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quarta-feira, 10 de novembro de 2010

O Pecado Capital do PSDB/FHC

Do Blog do Josias

Em sessão realizada nesta terça (9), a 6ª turma do STJ determinou o trancamento de ação penal que corria contra Ricardo Sérgio de Oliveira.
Ex-diretor do Banco Brasil, Ricardo Sérgio respondia no processo à acusação de “gestão temerária”.
O caso foi investigado num inquérito aberto no Rio, em 2002, pelo Ministério Público Federal. Conduziu-o o procurador Gino Liccione.
Envolve a concessão de fiança bancária de R$ 874,2 milhões para que a empresa Solpart participasse do leilão das estatais de telefonia, em 1998.
Há no processo um relatório do Banco Central. O texto tachou o aval, liberado por Ricardo Sérgio na antevéspera do leilão, de “irregular”.
A Solpart havia sido criada um mês antes pelo Banco Opportunity, contralado por Daniel Dantas. Tinha capital social miúdo: R$ 1.000.
A despeito disso, o BB liberou a fiança sem exigir nenhuma garantia real dos acionistas da Solpart.
Em diálogo captado pelo célebre grampo do BNDES, uma escuta clandestina, Ricardo Sérgio falou sobre a fiança.
Conversava com Luiz Carlos Mendonça de Barros, à época ministro das Comunicações da gestão FHC.
A certa altura, Ricardo Sérgio informa a Mendonça de Barros que havia liberado o aval à Sopart. E declara: "Estamos no limite da nossa irresponsabilidade".
No relatório em que analisou a operação, O BC anotou, em dezembro de 2001:
"A carta de fiança foi concedida baseando-se apenas em critérios subjetivos, sem atentar para princípios da boa técnica bancária, [...] demonstrando imprudência na gestão dos negócios da instituição financeira".
Relatora do caso, a ministra Maria Thereza de Assis Moura, do STJ, anotou no seu voto que os réus não agiram com a atenção e a seriedade devidas.
A despeito disso, escreveu que o crime de gestão temerária só pode ser punido quando é comprava a intenção de dolo. Algo que, para ela, não se configurou.
Assim, Ricardo Sérgio livrou-se, 12 anos depois da privatização das ex-estatais telefônicas, da acusação que lhe pesava sobre os ombros.
O ex-diretor do BB é personagem ligado ao tucanato. Antes de ser acomodado na direção do banco, coletara fundos para uma campanha de José Serra ao Senado.


Comentário:Assim foram feitas as privatizações por FHC. Escolheu-se, sabe-se lá a que preço, quem seriam os novos barões do Brasil. Neste caso, uma empresa com capital de R$ 1.000,00 (mil reais) obteve um empréstimo de quase um bilhão e virou uma grande empresa de telecomunicação!   Você não gostaria de poder investir assim? 

