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quinta-feira, 1 de julho de 2010

O que foi isso, Serra?

"Mais uma vez – e estamos pensando, sim, no nó górdio de 1930 – os políticos de São Paulo, a fim de conservarem a hegemonia sobre o país, perdem o bom-senso e, ao perdê-lo, desprezam a nação". (Mauro Santayana, no Jornal do Brasil ao referir-se às escolhas dos candidatos a vice-presidente.)

É inacreditável a trapalhada feita por Serra. A escolha do vice de Serra será lembrada como um episódio marcante desta eleição. A novela da chapa PSDBista arrastou-se até o último dia do prazo legal e teve um fim lastimável para os tucanos. Quem sonhou com um vice da envergadura de Aécio contenta-se hoje com Índio da Costa do DEM (à direita). Difícil entender como as coisas foram para nisso.
Há um Serra para os que gostam e outro para os que o detestam. O primeiro é um homem firme, calculista, racional. Uma pessoa que comete poucos erros, obsessiva pelo trabalho e pela ambição de ser presidente. O segundo é arrogante, autoritário, truculento. É um alguém desagregador, centralizador, além de intelectualmente raso e vacilante. Qual foi o Serra que escolheu o Índio para vice?
Serra perde neste episódio mais que um companheiro de chapa de maior peso. Perde a imagem de homem preparado. Sai com cara de bobo, fraco...desmoralizado.

terça-feira, 1 de junho de 2010

O Prodígio João M.


João Montanaro tem apenas 13 anos. Desenha charges para a Folha de São Paulo e tiras para revista MAD. Seu humor de certa ironia e seu traço jamais denunciariam sua pouca idade. O talento é flagrante. Já está na minha lista de recomendados (coluna à direita).
Quando eu tinha uns oito ou dez anos também desenhava bastante. Fazia até umas revistinhas em folhas de caderno. Minhas estórias eram piores que as de um primo e meus traços ainda hoje não são melhores que os desenhos de outro primo. Mesmo assim, se a Folha ou a MAD tivessem me descoberto, acredito que não faria feio. Mas também acho que se o Flamengo ou Bahia tivessem me dado uma chance eu não decepcionaria. Quem sabe se eu tivesse as mesmas oportunidades eu não teria me saído melhor que o Barrichello?

sexta-feira, 16 de abril de 2010

Empurrado Eu Não Vou

Pressionado a assumir a vaga de vice na chapa de Serra, Aécio chegou a dizer: "Empurrado eu não vou". Soaria mais decidido se tivesse dito que não vai nem empurrado, mas o astuto mineiro não cometeria tal gafe.
A fé dos próprios aliados do ex-governador paulista em sua candidatura pode ser medida pela sua dificuldade em encontrar um vice. Além de Aécio, já teriam recusado a honraria Tasso Jereissati, Agripino Maia, Paulo Souto. Publicamente Itamar Franco também declinou da missão. Alguns não querem trocar uma disputa fácil a outros cargos. Outros simplesmente não querem ocupar a cadeira da vice-presidência e, principalmente, não querem disputá-la e perder.
A condição de Aécio é oposta. O neto de Tancredo mira o cargo mais alto do Executivo. Se for candidato a vice e ajudar na vitória, terá o próprio Serra como grande obstáculo à sua pretensão. Se figurar numa chapa derrotada terá se tornado mais conhecido nacionalmente e terá o PSDB compelido a trabalhar por seu nome.
Por outro lado, de que adiantará a Aécio ser mais um senador de oposição? A ele só seria interessante a cadeira de presidente do Senado, mas é difícil consegui-la sendo oposição. Talvez por isso o mineiro ainda possa reverter a decisão de não figurar na chapa nacional, embora continue claro que empurrado ele não vai.

terça-feira, 16 de março de 2010

Sabedoria Política

Nos últimos meses o noticiário político refletiu as angústias da oposição ao governo Lula em torno da formação de sua chapa para presidência. Serra conseguiu arrefecer o peso das desconfianças sobre sua definição em sair candidato. Contudo, o tucano gostaria de se certificar que contará com um vice de peso antes de bater o martelo de sua candidatura. Aécio foi pressionado e Tasso sondado. A aflição PSDBista me lembrou um fato ocorrido na pequena cidade de minha infância.
Havia um velho coronel do cacau muito respeitado. O homem era bastante rico e um político de prestígio. Certa vez foi procurado por uma mulher que se dizia grávida. O pai seria o filho do coronel que se recusava reconhecer a paternidade. O velho tratou de tranquilizar a jovem. Disse que todos na região sabiam que ele era um homem direito. Que jamais deixaria um neto seu passar dificuldade. Fez apenas uma ressalva. Como poderia ele ser avô de uma criança que ainda não tinha o pai?
O governador paulista exige que seu partido se empenhe em candidatura que sequer assumiu. Não é uma tarefa das mais fáceis.