
quarta-feira, 12 de maio de 2010
Nossa imprensa!
A liberdade de expressão é o argumento da mídia para refutar qualquer tipo de controle pelo Estado ou órgão de classe. Mas a própria mídia não tem o mesmo apreço pela livre manifestação do pensamento quando ela é contrária a seus interesses:
Do blog Vi o Mundo (link na coluna à direita)
Abril demite editor que criticou Veja no twitter
do blog do Altino Machado no Terra Magazine, via twitter
A National Geographic Brasil, da Editora Abril, demitiu nesta terça-feira (11) o editor-assistente Felipe Milanez pelas críticas em seu Twitter contra a revista Veja, da Abril, por causa da reportagem “A farra da antropologia oportunista” sobre delimitação de reservas indígenas e quilombos no país.
- A decisão me foi comunicada pelo redator-chefe Matthew Shirts. Ela veio lá de cima e ainda estou zonzo ainda porque não imaginava que minha opinião fosse resultar nisso – disse Milanez.
Bastante conhecedor da Amazônia, especialmente das tribos indígenas, o repórter-fotográfico Felipe Milanez estava com viagem marcada para o Amazonas na quinta-feira (13). Ele iria percorrer durante 15 dias a BR-319, que liga Manaus (AM) a Porto Vellho (RO), acompanhando uma equipe da Embratel que dá suporte às torres de telefonia.
Ele usou o Twiter para avisar seus seguidores sobre a demissão:
- To destruido, muito chateado. Acabo de ser demitido por causa dessa infeliz conta de Twitter. Sonhos e projetos desmancharam no ar virtual
Do blog Vi o Mundo (link na coluna à direita)
Abril demite editor que criticou Veja no twitter
do blog do Altino Machado no Terra Magazine, via twitter
A National Geographic Brasil, da Editora Abril, demitiu nesta terça-feira (11) o editor-assistente Felipe Milanez pelas críticas em seu Twitter contra a revista Veja, da Abril, por causa da reportagem “A farra da antropologia oportunista” sobre delimitação de reservas indígenas e quilombos no país.
- A decisão me foi comunicada pelo redator-chefe Matthew Shirts. Ela veio lá de cima e ainda estou zonzo ainda porque não imaginava que minha opinião fosse resultar nisso – disse Milanez.
Bastante conhecedor da Amazônia, especialmente das tribos indígenas, o repórter-fotográfico Felipe Milanez estava com viagem marcada para o Amazonas na quinta-feira (13). Ele iria percorrer durante 15 dias a BR-319, que liga Manaus (AM) a Porto Vellho (RO), acompanhando uma equipe da Embratel que dá suporte às torres de telefonia.
Ele usou o Twiter para avisar seus seguidores sobre a demissão:
- To destruido, muito chateado. Acabo de ser demitido por causa dessa infeliz conta de Twitter. Sonhos e projetos desmancharam no ar virtual
segunda-feira, 10 de maio de 2010
Os Novos Ventos
Finda a bipolaridade da guerra-fria, foi imposto ao mundo o liberalismo moldado no modelo econômico americano. A globalização comercial não foi um fenômeno moderno. Antes da revolução Russa de 1917, o mundo era predominantemente liberal, com grande liberdade de fluxo de capitais e pessoas. É evidente que o avanço tecnológico incorporou outros elementos ao liberalismo.
Aparentemente o auge do liberalismo moderno, sobretudo em seu componente ideológico, se deu na última década do século passado. O consenso de Washington trazia a premissa de que através da ampla liberdade aos mercados as fronteiras nacionais deixariam de ser um óbice ao aumento da riqueza e bem estar dos cidadãos. Supostamente, no futuro liberal as pessoas nascidas na Suiça ou no Haiti teriam as mesmas oportunidades de ascensão social.
Se no comunismo o controle político da economia produziu ineficiência, no liberalismo o predomínio do interesse privado sobre o público gerou crises e conflitos. Este começo de século ratifica a tese de Marx de que o aprofundamento do capitalismo fomenta a subversão e colabora para seu declínio. As contradições capitalistas provocaram uma onda de reações ao neoliberalismo. A América Latina talvez seja o melhor laboratório deste movimento.