segunda-feira, 17 de maio de 2010

As novas pesquisas e o PSDB

As primeiras pesquisas divulgadas em maio (Vox e Sensus) são recheadas de más notícias para o PSDB. Além de mostrar que Dilma assumiu a liderança, existem uma série de dados ruins para os tucanos. Dilma continua crescendo, já superando 35%. Serra oscila pouco, mas confirma certa tendência de queda quando olhamos o fim do ano passado. Os votos espontâneos consolidam o favoritismo governista, já que Dilma e Lula pontuam com cerda de 30% contra 15% de Serra. A Rejeição de Serra supera a de Dilma (28,4% X 29,5% na Sensus e 15% X 20% na Vox Populi). E esses são apenas os dados mais aparentes.
A pesquisa da Vox indica que Serra é conhecido por 76% dos eleitores e Dilma por apenas 56%. (Marina por apenas 33%). 4% ainda acham que Serra é o candidato de Lula e 1% pensam que é Marina. 33% dizem que só votarão no candidato de Lula e 30% dizem que podem votar no indicado pelo presidente.
A Sensus aponta que 55,4% disseram que não votariam "de jeito nenhum" no candidato de FHC, enquanto 60,8% dizem que votam com certeza ou poderiam votar no candidato de Lula. A aprovação de Lula é de 83,7%. FHC tinha 29,5% de aprovação em maio de 2002, ano em que seu candidato (o mesmo Serra) teve 23,2% de votos no primeiro turno e quase 39% no segundo. Logo, é gritante a margem para crescimento de Dilma neste cenário.
O que fará o PSDB diante destes números? De imediato tentará desqualificá-los e se apoiar em outras pesquisas. Ocorre que os números podem ser diferentes, porém o Ibope tem confirmado a tendência de Dilma assumir a liderança da corrida presidencial. O Datafolha não poderá sozinho contrapor as demais pesquisas, além de também ratificar que há mais espaço para crescimento da PTista. Brigar com os números pode ser uma necessidade retórica, mas não muda o panorama.
Serra, muito cedo e antes mesmo do início da campanha oficial, está ficando num beco sem saída. Mais uma vez precisa de um novo fato político para permanecer viável aos olhos de seus aliados. Na última vez, conseguiu fôlego com seu lançamento turbinado por pesquisas questionadas e um Aécio vibrante. Ensaiou um fortalecimento de suas alianças que não vingaram na prática. Àécio como vice volta a despontar como tábua de salvação dos tucanos. A essa altura as próprias pesquisas põem em xeque essa possibilidade. Dilma cresceu em Minas Gerais possivelmente em face do ressentimento ao tratamento dado ao neto de Tancredo pelo PSDB. Assumir a candidatura a vice pode ser inútil ou mesmo nocivo para o próprio Aécio. O ninho tucano deve estar fervilhando de análises e questionamentos.

domingo, 25 de abril de 2010

Crônica do Personagem Ciro 2

Ambição presidencial em 1998 e 2002: Ciro ingressou no PPS para poder ser candidato a presidente em 1998, uma vez que a emenda da reeleição fora aprovada para beneficiar FHC. Pelo PPS, partido hoje aliado do PSDB e DEM, Ciro foi candidato a presidente em 1998 e 2002. Na primeira vez ficou atrás de FHC e Lula, na segunda atrás de Lula, Serra e Garotinho. Em 2002 Ciro esteve perto de disputar o segundo turno, mas ataques da camapanha de Serra foram decisivos para o resultado final. Em uma entrevista a uma rádio de Salvador, um ouvinte fez uma pergunta que de forma irônica desqualificava o candidato cearense. Sem pensar duas vezes, Ciro chamou o ouvinte de burro e só depois ressalvou que devia ser alguém ligado aos adversários. Na propaganda serrista na TV várias vezes apareceu a parte em que o ouvinte foi ofendido. Ciro imputa a Serra a armadilha. O episódio o levou a apoiar Lula no segundo turno, muito embora Ciro fosse egresso do ninho tucano.
Aqui cabe um paralelo com a atual situação de Ciro. Ele tinha uma carreira ascendente no PSDB, chegando a ocupar o cargo de ministro do Real em 1994. Onde ele errou para não ser indicado a suceder FHC no lugar de Serra em 2002? Uma hipótese é que ele tenha tropeçado em seu próprio voluntarismo ao mudar de partido em 1996 para ser candidato contra o então presidente PSDBista. A hipótese mais provável ficou clara agora em 2010. Desde sua criação o PSDB só teve paulistas candidatos a presidente. Se um mineiro não rompeu esse paradigma, um cearense jamais o faria.
Hoje no PSB, Ciro quis repetir a fórmula fracassada de ganhar notoriedade em uma campanha e disputar com chances 4 anos mais tarde. Não teve a sagacidade política de Brizola. Este percebeu que para liderar o país precisava estar num centro político de maior visibilidade. Brizola saiu do Rio Grande do Sul para ser eleito governador do Rio de Janeiro (uma eleição marcada por uma tentativa de fraude apoiada pela Globo). Ciro podia ser candidato por São Paulo e, ainda que perdesse, se tornaria um político de maior envergadura. Deixou de atuar como um líder nacional para agir como apenas um político conhecido em todo país.
P.S.: Quem gosta de política ou se interessa pela história do país deve assistir a entrevista de Ciro dada ao Kennedy Alencar. Ouça o que ele diz, não inetrpetre o que Ciro quer dizer com base em frases tiradas do contexto. Link:

