intervalo do jogo entre Chile e Brasil, em Santiago. A Seleção estava sendo humilhada. Tino Marcos, repórter da Globo, correu atrás de uma declaração de Luxemburgo e tudo o que ganhou foi um empurrão. Foi a gota d’água para a emissora abrir fogo contra o treinador.
Entrevista fatal – Tino Marcos, em seguida, conseguiu a entrevista exclusiva com Renata Alves, ex-funcionária de Luxemburgo que denunciou o escândalo da sonegação fiscal. A matéria foi levada ao ar no Jornal Nacional. Na mesma semana, o programa No Mundo da Bola, da rádio Joven Pan, informou que Renata havia cobrado R$ 20 mil pela entrevista.
Luxemburgo não esconde o conflito com a Globo. Nos dias que antecederam o jogo contra a Bolívia, o técnico teve duas ásperas conversas com Tino Marcos. O caso chegou a Luis Fernando Lima, diretor de Esportes da TV Globo.
Nos bastidores da Seleção, mais evidente na campanha das eliminatórias, Luxemburgo vem mantendo uma relação tensa com a Globo. Da emissora, apenas o repórter Mauro Naves e o locutor Galvão Bueno gozam da simpatia do técnico.
Aliás, Galvão viveu uma noite tensa no último dia 2, véspera do jogo Brasil e Bolívia, no Rio. O locutor foi informado que o Jornal Nacional iria explorar a denúncia da revista Época, uma publicação da Globo, sobre o caso do “gato” de Luxemburgo, que tem duas datas de nascimento em seus documentos. Conversou com o treinador e com pares da Comissão Técnica da Seleção em busca de uma saída para a crise.
Naquela noite, Galvão e a reportagem do JT receberam indicativos de que Luxemburgo entregaria o cargo. Um telefonema de Ricardo Teixeira, presidente da CBF, ao técnico adiou a sentença final. Teixeira deu uma trégua ao treinador “vai durar até pelo menos o fim da Olimpíada” ou o fim do Brasil nela.

Pressão inútil - Dentro da Comissão Técnica da Seleção, suspeita-se que se Romário fosse convocado para a Olimpíada a Globo desistiria da pressão contra Luxemburgo. Nas duas semanas que antecederam a convocação final dos Jogos Olímpicos, a Globo, na maioria dos seus programas de esportes e até no Fantástico, fez uma acirrada campanha favorável à convocação do atacante do Vasco. A conta é simples: com Romário na Seleção o `ibope’ sobe.
“Recebemos um recado de um grande editor, um chefão da imprensa, dizendo para levarmos o Romário para a Olimpíada porque assim criaríamos um fato novo e todos esses supostos escândalos seriam abafados, esquecidos”, confidenciou uma fonte próxima da Comissão Técnica da Seleção e da cúpula da CBF.
Luxemburgo não levou Romário. Ele e Ricardo Teixeira pagaram para ver.
Aguardam o desfecho da Olimpíada para ver o que pode ocorrer. O técnico sabe que está na berlinda. Sabe também que a crise que se instalou na Seleção Brasileira passa pela disputa da audiência e vendagem de jornais, em especial no Rio.
O primeiro jornal a denunciar o caso da sonegação com as acusações de Renata foi O Dia. Com tiragem de 320 mil exemplares diários, o jornal disputa a faixa do mercado com o jornal Extra, que superou o concorrente com 380 mil/dia. O Extra pertence às Organizações Globo e entrou firme no caso Luxemburgo. Este mesmo jornal é sócio da Federação do Rio de Futebol na organização do Campeonato Carioca, que nas últimas edições tem como estrela solitária o eterno Romário.

quarta-feira, 12 de maio de 2010

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Jornalismo Imparcial

A Revista Veja em fevereiro de 2010 destacou as chuvas em São Paulo, administrada por Serra e Kassab do DEM na capital: "Uma rara combinação de fatores atmosféricos é a causa do dilúvio que há mais de 40 dias o Sul e o Sudeste do Brasil".
Em abril de 2010 a Veja mandou às favas a coerência ao cobrir as chuva no Rio de Janeiro, governada pelos PMDBistas Dilma Sérgio Cabral e Eduardo Paes na capital, ambos apoiadores de Dilma: "Culpar as chuvas é demagogia. Os mortos do Rio de Janeiro que o Brasil chora foram vítimas da política criminosa de dar barracos em troca de votos."
O contraste da cobertura dos fatos fala por si.

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Em que mentira você prefere acreditar?