De uma maneira geral, os países latinos americanos saíram de ditaduras militares apoiadas ou promovidas pelos EUA diretamente para sua nova cartilha, o neoliberalismo. Assim, Fujimori no Peru, Pinochet no Chile, Carlos Menen na Argentina, Fernando Henrique no Brasil, foram alguns dos que aplicaram a receita de ajuste fiscal severo, privatizações e estímulos ao capital financeiro. Dos citados, apenas o brasileiro não acabou preso ao deixar o poder.
A difusa reação social varreu a América Latina. Panelaço na Argentina, sem-terras em marcha no Brasil, manifestações indígenas na Bolívia. Foram muitas as formas as quais preconizavam a mudança política aprofundada na região. Candidatos mais identificados com as demandas sociais e as esquerdas sagraram-se vitoriosos num nítido movimento de antagonismo às políticas neoliberais. Kirchner na Argentina, Chavez na Venezuela, Vasquez no Uruguai, Lugo no Paraguai, Correa no Equador, Ortega na Nicaragua, Lula no Brasil, foram exemplos dessa onda. Este movimento pode ser visto como um todo orgânico que se traduz no fortalecimento do Mercosul, na criação da ALBA e da UNASUL.
Na virada do século o fortalecimento da esquerda e do sentimento antiamericano na América Latina contrastava o fortalecimento da direita nos EUA. W. Bush assumiu a presidência após uma eleição até hoje contestada. O 11 de setembro deu maior ímpeto à direita norteanericana. Em abril de 2002 os ianques estiveram envolvidos na tentativa de golpe na Venezuela. Em março de 2003 invadiram o Iraque contra as resoluções da ONU.
O desrespeito aos fóruns internacionais como a não assinatura do protocolo de Kyoto, violação das regras da OMC e as guerras de Bush minaram a autoridade ideológica americana. Outro abalo no domínio de Washington foi produzido pela crise econõmica de 2008/2009.
A maré política que inundou o continente chegou ao rico país do norte. A eleição de Obama foi fruto do mesmo fenômeno latino-americano. O recrudescimento liberal gerou crise econômica e promoveu a chegada ao poder de uma figura mais identificada com as bases sociais. Foi assim com o primeiro presidente negro americano, com o índio boliviano, com os mestiços Chavez e Lula. A plataforma de governo amparada em propostas sociais também é marca desse processo. Com Obama fechou-se um ciclo de declínio da radicalização de direita liberal na América.
Na Ásia, as duas últimas décadas tiveram a emergência de três atores principais. A China e a Índia se adaptaram muito bem à fase do novo capitalismo. Ganharam um peso econômico capaz de abalar o status quo. A China, em especial, tornou-se um contrapeso ao poderio americano que não existiu logo após a guerra-fria. A Russia, terceiro ator de relevância, afundou em sua crise pós-soviética e andou de lado na fase neoliberal. A crise russa de 1998 foi o fundo do poço.Vladmir Putin resgatou o orgulho russo e, tal como os latino-americanos, adotou posturas políticas e econômicas nacionalistas. A guerra na Geórgia e o recuo americano na instalação do sistema antimissil no leste europeu provaram a capaciade da Rússia de frear os interesses americanos. Não atoa o país de Putin é aliado da Venezuela e contido na questão do Irã. Ainda sobre a Ásia vale destacar que o Japão encerrou o domínio de 50 anos do conservador Partido Liberal Democrático.
A rica Europa Ocidental convive com a alternância de governos liberais e trabalhistas. A Europa foi um dos vetores da globalização moderna com sua U.E.. A adoção de medidas liberais foi requisito para redução de assimetrias aos que ingressaram no bloco. O modelo de integração europeu virou exemplo para outros blocos do mundo. Ocorre que o processo vivido no resto do mundo chegou à Europa. O ensaio deste movimento ocorreu nas duas décadas anteriores. A direita conservadora chegou à Itália com Berlusconi, à Inglaterra com Blair, a Espanha com Aznar. A França tomou um susto ao ver a força do ultranacionalista Le Pen em 2007 e a Áustria elegeu o seu mega-direitista Haider.