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Crônica do personagem Ciro 1

Ciro vinha tendo um discurso forte, criticando a postura ética do PT e PSDB em suas alianças. Registrei que era fácil tecer esse tipo de crítica quando não se têm aliados. O fim da quase candidatura do cearense foi melancólico. A entrevista ao IG foi desastrosa, quase infantil. Inadmissível a um político experiente que almeja ser presidente. Ele já havia criticado também o PMDB e seu próprio PSB. Agora criticou Lula e resvalou em Dilma. A essa altura suas críticas o fazem parecer destemperado, ambicioso e despreparado.
Curioso com o desfecho que Ciro deu à sua pretensão, resolvi escrever sobre sua trajetória em dois ou três post´s. Começo aqui a tentativa de entender e explicar o resultado obtido pelo ex-presidenciável.

Da ARENA ao Tucanato: Ciro ingressou na política em 19982, ano que foi eleito pelo PDS. O PDS sucedeu o ARENA, partido de apoio ao regime militar. Como deputado migrou para o PMDB e posteriormente para o PSDB, onde foi eleito prefeito de Fortaleza em 1988.
Em 1989 apoiou Mário Covas (PSDB) e, seguindo este, Lula no segundo turno contra Collor. Em 1991 sucedeu Tasso Jereissati (eleito pelo PMDB, saiu já no PSDB) no governo do Ceará. Ciro foi o primeiro governador eleito pelo partido tucano no país. No fim de 1994 deixou o governo para ser Ministro da Fazenda (ainda não havia reeleição).
A indicação de Ciro para o ministério revela o prestígio que ele tinha no partido. Aquele era o ministério do Plano Real. Após a saída de FHC a pasta da Fazenda foi assumida por Rubens Ricupero. Este último deixou o cargo após o escândalo da famosa entrevista dada a Carlos Monforte da Globo. Sem saber que estava no ar nos canais de parabólica, Ricupero admitiu falhas no plano. Disse ainda a célebre frase: "Eu não tenho escrúpulos, o que é bom a gente fatura, o que é ruim a gente esconde".

Dois anos mais tarde chegaria ao fim o casamento com o partido de FHC e Serra, justamente devido às ambições presidenciais de Ciro.

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Eu vi o futuro...