Toda verdade é uma versão dos fatos. Para cada olhar há um ângulo, portanto existe uma verdade exclusiva para cada visão. É estranho que diante de fatos tão controvertidos quanto os episódios envolvendo os "presos políticos" cubanos a mídia nacional escolha só uma versão.
Em março de 2003, Bush invadiu o Iraque contrariando as resoluções da ONU. No mês seguinte, em Cuba forma presos 75 pessoas sob a acusação de conspirarem, com apoio do governo americano, contra o regime cubano. Já em 2002, houvera um grande número de prisões de dissidentes supostamente financiados pelo diplomata americano em Cuba James Cason.
Não é difícil crer que Bush Jr. estivesse intensificando ações contrárias ao governo dos Castro após o 11 de setembro. Também não é difícil supor que Fidel tenha aproveitado a falta de autoridade moral americana perante a ONU para prender adversários.
Neste ano de 2010 faleceu após greve de fome Orlando Zapata. Houve uma grita na imprensa por Lula ter comparado o "dissidente" a um preso comum. Ocorre que Zapata tinha uma longa ficha criminal, iniciada em 1988. Tivera sido preso por crimes como invasão de domicílio e lesão corporal (portando uma faca). Em 2002 Zapata foi novamente preso, sendo solto em 9 de março de 2003. Voltou a ser preso 11 dias depois. O agora mártir da luta política, não figurou na lista da Comissão de Direitos Humanos da ONU que condenou as 75 prisões de março de 2003. Apesar de ter ocorrido no mesmo mês, a prisão de Zapata não ocorreu nas mesmas circunstâncias. Condenado então a 3 anos, sua pena fora aumentada por "conduta agressiva na prisão".
De um lado, existia a contra-revolução ávida em mobilizar o maior número possível de supostos ou reais correligionários. Do outro, diante das vantagens materiais que envolvia uma "militância" fomentada pelas embaixadas estrangeiras, provavelmente Zapata Tamayo adotou o perfil "político" quando sua biografia penal já era extensa.
O que se pode dizer sobre presos políticos em Cuba hoje? Segundo a Anistia Internacional, o número de presos políticos na ilha chegou a ser de 112 mil em 1986. Teria caído para 80 mil em 2006. Em 2008 o número teria sido reduzido para 205 presos. A drástica redução me leva crer que ou os números estavam exagerados, ou Raúl Castro realmente flexibilizou o regime. Acredito na primeira hipótese, uma vez que a liberação de cerca de 80 mil presos em 2 anos teria sido um acontecimento de grande repercussão. É certo que além de pessoas que são mantidas em cárcere, há um número incerto de detenções rápidas por motivos políticos.
Não existem registros pela Anistia Internacional de tortura ou desaparecidos, tão comuns a outras ditaduras que varreram a américa latina no século passado. O mesmo não se pode falar do governo dos EUA. Há uma série de denúncias de prisões ilegais ao redor do mundo por conta da guerra ao terror. Muitos dos presos não são acusados formalmente. Muitos somem sem que seus parentes sejam avisados.
Em Guantánamo a tortura e maus tratos são de conhecimento do mundo. Agora se descobre que Bush Jr. e seus colaboradores sabiam que muitos presos da base americana em Cuba eram inocentes. Não fizeram nada porque temiam que sua eventual libertação fosse prejudicial para a "guerra contra o terrorismo".
O erro americano não justifica o erro cubano. Mas o que não dá pra entender é o porquê de a mídia nacional abraçar eufórica a versão da imprensa conservadora dos EUA no caso dos presos políticos na ilha caribenha. Mesmo sem ideologismos é difícil aceitar tamanho equívoco.
http://g1.globo.com/Noticias/Mundo/0,,MUL1563369-5602,00-BUSH+SABIA+QUE+HAVIA+INOCENTES+PRESOS+EM+GUANTANAMO+DIZ+JORNAL.html

terça-feira, 6 de abril de 2010

A Globo por seu ex-repórter


Luiz Carlos Azenha hoje é repórter da Record. Por anos foi repórter de ponta da Globo. O site "Vi o mundo" (link na coluna ao lado) pertence a ele. Em coluna inserida hoje em seu site ele trata da cobertura política parcial da Globo. Trago alguns trechos:

"Em 2005 e 2006 eu era repórter especial da TV Globo. Tinha salário de executivo de multinacional. Trabalhei na cobertura da crise política envolvendo o governo Lula.