As mentiras da guerra do Iraque precipitaram o fim do governo Blair. A França pendeu por Sarkozy. A crise na Grécia em 2010 traz nova etapa. A única saída visualizada para os países mais atingidos é a velha receita do FMI. Novamente impõe-se a países em crise o remédio do ajuste fiscal, arrocho salarial, contenção de gastos públicos e endividamento. A reação da população é semelhante da América Latina em anos anteriores. É possível prever consequências semelhantes, ou seja, ascensão de líderes populares e plataforma de governo menos liberal.
A África continua sendo um caso particular, mas também há sinais de mudança neste continente. Cada vez mais se fala da diferentes Áfricas. Alguns países despontam como pólos mais promissores. A África do Sul busca estreitar laços com Índia, China e Brasil para ter peso semelhante a estes no cenário internacional. Os países do norte africano tem um desenvolvimento moderado como Egito, Líbia, Argélia. Na parte ocidental destacam-se as economias da Nigéria, Costa do Marfim e Senegal. A parte centro-oriental do continente continua bastante pobre e instável.
Duas potências emergentes podem estar contribuindo para um futuro de melhor destaque para o continente negro. A China tem realizado grandes investimentos em infra-estrutura e expande sua influência a partir do nordeste africano. Já o Brasil atua partindo dos países lusófonos. A bandeira de combate à fome adotada por Lula tem sido importante para a influência brasileira no continente. A Embrapa tem apoiado o desenvolvimento da agricultura africana, e agora o bolsa-família deve ser implantado no continente através da FAO. O governante brasileiro tem buscado fazer dos biocombustíveis uma ferramenta de desenvolvimento da região.
Não está clara a composição de forças neste mundo multipolar. As recentes crises tiveram o curioso efeito de redução das assimetrias globais. Se existiu freios ou encolhimentos expressivos de países ricos, países emergentes continuaram crescendo ou se recuperaram rápido. O aumento da cooperação dos excluídos do G7 tirou deste o monopólio na definições das políticas mundiais.
Existem pressões para reforma da ONU. Independentemente de uma eventual mudança formal da organização, seria possível visualizar um panorama diferente de 2003, quando a instituição foi ignorada por Bush?
A despeito da relativa perda de poder dos EUA, o país tem musculatura econômica e militar para repetir a dose do Iraque. Mas os ventos da mudança atravessaram os muros da maior potência global. É difícil crer que a opinião pública americana aceite outra guerra sem o aval da ONU.
Viveu-se no mundo a suposta crise das ideologias. Certamente essa foi uma crise de rótulos, que costumam ser melhor definidos a posteriori. Toda ação de um governante precisa estar legitimada em um pensamento perante seus governados. Desde a evangelização dos índios, à tese de ausência de alma dos negros, passando por doutrinas fascistas e comunistas, as idéias justificaram atitudes de pessoas ou nações. Olhando agora, se percebe como o mercadismo justificou a farra dos financistas no mundo. Por outro lado, a democracia como valor universal e a doutrina do medo apoiaram a invasão do Iraque, do Afeganistão e outras ingerências americanas no mundo.
O planeta experimenta uma nova fase de construção difusa do pensamento dominante. Como se vê, há uma tendência de consolidação de políticas sociais historicamente identificadas com a esquerda. Obama chega a ser tachado de comunista estando no comando da Meca do capitalismo. Por sua vez, a Europa promove a outra ponta do ideário que se consolida. Através de políticas públicas e alteração de hábitos de consumo de seus cidadãos, a agenda verde é exportada pelo velho continente.
Assim sopram os ventos para o futuro. Quando os eixos políticos, ideológicos e econômicos do mundo mudam, mudam também seus protagonistas. O país que pretende ampliar seu espaço precisa elevar suas velas na direção correta. Os cidadãos das diversas nações clamam por um modelo de maior eficiência social e ambiental. O dinheiro costuma entender essas tendências antes mesmo que haja consciência da mudança de seu fluxo. O futuro está sendo construído sob matizes ideológicas entre o vermelho e o verde. O discurso ambiental que será introduzido na próxima eleição e bandeira de esquerdistas empunhadas pelos principais concorrentes podem ser bons presságios para o Brasil.
