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segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Dilma Presidente - A "decisiva" batalha de Minas

Hoje temos a primeira mulher presidente do Brasil. Quais as razões para mais este marco no rol do "nunca antes na história deste país"? Há explicações pautadas na economia, no carisma de Lula, nos erros da oposição, dentre outras. Chama atenção, mais uma vez, a distribuição geográfica dos votos. Serra venceu nos estados do sul, centro-oeste (exceto em Brasília) e em São Paulo. Dilma venceu no nordeste, no norte (com exceção de Roraima e Acre) e em Minas Gerais. Ou seja, a eleição foi novamente dividida entre eixos sudoeste e nordeste de forma clara. - http://eleicoes.uol.com.br/2010/raio-x/2/presidente/votacao-por-estado/
Esta divisão enseja as mais variadas análises. De um lado há a idéia de que o país se divide entre ricos e pobres, entre eleitores mais conscientes e os mais susceptíveis ao populismo. De outro existe o pensamento que o país se divide entre classe ascendente no norte e elite decadente no sul. Esta divisão era prevista. Dela decorreu a tese de que a eleição deveria ser decidida em Minas. Este pensamento demonstra o quanto o país ainda se vê sob a perspectiva da rica região sudeste. Esta visão ofusca a compreensão do processo vivido no Brasil, incluído o entendimento da eleição de Dilma.
Em seu discurso ao fim da apuração, Serra não mencionou o nome de Aécio (mencionou de outros líderes tucanos como Alkimin). Analistas viram neste silêncio a mensagem de que Serra atribui a Minas Gerais peso decisivo em sua derrota. Revelou compartilhar da incompreensão do país que debilitou a oposição nos últimos anos.
Escrevi aqui (http://livrepraque.blogspot.com/2010/05/favoritismo-alem-das-pesquisas.html) que, a despeito do desfecho em Minas, a vitória de Dilma poderia estar garantida por três grandes trunfos - Pernambuco, Bahia e Maranhão. Na Bahia Dilma venceu por 70,85% a 29,15%. Em Pernambuco por 75,65% a 24,35%. No Maranhão por 79,9% a 20,91%. Só nestes estados Dilma obteve uma vantagem de  6.820.910 votos. O quarto trunfo que não antevi foi o Ceará, onde a vitória petista foi de 77,35% a 22,65%, numa diferença de  2.325.841 votos. Assim, nestes quatro estados Dilma obteve uma margem de mais de 9 milhões e cem mil votos de uma vantagem total de 12 milhões de votos no país. Considerando que em Minas se teve cerca de 10,5 milhões de votos válidos, nem se Serra tivesse 100% disto estaria eleito.
O que ocorre é que as sucessivas candidaturas de Lula, seu governo e ampla aliança partidária tornaram a candidatura de Dilma efetivamente nacional. A massacrante vitória nos estados citados são apresentadas aqui apenas como demosntração de como o Brasil é muito muito maior que o sudeste. Atribuir a Minas ou a Aécio o fracasso da oposição é insistir numa visão míope. Qualquer pessoa que deseje se tornar presidente precisa primeiro construir pontes com todo este país de dimensões continentais. Isso vale para a acreana Marina, para o "ceaense" Ciro e certanente valerá também para o mineiro Aécio.  

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Nem Onda, Nem Marola Verde - ou - O Peso das Outras Vias