...já em 2006, houve um pequena revolta de profissionais da Globo paulista contra a cobertura política que atacava o PT mas poupava o PSDB. Mais tarde, alguns dos colegas sairam da emissora, outros ficaram. Na época, como resultado de um encontro interno ficou decidido que deixaríamos de fazer uma cobertura seletiva das capas das revistas semanais.
Funciona assim: a Globo escolhe algumas capas para repercutir, mas esconde outras. Curiosamente e coincidentemente, as capas repercutidas trazem ataques ao governo e ao PT. As capas “esquecidas” podem causar embaraço ao PSDB ou ao DEM. Aquela capa da Caros Amigos sobre o filho que Fernando Henrique Cardoso exilou na Europa, por exemplo, jamais atenderia aos critérios de Ali Kamel, que exerce sobre os profissionais da emissora a mesma vigilância que o cardeal Ratzinger dedicava aos “insubordinados”.

...fui encarregado de fazer uma reportagem sobre as ambulâncias superfaturadas compradas pelo governo quando José Serra era ministro da Saúde no governo FHC. Havia, em todo o texto, um número embaraçoso para Serra, que concorria ao governo paulista: a maioria das ambulâncias superfaturadas foi comprada quando ele era ministro.
Ainda assim, os chefes da Globo paulista garantiram que a reportagem iria ao ar. Sábado, nada. Segunda, nada. Aparentemente, alguém no Rio decidiu engavetar o assunto. E é essa a base do que tenho denunciado continuamente neste blog: alguns escândalos valem mais que outros, algumas denúncias valem mais que outras, os recursos humanos e técnicos da emissora — vastos, aliás — acabam mobilizados em defesa de certos interesses e para atacar outros.

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Lula X FHC

Neste domingo foram veículadas entrevistas do Lula (Canal Livre da Band) e FHC (jornal Estado de SãoPaulo):

Impressiona a repercurssão na mídia, principalmente da entrevista de FHC. Li em alguns sites que teria sido criticado o viés chinês no Estado sob Lula. Teria se afirmado que estávamos sob ameaça de uma burocracia capitalista amparada no populismo. Li a entrevista. Há críticas à atual situação da nossa democracia. Também ao que ele chamou de busca de um "líder tutor" nas democracias de massa. Todavia as proposições foram colocadas em tese, em um contexto amplo. Não encontrei as críticas direcionadas que me fizeram acreditar terem existido.

Parte da mídia, especialmente a ligada à mídia impressa, parece ter mais voracidade na destruição da imagem do Lula que a própria oposição.

Apesar da consistência das idéias apresentadas por FHC, ele derrapa nos principais alertas que fez sobre nossas instituições. Disse que "nas decisões reais no Brasil estão se constituindo um golpe de poder a união de setores do Estado, setores empresariais e fundos de pensão". Disse ainda que não é progresso transformar o monopólio público em monopólio privado. Ocorre que foi na privatização que os fundos de pensão ganharam a força que têm e que empresas como a Vale e Telemar (telefonia fixa) viraram monopólios privados.

Lula foi cobrado como se fosse uma ameaça. Parece que oito anos de governo moderado não arrefeceu o temor de certos setores. Ante as insinuações de que tentara cercear a imprensa, o presidente foi contundente: "Houve (durante o governo Lula) mais censura dos seus donos (dos veículos de imprensa) do que do governo". "Tem três setores que podem controlar a imprensa: na TV o telespectador, no rádio o ouvinte e no jornal o leitor". Neste momento invocou Datena como exemplo e testemunha. Disse que o jornalista certa vez foi demitido por apresentar Lula em uma redação. Que apesar da amizade entre os dois, ele Lula jamais telefonara pedindo para atenuar crítica alguma.
Duas boas entrevistas. Até mesmo pela embate mais duro com os entrevistadores preferi a do atual presidente.

sexta-feira, 26 de março de 2010

Liberdade de Imprensa

Estive pensando em escrever um Post sobre como a imprensa tem registrado os eventos no país, especialmente em ano de eleição. Os jornais de décadas e séculos passados sempre apoiaram o estudo da história. Mas parte da imprensa brasileira opta pelo papel de agente da política ao de testemunha dos fatos. Enquanto ensaiava o que escrever me deparei com o texto abaixo que li há poucos dias.