Vista do Farol
A foto acima registra o pôr-do-sol visto do Farol da Barra em Salvador. No verão, são comuns reuniões diárias de baianos e turistas para acompanhar o espetáculo. A imagem, capturada pelas lentes de uma câmera de celular, dá uma amostra da beleza da cena.
Marcadores:
Farol da Barra,
paisagem,
Salvador,
turismo
sexta-feira, 7 de maio de 2010
Top 100 Recapitulando
Sempre indico no blog discos que para mim fazem parte dos 100 melhores do mundo. São discos que gostaria de ter em uma prateleira da sala um dia. Obviamente subjetivo, meu critério é a qualidade musical, mas também a importância do disco para do artista ou gênero. Me considero bem criterioso, portanto, mesmo que não conheça ou não goste do artista, recomendo que o leitor do blog se dê uma chance de escutá-los. Até aqui já indiquei dez discos, que não são nem o topo nem a base da lista, uma vez que não pretendo trazer um rol hierarquizado. São eles:
1. Raul Seixas (poderia ser Gita, mas dele eu não consegui escolher um. Indiquei a música Novo Aon como símbolo do que Raul tem de muito bom e ainda pouco conhecido.)
2: Saltimbancos Trapalhões - Trilha sonora do filme do quarteto.
3: Transa - Caetano Veloso
4: Construção - Chico Buarque
5: Nada Como Um Dia Após o Outro Dia - Racionais Mc´s.
6: Da Lama ao Caos - Nação Zumbi
7: Fruto Proibido - Rita Lee e Banda Tutti Frutti
8: Em Ritmo de Aventura - Roberto Carlos
9: Samba Esquema Novo - Jorge Ben
10: Riding With the King - B.B. King e Eric Clapton
1. Raul Seixas (poderia ser Gita, mas dele eu não consegui escolher um. Indiquei a música Novo Aon como símbolo do que Raul tem de muito bom e ainda pouco conhecido.)
2: Saltimbancos Trapalhões - Trilha sonora do filme do quarteto.
3: Transa - Caetano Veloso
4: Construção - Chico Buarque
5: Nada Como Um Dia Após o Outro Dia - Racionais Mc´s.
6: Da Lama ao Caos - Nação Zumbi
7: Fruto Proibido - Rita Lee e Banda Tutti Frutti
8: Em Ritmo de Aventura - Roberto Carlos
9: Samba Esquema Novo - Jorge Ben
10: Riding With the King - B.B. King e Eric Clapton
quarta-feira, 5 de maio de 2010
Sabedoria Persa

Em uma entrevista exibida hoje pelo canal americano ABC, o presidente iraniano Mahmud Ahmadinejad que está em Washington esclareceu uma grande dúvida. Ao ser questionado se Bin Laden estava escondido no Irã, chamou de risível a suposição e afirmou: "Fiquei sabendo que está em Washington! Fiquei sabendo...ele está lá. Porque era um antigo parceiro do Sr. Bush. Eles eram colegas, de fato, nos bons tempos. Você sabe disso. Eles estavam juntos no negócio do petróleo. Eles trabalharam juntos. Bin Laden nunca cooperou com o Irã, mas cooperou com o Sr. Bush."
"Pode ter certeza que está em Washington. O governo americano invadiu o Afeganistão para prender Bin Laden. Eles provavelmente sabiam onde Bin Laden estava. Se não sabiam, por que invadiram? Podemos conhecer as informações de inteligência?"
"Primeiro eles deveriam conhecer a localização e, então, invadir. Não conhecer a localização, invadir e tentar descobrir onde ele esta, isto faz sentido?
Marcadores:
Bin Laden,
EUA,
internacional,
Irã,
Pérsia
segunda-feira, 3 de maio de 2010
O Triângulo Baiano
A eleição na Bahia vai ser disputada por três pólos. A aliança PSDB/DEM com Paulo Souto, o PT e com Wagner e o PMDB concorrerá com Geddel. A disputa pode ser analisada na metáfora de um triângulo. Os lados representam os votos de cada candidato. A soma dos lados totaliza 100%, tendo em vista que votos não destinados aos três são desprezados neste raciocínio. É evidente que os candidatos podem crescer angariando indecisos, mas como quem vota em "A" deixa de votar em "B", os votos válidos no final são um único bolo a ser dividido principalmente entre os três.