Antes da eleição escrevi sobre Ciro e Marina, dois personagens de destaque neste pós 1° turno (http://livrepraque.blogspot.com/2010/04/oposicao-verde-amarela.html). Ciro foi elevado à condição de coordenador político de Dilma. Marina é disputada como grande trunfo para o 2° turno.
Na análise feita em abril, eu destacava que Ciro e Marina poderiam quebrar a polarização PT/PSDB, enriquecendo o debate de forma benéfica para nossa democracia. Dizia que se pudessem disputar unidos as eleições, partiriam de um bom patamar nas pesquisas e razoável tempo de TV. Mesmo limitada no horário eleitoral gratuito e sem Ciro, a candidata verde obteve um excelente resultado.
A candidatura de Marina trouxe um simbolismo ainda não completamente compreendido no meio político. Por um lado, mostrou que o eleitor é mais plural que as duas opções que os gabinetes de Brasília (e São Paulo) tentaram impor ao país. Por outro lado, o cidadão se mostrou sensível ao discurso da ética, do crescimento sustentável, da política pautada em ideias. Porém, o saldo mais parente da surpreendente votação de Marina não está à altura dos méritos apontados.
A "onda verde" talvez seja a pior definição sobre os resultados da eleição. Pressupõe a ideia de um movimento brusco, impensado. Não se pode ter certeza de que os votos a Marina foram deste ou daquele "tipo de eleitor". A única certeza é sobre a distribuição geográfica dos votos. Nem mesmo as pesquisas, tão imprecisas para o caso, servem de parâmetro para traçar o perfil deste eleitorado. Ainda que seja verdade que a candidatura do PV foi impulsionada por conservadores e jovens urbanos, não há razão para considerar que decisão destes seja menos qualificada que a dos demais. 
A tese da "onda verde" mascara a compreensão do processo político vivido. A julgar pelas notícias e análise recentes, o legado da terceira força na eleição é um neo-ambientalismo um tanto hipócrita e uma religiosidade fora de lugar. Muito pouco, senão um equívoco.
As pesquisas de abril deste ano já apontavam a soma das intenções de voto em Marina e em Ciro em cerca de 19% (http://noticias.uol.com.br/fernandorodrigues/pesquisas/2010/1turno/presidente.jhtm). Este dado é relevante na desconstrução da ideia de que uma onda levou o país ao segundo turno. Talvez não seja atoa o chamamento feito a Ciro pela campanha de Dilma. Mesmo diante da polarização de 2006, o jovem e radical Psol obteve ao lado do Cristóvão Buarque (cuja base política, Brasília, representa 1,35% do eleitorado nacional) quase 10% dos votos. Há na sociedade mais espaço para opções fora do cardápio restrito oferecido por Lula e pelo PSDB paulista nesta eleição. Compreender as razões deste espaço é a chave para moldar a política nacional nos próximos anos. A outra opção é aceitar que para além das praias tucanas e PTistas só existem passageiras marolas.  

quinta-feira, 29 de abril de 2010

Crônica do Personagem Ciro 3 - Acabou?

"Presidência é destino":Na eleição de 2002 Ciro ficou em quarto lugar. Atrás de Lula, Serra e Garotinho. Durante a campanha Ciro chegou a ficar em segundo lugar, sendo abatido pelo seu temperamento e pelas críticas de Serra. Ainda ssim, Ciro teve 10.170.000 votos, 2,5 milhões acima de sua votação em 1998.
No ano seguinte o cearense foi do PPS ao PSB por não aceitar ficar na oposição. Foi nomeado para o importante Ministério da Integração Nacional. No primeiro mandato de Lula, Ciro foi de uma lealdade ímpar. Jamais criticara publicamente o presidente, saindo sempre em sua defesa. Durante o episódio do mensalão Ciro compôs o núcleo de articulação mais próximo de Lula. Foi mais fiel e importante na defesa do presidente do que boa parte do próprio PT. Chegou a ser cogitado como candidato a vice-presidente na re-eleição do PTista.
Presidência é destino, já dizia Tancredo Neves. E o destino foi cruel com as pretensões de Ciro. Em 2006 a eleição estava submetida à cláusula de barreira. Os partidos que não tivessem uma votação mínima nacional estariam fadados a desaparecer ou a fundir-se com outro. Para manter vivo o PSB, Ciro candidatou-se a deputado federal, sagrando-se o deputado de maior percentual de votos na história do país.
Para sua ambição presidencial seria muito melhor ser governador, um cargo de maior visibilidade e com um orçamento para administrar. É certo que mesmo para as dimensões do cargo de deputado Ciro teve uma atuação apagada. A eleição de Eduardo Campos ao governo de Pernambuco pelo PSB tirou de Ciro a condição de maior cacique do partido. Além disto, a adesão do PMDB ao segundo governo lulista reduziu o espaço dos PSBistas.
Inventando a roda: Ciro alega que não aceitou ser ministro no segundo governo Lula devido às alianças fisiológicas deste com o PMDB e outros, mas manteve-se governista. Assim o cearense buscou três ineditismos. Primeiro quis manter-se viável sem projetar-se na mídia e criticando alianças ao invés de promovê-las para si. Depois apostou em lealdade como moeda na política. Esperou que sua fidelidade ao partido e ao presidente seria recompensada com um lugar no pleito. Erro estratégico imaginar que o presidente indicaria alguém fora do PT.
Por fim, a falha mais grave de Ciro foi apostar em ser um plano B de Lula. Nunca vi isso em política. Um governante bem avaliado jamais lança dois candidatos. Dividiria forças, além de que todo plano B presume/expõe a fragilidade do plano A. Delegar a terceiros o poder de decidir seu destino nunca é um bom caminho.
Conciliação de interesses: A máxima política de que é preferível ter um perfil conciliador é relativa. Alkimin sempre dividiu o partido para ser candidato. Pode-se dizer que ele perdeu a eleição em 2006 para presidente e para prefeito em 2008 em razão disto. Também em razão disto ele garantiu seu espaço e será candidato ao governo este ano. Serra agora prevaleceu sobre o conciliador Aécio.
A verdade é que nem todos interesses são conciliáveis. Ciro demorou para perceber que objetivos iguais são como dois corpos tentando ocupar um lugar no espaço. No PSDB seu interesse era o mesmo do núcleo paulista e por isso teve de sair do partido. Em 2010 seu interesse é igual ao do PT. Devia ter esticado a corda ou mesmo arrebentado quando Dilma tinha 1% nas pesquisas. Estava clara a opção do presidente. Não havia mais conciliação possível.
O erro de Ciro foi ele mesmo ter plano B ruim, ou não ter um plano B. A alternativa dele era ser uma candidato ainda que inviável. Contar com a sorte para ir ao segundo turno ou ganhar vizibilidade para 2014. Má idéia, mesmo porque com o fantasma da volta de Lula, a hora deveria ser agora.
Ciro se enxergou muito grande. Teve a percepção de que esteve muito próximo da cadeira presidencial em 2002. Avalia que está lhe fugiu por erros táticos e tropeços de campanha. Achou que moderando sua lingua estaria destinado ao sucesso. Só que ninhuém é levado pela inércia aos pleitos seguintes, como ficou claro para Serra em 2006. Podia ter aceitado a saída planejada por Lula que arquitetara uma super coligação para ele em São Paulo. Optou por seus próprios planos que, de tão ruins, lhe deixaram sem batalhas.