Qual cenário político emergirá das próximas eleições? Segundo o livro Fundação de Isaac Asimov, famoso escritor de ficção científica que inspirou o filme Eu Robô, analisando as premissas necessárias é possível prever o futuro. Faço agora o pretensioso exercício de expor minhas previsões.
Parto de algumas premissas. 1- Segundo as recentes pesquisas, Lula tem alcançado mais de 83% de aprovação popular. Sua aprovação é altíssima em todas as classes de renda. Ou seja, ele é quase uma unanimidade. 2- Partidos e candidatos conservadores perderam gradativamente espaço. Maluf por pouco não foi presidente em 86 e hoje é coadjuvante nacionalmente. ACM já tinha amargado graves derrotas quando veio a falecer. Aliás, O DEM que só tinha o comando de Brasília ficou ainda menor após a prisão de Arruda. Sarney (com sua filha) perdeu nas urnas o comando do Maranhão (recuperou apenas na justiça) e ano passado sofreu um massacre de denúncias que reduziu seu peso político. 3 - A escolha de Serra para candidato do PSDB levou ao estreitamento de sua aliança a praticamente PPS e DEM. Serra também é uma figura muito ligada a FHC, um dos políticos mais rejeitados pelo eleitor.
Traçadas as premissas, enumero consequências imediatas. a) A eleição para presidente pode se tornar no imaginário brasileiro um embate entre bons e maus. Os bons são capitaneados por Lula. Quanto mais anti-Lula, mais inimigo do Brasil. b) Serra e seus aliados levarão a pecha do que deve ser expurgado na política. Por que? "Porque Serra manda bater em manifestantes". "Porque persegue jornalistas". "Porque é amigo da Globo". "Amigo do Arruda, do FHC". Esqueçam dizer que Lula também tem aliados ruins, que tem defeitos. Aos olhos do brasileiro, Lula fez o possível. Para Lula tudo é justificável. Se baterem no Lula será pior. c) Apoiar Serra vai ser um peso. No norte e nordeste será como uma traição. Provavelmente apenas em São Paulo isso não ocorra. Talvez em Minas, Rio de Janeiro e no Sul o fenômeno seja atenuado. Na minha Bahia, será ruim para Paulo Souto. Será ruim para os aliados de Paulo Souto.
Trato então do quadro político que vislumbro para 2011. Os apoiadores de Serra sairão abatidos, desorientados. "Não ganhamos do Lula, nem da Dilma, tampouco teremos forças para enfrentar Lula em 2014." Os demais candidatos sairão mais animados. Se Dilma ganhar, foi Serra quem perdeu. Marina e eventualmente Ciro terão ganhado mais visibilidade nacional. Também poderão passar pela campanha sem chamar para si a antipatia dos lulistas. Navegará Dilma então por mares tranquilos em seus 4 anos de governo? Grandes alianças cobram grandes preços. Haverá sob sua asa muita insatisfação. Ela não terá a blindagem de Lula e brigar com Dilma não será o mesmo pecado político. A oposição dispersa procurará um pólo de aglutinação para 2014. Este pólo pode ser de ex-petistas como Heloísa Helena, Cristóvão Buarque e Marina. Pode sair do seio da aliança governista. Pode ainda surgir da aliança de nomes conhecidos como Ciro e Aécio. Dificilmente voltará para o PSDB paulista. Serra, se derrotado, terá perdido sua última cartada, até mesmo por sua idade. Os principais nomes ao seu redor estarão marcados pelo apoio à chapa tachada da má por boa parte do eleitorado. Alkimin, ainda que seja governador, terá dificuldades com seus adversários dentro e fora de seu partido.
Assim eu vejo o pós-Lulismo. Minhas previsões são tão exatas quanto as que emergem da mesa de tarô, de um grande mapa astral ou da borra de café no fundo da xícara. Asimov mesmo lembrou que para prever o futuro seria preciso estar cercado de todas premissas envolvidas (quase infinitas), além da capacidade de processá-las em velocidade maior que a ocorrências das mesmas. Um dia quem sabe eu chego lá...

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Lula X FHC

Neste domingo foram veículadas entrevistas do Lula (Canal Livre da Band) e FHC (jornal Estado de SãoPaulo):

Impressiona a repercurssão na mídia, principalmente da entrevista de FHC. Li em alguns sites que teria sido criticado o viés chinês no Estado sob Lula. Teria se afirmado que estávamos sob ameaça de uma burocracia capitalista amparada no populismo. Li a entrevista. Há críticas à atual situação da nossa democracia. Também ao que ele chamou de busca de um "líder tutor" nas democracias de massa. Todavia as proposições foram colocadas em tese, em um contexto amplo. Não encontrei as críticas direcionadas que me fizeram acreditar terem existido.

Parte da mídia, especialmente a ligada à mídia impressa, parece ter mais voracidade na destruição da imagem do Lula que a própria oposição.

Apesar da consistência das idéias apresentadas por FHC, ele derrapa nos principais alertas que fez sobre nossas instituições. Disse que "nas decisões reais no Brasil estão se constituindo um golpe de poder a união de setores do Estado, setores empresariais e fundos de pensão". Disse ainda que não é progresso transformar o monopólio público em monopólio privado. Ocorre que foi na privatização que os fundos de pensão ganharam a força que têm e que empresas como a Vale e Telemar (telefonia fixa) viraram monopólios privados.