Pesquisas recentes* apontam hoje o lado de Wagner com cerca de 54%, o de Souto 33% e o lado de Geddel tem 13% do triângulo. Apesar dos dois adversários fortes, Wagner desponta com chances de vencer no primeiro turno. Considero pouco provável a manutenção deste quadro. Muito embora as duas últimas eleições baianas tenham sido decididas no 1° turno, nem Souto em 2002, nem Wagner em 2006 superou a marca de 54% dos votos válidos. Ou seja, mesmo em eleições polarizadas apenas no DEM x PT não houve folga na disputa.
Em 2002, pouco estruturado, o PMDB obteve com Prisco Viana 4,2% dos votos válido. Já em 2006 a diferença de Wagner para Souto foi inferior a 10%. Isto demonstra que o PMDB foi decisivo para a eleição de Wagner. Se tivesse apoiado o DEM poderia inverter o resultado final. Agora com o PMDB robusto, a disputa deve ir para segundo turno.
O triângulo baiano deve mudar de forma de acordo com a rigidez ou flexibilidade de seus lados.
O lado de Wagner é o mais engessado. Seu percentual de intenção de votos reflete a aprovação do seu governo. O crescimento é relativamente mais difícil para o atual governador. É bastante conhecido e já está bem posicionado. Por outro lado, Wagner tem base sólida. Desde março de 2009 não apresentou menos de 36% nas pesquisas mais importantes. De lá pra cá sua aprovação melhorou com o arrefecimento da crise internacional e com o ganho de popularidade de Lula. O PTista vem apresentando cerca de 40% de voto espontâneo.
Geddel é o lado mais flexível. É o candidato com menor nível de conhecimento entre os eleitores, possui baixa rejeição e terá um bom tempo de TV. Contará ainda com o apoio significativo de prefeitos do estado. Tem potencial e deve crescer no decorrer da campanha. Entretanto, se a campanha assumir a polarização das anteriores, seu eleitor pode optar pelo voto útil em um dos outros concorrentes. Há, portanto, risco de esvaziamento da chapa PMDBista.
A candidatura de Paulo Souto não tem as deficiências das adversárias, mas também não tem as mesmas vantagens. Se Wagner larga como protagonista, Souto é seu natural antagonista. A possibilidade de crescimento deste é proporcional ao aumento da rejeição ao candidato do PT. Hoje a rejeição de Wagner é tão pequena quanto a de Geddel e menor que a do próprio candidato do ex-PFL. Ao soutismo não é viável propor um pós-Wagner (como Serra busca o pós-Lula), dada a presença do governador na disputa. Contudo, a herança carlista e o papel de principal foco de oposição nos últimos 4 anos devem garantir um piso ao democrata maior que 20%. Souto aparece com cerca de 25% nas pesquisas espontâneas e teve 43% na última eleição.
O confronto nacional também influenciará a disputa na Bahia. Em 2002 Lula teve 61% dos votos na Bahia, tendo alavancado a campanha do então pouco conhecido Wagner. A força do carlismo fez com que Souto freasse uma vitória maior de Lula como no restante do Nordeste. Já em 2006 a influência de Lula foi reconhecida pelo carlismo. Nos últimos dias de campanha de TV o DEM veiculou imagens de ACM com Lula defendendo o fundo de combate a pobreza.
Nesta eleição os reflexos do cenário nacional são novamente favoráveis a Wagner. Dilma já vem alcançando cerca de 15% de frente sobre Serra no Nordeste. A rejeição do tucano é de 28% na região contra 18% da ex-ministra. Nas espontâneas, o voto em Dilma, Lula e candidato do Lula somam cerca de 30% na Bahia contra cerca de 12% de Serra.
Se a imagem de Paulo Souto estiver associada a Serra, ele terá dificuldade de subtrair eleitores do lado de Wagner. Souto terá que se sobrepor a Geddel como candidato de oposição, mas deve contar que esse consiga tirar votos do PTista, se não sequer haverá segundo turno.