domingo, 25 de abril de 2010

Crônica do Personagem Ciro 2

Ambição presidencial em 1998 e 2002: Ciro ingressou no PPS para poder ser candidato a presidente em 1998, uma vez que a emenda da reeleição fora aprovada para beneficiar FHC. Pelo PPS, partido hoje aliado do PSDB e DEM, Ciro foi candidato a presidente em 1998 e 2002. Na primeira vez ficou atrás de FHC e Lula, na segunda atrás de Lula, Serra e Garotinho. Em 2002 Ciro esteve perto de disputar o segundo turno, mas ataques da camapanha de Serra foram decisivos para o resultado final. Em uma entrevista a uma rádio de Salvador, um ouvinte fez uma pergunta que de forma irônica desqualificava o candidato cearense. Sem pensar duas vezes, Ciro chamou o ouvinte de burro e só depois ressalvou que devia ser alguém ligado aos adversários. Na propaganda serrista na TV várias vezes apareceu a parte em que o ouvinte foi ofendido. Ciro imputa a Serra a armadilha. O episódio o levou a apoiar Lula no segundo turno, muito embora Ciro fosse egresso do ninho tucano.
Aqui cabe um paralelo com a atual situação de Ciro. Ele tinha uma carreira ascendente no PSDB, chegando a ocupar o cargo de ministro do Real em 1994. Onde ele errou para não ser indicado a suceder FHC no lugar de Serra em 2002? Uma hipótese é que ele tenha tropeçado em seu próprio voluntarismo ao mudar de partido em 1996 para ser candidato contra o então presidente PSDBista. A hipótese mais provável ficou clara agora em 2010. Desde sua criação o PSDB só teve paulistas candidatos a presidente. Se um mineiro não rompeu esse paradigma, um cearense jamais o faria.
Hoje no PSB, Ciro quis repetir a fórmula fracassada de ganhar notoriedade em uma campanha e disputar com chances 4 anos mais tarde. Não teve a sagacidade política de Brizola. Este percebeu que para liderar o país precisava estar num centro político de maior visibilidade. Brizola saiu do Rio Grande do Sul para ser eleito governador do Rio de Janeiro (uma eleição marcada por uma tentativa de fraude apoiada pela Globo). Ciro podia ser candidato por São Paulo e, ainda que perdesse, se tornaria um político de maior envergadura. Deixou de atuar como um líder nacional para agir como apenas um político conhecido em todo país.
P.S.: Quem gosta de política ou se interessa pela história do país deve assistir a entrevista de Ciro dada ao Kennedy Alencar. Ouça o que ele diz, não inetrpetre o que Ciro quer dizer com base em frases tiradas do contexto. Link:

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Crônica do personagem Ciro 1

Ciro vinha tendo um discurso forte, criticando a postura ética do PT e PSDB em suas alianças. Registrei que era fácil tecer esse tipo de crítica quando não se têm aliados. O fim da quase candidatura do cearense foi melancólico. A entrevista ao IG foi desastrosa, quase infantil. Inadmissível a um político experiente que almeja ser presidente. Ele já havia criticado também o PMDB e seu próprio PSB. Agora criticou Lula e resvalou em Dilma. A essa altura suas críticas o fazem parecer destemperado, ambicioso e despreparado.
Curioso com o desfecho que Ciro deu à sua pretensão, resolvi escrever sobre sua trajetória em dois ou três post´s. Começo aqui a tentativa de entender e explicar o resultado obtido pelo ex-presidenciável.

Da ARENA ao Tucanato: Ciro ingressou na política em 19982, ano que foi eleito pelo PDS. O PDS sucedeu o ARENA, partido de apoio ao regime militar. Como deputado migrou para o PMDB e posteriormente para o PSDB, onde foi eleito prefeito de Fortaleza em 1988.
Em 1989 apoiou Mário Covas (PSDB) e, seguindo este, Lula no segundo turno contra Collor. Em 1991 sucedeu Tasso Jereissati (eleito pelo PMDB, saiu já no PSDB) no governo do Ceará. Ciro foi o primeiro governador eleito pelo partido tucano no país. No fim de 1994 deixou o governo para ser Ministro da Fazenda (ainda não havia reeleição).
A indicação de Ciro para o ministério revela o prestígio que ele tinha no partido. Aquele era o ministério do Plano Real. Após a saída de FHC a pasta da Fazenda foi assumida por Rubens Ricupero. Este último deixou o cargo após o escândalo da famosa entrevista dada a Carlos Monforte da Globo. Sem saber que estava no ar nos canais de parabólica, Ricupero admitiu falhas no plano. Disse ainda a célebre frase: "Eu não tenho escrúpulos, o que é bom a gente fatura, o que é ruim a gente esconde".

Dois anos mais tarde chegaria ao fim o casamento com o partido de FHC e Serra, justamente devido às ambições presidenciais de Ciro.

Ciro - O Pequeno



Na noite da última quinta-feira (22/04) Ciro chutou o balde. Isolado dentro e fora do partido, deu uma entrevista para o portal IG no melhor de seu estilo. Apesar de ressalvar que seguirá o partido apoiando Dilma, saiu disparando coisas como:

"Lula está navegando na maionese. ...acha que vai batizar Dilma presidente."

"Minha sensação agora é que o Serra vai ganhar. ...é mais preparado, mais legítimo, mais capaz. ...inclusive de enfrentar a crise que conheceremos em um ano ou dois."

"Não me peça para ir à televisão declarar meu voto (a Dilma)"

"(os aloprados do PT) Veremos algo assim de novo!"

Concordava que a candidatura de Ciro seria importante em 2010. Agora que ele sai de cena de maneira tão mesquinha, só me resta concordar com a declaração do líder do governo Romero Jucá:

"As declarações de Ciro são a prova da razão pela qual o PSB não o indicou a candidato a presidente."

sábado, 17 de abril de 2010

Datafolha - Abril 2

Sem Ciro: Serra 42%, Dilma 30%, Marina 12%, Zé Maria (PSTU) 1%

Segundo Turno: Serra 50%, Dilma 40%

Espontânea: Dilma 13%, Serra 12%, Lula, 7%, candidato de Lula 3%

Rejeição: Ciro 27%, Serra 24%, Dilma 24%, Marina 10%*


Outros números: 14% indicam que com certeza votarão no candidato de Lula, mas não sabem quem é Dilma; 54% não escolheu ainda seu candidato; 73% é a aprovação do governo de Lula. 2% é a margem de erro.
* Qual será o papel de Marina na eleição? Sem Ciro na disputa ela pode amealhar cerca de até 20% apenas surfando na rejeição dos dois principais candidatos. E quem ela apoiaria no segundo turno? Ciro pode estar mais certo do que julgam os petistas quando diz que sua candidatura é estratégica.