Lula foi cobrado como se fosse uma ameaça. Parece que oito anos de governo moderado não arrefeceu o temor de certos setores. Ante as insinuações de que tentara cercear a imprensa, o presidente foi contundente: "Houve (durante o governo Lula) mais censura dos seus donos (dos veículos de imprensa) do que do governo". "Tem três setores que podem controlar a imprensa: na TV o telespectador, no rádio o ouvinte e no jornal o leitor". Neste momento invocou Datena como exemplo e testemunha. Disse que o jornalista certa vez foi demitido por apresentar Lula em uma redação. Que apesar da amizade entre os dois, ele Lula jamais telefonara pedindo para atenuar crítica alguma.
Duas boas entrevistas. Até mesmo pela embate mais duro com os entrevistadores preferi a do atual presidente.

sexta-feira, 19 de março de 2010

- 10,4 Milhões nas Favelas

Segundo relatório da ONU, 227 milhões de pessoas deixaram as favelas na última década. O número total de favelados cresceu, entretanto, de 776,7 mi para 827,6 mi. As causas do aumento foram o êxodo rural e o crescimento populacional.

No Brasil, houve nos últimos dez anos uma redução de 16% de habitantes em favelas. A fatia da população nestas áreas caiu de 31,5% para 26,4%. A redução da taxa de natalidade, da migração campo/cidade e a adoção de políticas sociais colaboraram para o desempenho do país. A criação do Ministério das Cidades e a política de subsídios a materiais de construção(*) e terrenos também contribuiram para este progresso. (Fonte: BBC Brasil)

Confesso que não sei qual é a definição de favela para ONU. Cheguei a pensar que o problema da moradia, assim como tudo no Brasil, sempre pioraria. Sou de uma geração que cresceu nos anos 80 e 90. Anos magros em crescimento. Parece que na última década (ou sabe-se lá a partir de quando) encontramos trilhos melhores.

(*) Me lembro como fiquei otimista com os subsídios aos matériais de construção concedidos no início do governo Lula. Fala-se que problemas estruturais não se resolvem com uma canetada. Juntamente com a redução de impostos para produtos de informática, esta me pareceu uma canetada das mais certeiras de um governo.

quarta-feira, 17 de março de 2010

IBOPE - Nuvens que Vejo


Análisar tendência em pesquisas é um exercício temerário. A dinâmica da política é tão grande que Tancredo Neves a comparava à efemeridade das formas em nuvens. Há ainda um histórico de erros, particularmente do Ibope, que a credibilidade das sondagens é questionada. Mesmo assim me arrisco a falar de dados tão precários.
Quem acompanha política de perto sabe que os números finais da pesquisa estimudala (como os acima apontados) não servem para análises profundas, especialmente tão antes do pleito. Animam as torcidas, mas dizem pouco. Segundo o Datafolha, em março de 1994 Lula tinha cerca de 30% contra 12% de FHC e perdeu a eleição. Em março de 2002, Lula tinha apenas 28% (menos do que Dilma hoje) e ganhou a eleição.
É comum dizer que o importante é acompanhar a evolução. As seguidas quedas de Serra e a ascensão constante de Dilma parece certificar vitória desta. A simplicidade dos números também nega a pressa desta observação. Entre março e maio de 1998 FHC dispencou quase 10 pontos enquanto Lula subiu mais de 5. Evidentemente a tendência foi revertida.
Agora quem já acompanhou os bastidores de uma campanha sabe o que os canditatos olham com atenção: rejeição e voto espontâneo.
A Rejeição de Serra e Dilma são quase iguais (25/27%). Com destaque para o fato de que a de Dilma caiu de 41%. É normal que menos conhecidos tenham grande rejeição. O eleitor menos informado pensa que é um nanico destes que sempre aparecem.
Na espontânea que estão os dados mais preocupantes para o PSDB. Lula aparece com 20% e Dilma com 14%. Serra apenas com 10%. Somando os PTistas temos 34%. É um base muito sólida à essa altura. Certamente é daí pra cima a votação de Dilma no primeiro turno. Mesmo ignorando a intenção de voto em Lula, Dilma tem 40% a mais de voto espontâneo que Serra. Isso considerando que 42% sequer sabem que ela é a candidata do Lula.
Aqui volto a campanha de 1998 para fugir da frieza dos números. Como disse, entre março e maio daquele ano Lula crescia e FHC despencava. Ocorre que naquela eleição Lula só conseguiu o apoio do PCdoB e do PDT. Ficou com pouco tempo de Tv e palanques estaduais frágeis. Hoje há uma megacoligação a favor de Dilma e Serra tente a ter apenas DEM e PPS. Inverter a tendencia nestas circunstância será um feito histórico.