GABRIELA GUERREIRO da Folha Online, em BrasíliaEm cerimônia para anunciar novas medidas do governo para o programa “territórios da cidadania”, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez duros ataques à mídia brasileira. Lula disse que a imprensa age de “má-fé” ao deixar de divulgar ações do governo federal que considera essenciais para o país.“Eu levanto de manhã, vejo manchetes e fico triste. Acabei de inaugurar 2.000 casas, não sai uma nota. Caiu um barraco, tem manchete. É uma predileção pela desgraça. É triste quando a pessoa tem dois olhos bons e não quer enxergar. Quando a pessoa tem direito de escrever a coisa certa e escreve a coisa errada. É triste, melancólico, para um governo republicano como o nosso”, afirmou.
“O estudante que daqui a 30 anos for ler determinados tabloides vai estar estudando mentiras, quando poderia estar estudando a verdade. Quando o cidadão quer ser de má-fé, não tem jeito.”Ao relembrar o episódio de 2003 quando, no primeiro ano de governo, colocou um boné do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra), Lula disse que não se rendeu aos ataques da mídia.“A partir daquele instante, eu passei a colocar qualquer chapéu na cabeça. Nunca mais me colocaram. Eles vêm pra cima, se você se acovarda, eles ganham. Você não tem por que temer. Não temos vergonha do que fizemos nesse país. Nós todos vamos ser medidos pelo que nós fizemos, a gente precisa ficar prestando contas todos os dias.”Segundo o presidente, alguns “setores da imprensa” deveriam olhar para as pesquisas de opinião pública antes de tirar suas conclusões sobre as ações públicas. “Se não quisessem saber pelos seus olhos, saberiam pelas pesquisas de opinião pública. Ainda assim não querem saber. Vamos trabalhando. A única coisa para vencer isso é trabalhar. Não temos tempo para resmungar.”

Lula tem uma habilidade política imensa. Talvez tenha sido mais criticado que seus antecessores e goza de maior popularidade. Em alguma medida a mídia tem sido um contra-peso necessário a tamanha confiança que os brasileiros depositaram no presidente. Mas a qualidade da crítica é baixa. Em alguns momentos certos veículos quiserem medir força com o presidente e perderam. Perderam porque abriram mão de manter distanciamento crítico. De apurar com cautela denúncias antes de divulgá-las. De ouvir sem distorcer o que diz a parte criticada. Adotaram uma forma virulenta que atenta contra o próprio conteúdo publicado. Enfim, minaram sua credibilidade e com isso muitas vezes colocararm o presidente no papel de vítima. Na posição de perseguido pelos fantamas de nossa história de golpes e conspirações de direita. Um erro que não colabora com o país, nem com a própria imprensa.

segunda-feira, 15 de março de 2010

Caminhos da Mídia

A tecnologia afeta a mídia em sua forma e em seu conteúdo. A internet teve impacto recente na imprensa, porém produziu efeitos notórios em linhas editoriais nos mais diversos veículos. Este fenômeno pode necessitar de maior estudo, mas sua verificação empírica é feita com facilidade.
A Tv e o rádio oferecem a seus clientes blocos de informação já editorializados. É obvio que o espectador pode mudar de programa ou desligar o veículo, mas em geral sua atuação na escolha é limitada. Não há interação.
A mídia impressa também oferece conteúdo em bloco, muito embora o leitor seja em geral mais crítico. Isto implica dizer que ao comprar um periódico muitas vezes é levada em contra a linha editorial. É comum haver prévia escolha entre um linha editorial mais conservadora ou liberal.
A internet radicalizou o papel de editor daquele que busca a notícia. O internauta escolhe em um portal os links de seu interesse. Ou acessa somente páginas de seu interesse. Se determinado blogueiro, site ou coluna tem uma linha editorial que não lhe agrada, o internauta deixa de segui-lo. Em certa medida houve inversão no papel de editor entre informador e informado. Ou seja, há por parte de cada um a imposição de tema e abordagem.
A mídia impressa, em um esforço de adaptação, aprofundou a editorialização do conteúdo. è fácil perceber como a Revista Veja é escrita para um público diferente do leitor da Carta Capital. O objetivo é assegurar o nicho de mercado. O resultado é uma radicalização de discursos e métodos que transcende a polarização política da sociedade.
É evidente que a radicalização afeta a qualidade da informação. mesmo em um ambiente tão abastado de consteúdo como a internet, é difícil filtrar informação imparcial, especialmente em temas sensíveis como política e economia.
Ao acompanhar diversos blogs e colunas, é possível ver que os de maior repercussão estão comprometidos demais. A disputa de espaço virou briga pessoal em muitos casos. Não são raras disputas judiciais. Parece que não há espaço para imparcialidade e isenção. Até mesmo por que boa parte dos internautas parece não gostar de neutralidade. Seria preciso escolher um lado do muro. Difícil perceber que a democratização da informação venha servindo neste caso mais aos que se propõem a erguer muros do que a derrubá-los.