terça-feira, 13 de abril de 2010

Pesquisa - Sensus

Serra - 32,7 %
Dilma - 32,3 %
Ciro - 10,1 %
Marina - 8,1 %

Mais uma pesquisa indicando a tendência de Dilma ultrapassar Serra antes da campanha de TV. Mais uma pesquisa que mostra que o Datafolha fez bobagem ao indicar que Serra apliara a vantagem sobre a PTista.
Por hora, os votos de Ciro continuam migrando majoritariamente pra Serra. Sem Ciro, ele pontua com 36,8% conta 34,0% de Dilma, restando 10,6% para Marina. Na simulação para segundo turno o placar é de 41,7 a 39,7 a favor do tucano. Os resultados de primeiro e segundo turno podem ser considerados empate técnico entre os líderes, tendo em vista a margem de erro de 2,2%.

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Eu vi o futuro...

Qual cenário político emergirá das próximas eleições? Segundo o livro Fundação de Isaac Asimov, famoso escritor de ficção científica que inspirou o filme Eu Robô, analisando as premissas necessárias é possível prever o futuro. Faço agora o pretensioso exercício de expor minhas previsões.
Parto de algumas premissas. 1- Segundo as recentes pesquisas, Lula tem alcançado mais de 83% de aprovação popular. Sua aprovação é altíssima em todas as classes de renda. Ou seja, ele é quase uma unanimidade. 2- Partidos e candidatos conservadores perderam gradativamente espaço. Maluf por pouco não foi presidente em 86 e hoje é coadjuvante nacionalmente. ACM já tinha amargado graves derrotas quando veio a falecer. Aliás, O DEM que só tinha o comando de Brasília ficou ainda menor após a prisão de Arruda. Sarney (com sua filha) perdeu nas urnas o comando do Maranhão (recuperou apenas na justiça) e ano passado sofreu um massacre de denúncias que reduziu seu peso político. 3 - A escolha de Serra para candidato do PSDB levou ao estreitamento de sua aliança a praticamente PPS e DEM. Serra também é uma figura muito ligada a FHC, um dos políticos mais rejeitados pelo eleitor.
Traçadas as premissas, enumero consequências imediatas. a) A eleição para presidente pode se tornar no imaginário brasileiro um embate entre bons e maus. Os bons são capitaneados por Lula. Quanto mais anti-Lula, mais inimigo do Brasil. b) Serra e seus aliados levarão a pecha do que deve ser expurgado na política. Por que? "Porque Serra manda bater em manifestantes". "Porque persegue jornalistas". "Porque é amigo da Globo". "Amigo do Arruda, do FHC". Esqueçam dizer que Lula também tem aliados ruins, que tem defeitos. Aos olhos do brasileiro, Lula fez o possível. Para Lula tudo é justificável. Se baterem no Lula será pior. c) Apoiar Serra vai ser um peso. No norte e nordeste será como uma traição. Provavelmente apenas em São Paulo isso não ocorra. Talvez em Minas, Rio de Janeiro e no Sul o fenômeno seja atenuado. Na minha Bahia, será ruim para Paulo Souto. Será ruim para os aliados de Paulo Souto.
Trato então do quadro político que vislumbro para 2011. Os apoiadores de Serra sairão abatidos, desorientados. "Não ganhamos do Lula, nem da Dilma, tampouco teremos forças para enfrentar Lula em 2014." Os demais candidatos sairão mais animados. Se Dilma ganhar, foi Serra quem perdeu. Marina e eventualmente Ciro terão ganhado mais visibilidade nacional. Também poderão passar pela campanha sem chamar para si a antipatia dos lulistas. Navegará Dilma então por mares tranquilos em seus 4 anos de governo? Grandes alianças cobram grandes preços. Haverá sob sua asa muita insatisfação. Ela não terá a blindagem de Lula e brigar com Dilma não será o mesmo pecado político. A oposição dispersa procurará um pólo de aglutinação para 2014. Este pólo pode ser de ex-petistas como Heloísa Helena, Cristóvão Buarque e Marina. Pode sair do seio da aliança governista. Pode ainda surgir da aliança de nomes conhecidos como Ciro e Aécio. Dificilmente voltará para o PSDB paulista. Serra, se derrotado, terá perdido sua última cartada, até mesmo por sua idade. Os principais nomes ao seu redor estarão marcados pelo apoio à chapa tachada da má por boa parte do eleitorado. Alkimin, ainda que seja governador, terá dificuldades com seus adversários dentro e fora de seu partido.
Assim eu vejo o pós-Lulismo. Minhas previsões são tão exatas quanto as que emergem da mesa de tarô, de um grande mapa astral ou da borra de café no fundo da xícara. Asimov mesmo lembrou que para prever o futuro seria preciso estar cercado de todas premissas envolvidas (quase infinitas), além da capacidade de processá-las em velocidade maior que a ocorrências das mesmas. Um dia quem sabe eu chego lá...