Ciro, "O Grande"


É mais fácil criticar alianças espúrias quando se tem poucos aliados. Não sei se é só pela circunstância, mas Ciro vem falando grosso e com muita precisão sobre o quadro político nacional.

- Do Ciro Gomes (PSB-CE) em entrevista a Maria Inês Nassif publicada, hoje, no jornal Valor Econômico:

* Vou fazer uma justiça a Aécio. Quando a CPI dos Correios começou a arquitetar o golpe contra o presidente Lula, o Aécio teve um envolvimento estratégico. No meio da crise, eu, Dilma, Márcio Thomaz Bastos [então ministro da Justiça] e Jaques Wagner [então ministro das Relações Institucionais] nos reuníamos diariamente às 7h para definir uma estratégia que era “Infantaria e Diplomacia” – eu dei o nome.
Nós iríamos fazer o diálogo, a diplomacia. Fizemos uma lista daqueles nomes importantes da República e escalamos quem falaria com cada um. Bastos e [Antonio] Palocci ficaram escalados para conversar com o Fernando Henrique e com o Serra, e eu, com Geraldo Alckmin, Aécio Neves, Fernando Gabeira [PV-RJ], José Carlos Aleluia [DEM-BA] – esta era a estratégia de diplomacia.
E como infantaria, nós estimulamos um movimento para ocupar as ruas. O trabalho da diplomacia era dizer: ‘Daqui para trás: nós estamos vendo um componente golpista nisto, o presidente da República não será alcançado e nós não vamos tolerar isso’. Acabamos fazendo a manifestação na rua, só para mostrar que não estávamos blefando.
O Aécio entendeu. Passou não só a concordar, mas a agir para desarmar a bomba. Muitas vezes ele mandou um avião para me buscar em Brasília às 9h da manhã, mandava o avião para pegar fulano, ciclano e beltrano da CPI e íamos para o hangar lá em Belo Horizonte. Lá brigávamos muito, mas chegávamos a acordos avalizados pelo Aécio.
Ele nos ajudou a salvar o mandato do Lula. Invoco o testemunho de Gustavo Fruet [PSDB-PR] e Eduardo Paes [na época, PSDB-RJ]. O Aécio nos ajudou a desmontar a indústria da infâmia movida a partir do PSDB de São Paulo.
* No segundo mandato [de Lula], o PSDB deu ao Lula a crença de que, para governar, é preciso se alinhar – e com quem? O Brasil é tão medíocre nesta questão que são as mesmas pessoas – não são só os mesmo valores – que trabalham ao largo de qualquer moralidade. O Renan Calheiros [PMDB-AL], que foi ministro da Justiça do FHC, é lugar-tenente do Lula no Senado.
Eduardo Cunha [PMDB-RJ], que já conhecia como ligado ao esquema do PC Farias, é quem está dando as cartas aqui, com a delegação do Michel Temer [PMDB-SP], também ex-aliado do FHC. Eliseu Padilha, ex-ministro do FHC, é o presidente da Comissão de Justiça da Câmara. O Felipe Bornier [PHS-RJ] é presidente da Comissão de Fiscalização Financeira e Controle. É a seleção às avessas: quanto mais decência e qualificação têm as pessoas, mais distante estarão dos cargos importantes no parlamento.
* Não sou contra [alianças políticas amplas], eu vi debilidade do governo Sarney. Eu conheço a tradição federativa, a tradição multipartidária brasileira; eu reconheço que a aliança é necessária. A questão é: para quê? Se a aliança é só para conservar o poder e suas bases são o assalto à máquina pública, não faz sentido.