O dilema de Geddel não é mais fácil. Se fizer campanha confrontando Wagner tende a ganhar a simpatia de eleitores de Souto. Só que dividir eleitores da oposição não lhe interessa, uma vez que é necessário encolher o lado governista do triângulo. Porém, confrontar com Souto pode lhe tirar do segundo turno, pois pode acentuar o papel do democrata como antagonista.
Na síntese da rigidez dos lados tem-se, aproximadamente, Wagner com 35% e Souto com 20%. Há espaço para Geddel ir para o segundo turno, mas dificilmente se excluirá o PTista. Assim, a campanha na TV em algum momento assumirá o embate entre PMDB e DEM. O papel que Geddel aspira nesta eleição é de protagonista e não de coadjuvante. Se não puder ser eleito, é imprescindível para ele ser o maior nome de oposição nos próximos anos.
Este é o panorama da eleição na Bahia. Não há céu de brigadeiro pra ninguém, mas Jaques Wagner tem tudo para seguir com mais tranquilidade no primeiro turno.
U-Boats - A matilha de Hitler
A História de uma guerra, pelo menos a versão predominante, é contada pelo vencedor. Foi assim com a Segunda Guerra Mundial. Qual a batalha decisiva, povo que sofreu mais e qual nação foi fundamental para a vitória? Dia D, judeus e EUA, é a resposta contada na maioria dos filmes. Stalingrado, russos e União Soviética, é a resposta mais aceita hoje pelos historiadores. Os EUA emergiram da Segunda Guerra como a maior potência do mundo e tinham a necessidade estratégica de fincar um aliado permanente no Oriente Médio criando Israel. Por outro lado, o mundo viveu quase meio século na Guerra Fria, tornando as análises do conflito tão díspares.Sem me aprofundar nas distorções sobre a imagem do maior conflito do século passado, resolvi apontar a importância de uma arma de gurra: o submarino, ou o U-Boat.
U-Boat`s (Unterseeboot-"barco debaixo-de-água" em alemão literal) é o termo como ficaram conhecidos os submarinos da poderosa frota de Hitler. Também receberam o respeitável apelido de "lobos-do-mar".
A alcunha de lobo se deveu à forma de ataque dos submarinos alemães. Inicialmente eles atuavam de forma isolada, se aproximando furtivamente de navios inimigos e os atingindo antes de serem percebidos. Posteriormente, quando as esquadras aliadas passaram a ser escoltadas por contratorpedeiros, os "lobos" atuaram em duplas ou trios, com ataques rápidos e quase imediata dispersão.
Mais do que provocar baixas na marinha aliada, o uso estratégico dos U-Boat`s foi tentar isolar a Grã-Bretanha. Na fase crítica, a Inglaterra viu seu abastecimento comprometido, sendo isto tão danoso quanto os ataques aéreos a Londres e outras cidades. Depois da guerra Churchil chegou a declarar que temeu mais os submarinos que a Luftwaffe, Força Aérea alemã que castigou a Inglaterra com bombardeios.
Os U-Boat`s só puderam ser contidos pelo avanço tecnológico com aprimoramento de radares, sonares, cargas de profundidade (para defesa contra torpedos), além de avanços táticos nos comboios marítimos. A entrada do EUA na guerra também colocou o tráfego marítimo em uma escala superior à capacidade de destruição dos submarinos alemães. Foram ataques dos lobos-do-mar que justificaram a entrada do Brasil na guerra.
domingo, 2 de maio de 2010
Submarinos brasileiros
Começa a ser produzido o primeiro dos quatro submarionos Scorpéne, de tecnologia francesa, no dia 27 de maio. Deverá estar pronto em 2016. Outros três submarinos devem estar prontos em 2021. Todos produzidos aqui. Também foi adquirido da França um submarino nuclear que deve ser entregue em 2022. Junto com a compra de novos caças para a força aérea, as aquisições da marinha colocarão nossa defesa em um novo patamar. A transferência de tecnologia que é exigida representa também imenso ganho para o país. O Brasil se insere com força no cenário internacional. Seu crescimento econômico estará um pouco melhor respaldado por suas Forças Armadas. As Guerras do Iraque e a pressão americana sobre o Irã e Venezuela dão a dimensão da necessidade de um país com grandes reservas de petróleo ter um poder militar respeitável.
Assinar:
Postagens (Atom)