domingo, 4 de abril de 2010

Pesquisa - Vox Populi

Em campo nos dias 30 e 31 de março a pesquisa traz:

Serra: 34%
Dilma: 31%
Ciro: 10%
Marina: 5%

Sem Ciro o resultado é: Serra 37, Dilma 33, Marina 7. MArgem de erro 2,2 pontos.
A pesquisa distoa da última Datafolha, principalmente ao retratar a manutenção da tendência de inversão de posição entre Serra e Dilma (em janeiro Serra tinha 34 e Dilma 27). Daqui até outubro será assim, pesquisa pra todo gosto. Na minha análise, a última pesquisa Datafolha é um ponto fora da curva. Fico com a lógica apresentada nas demais pesquisas até que fatos político justifiquem ou embasem números diferentes.

domingo, 28 de março de 2010

Datafolha - Março

A análise de pesquisas eleitorais tem se tornado ainda mais subjetiva ante a perda de credibilidade de boa parte dos institutos. Lembro que recentemente o diretor do Ibope afirmou que Dilma não teria chances, numa entrevista que transpareceu sua predileção por Serra. Já o grupo Folha vem adotando uma linha editorial no mínimo rigorosa na avaliação do governo Lula. Assim, os analistas apontam as incoerências para desqualificar números que não concordam, mas preservam de críticas os números favoráveis à sua interpretação do momento eleitoral. Feita a ressalva, sigo na trilha do caminho defeituoso que acabo de apontar.
A última pesquisa Datafolha expõe suas inconsistências. Aponta crescimento de Serra e queda de Dilma entre fevereiro e março. Uma inversão da tendência dos últimos meses difícil de compreender. Não há fato político de impacto a que se possa atribuir tal fenômeno. Mais intrigante ainda são os dados referentes ao Rio Grande do Sul. Lá Serra teria aumentado em 14% sua dianteira sobre Dilma apenas em um mês. Também lá não há causa aparente para tanto. Por outro lado, a mesma pesquisa aponta crescimento da avaliação positiva do governo, além do crescimento de Dilma e estagnação de Serra na pesquisa espontânea (quando o eleitor diz em quem vai votar sem ver uma lista prévia).
Apesar das críticas aos números da pesquisa, destaco mais uma vez os números da espontânea: Lula 8%, Dilma 12%, "candidato do Lula" 3%, "candidato do PT" 1%, Serra 8%, Ciro 1%, Marina 1%. Somando-se as quatro primeiras indicações, temos 24% pró governo contra 8% de Serra.
Vislumbro no horizonte uma nova "onda Lula" com consequências desastrosas para a oposição formada por PSDB, DEM e PPS. Trato disto mais tarde.

quarta-feira, 17 de março de 2010

IBOPE - Nuvens que Vejo


Análisar tendência em pesquisas é um exercício temerário. A dinâmica da política é tão grande que Tancredo Neves a comparava à efemeridade das formas em nuvens. Há ainda um histórico de erros, particularmente do Ibope, que a credibilidade das sondagens é questionada. Mesmo assim me arrisco a falar de dados tão precários.
Quem acompanha política de perto sabe que os números finais da pesquisa estimudala (como os acima apontados) não servem para análises profundas, especialmente tão antes do pleito. Animam as torcidas, mas dizem pouco. Segundo o Datafolha, em março de 1994 Lula tinha cerca de 30% contra 12% de FHC e perdeu a eleição. Em março de 2002, Lula tinha apenas 28% (menos do que Dilma hoje) e ganhou a eleição.
É comum dizer que o importante é acompanhar a evolução. As seguidas quedas de Serra e a ascensão constante de Dilma parece certificar vitória desta. A simplicidade dos números também nega a pressa desta observação. Entre março e maio de 1998 FHC dispencou quase 10 pontos enquanto Lula subiu mais de 5. Evidentemente a tendência foi revertida.
Agora quem já acompanhou os bastidores de uma campanha sabe o que os canditatos olham com atenção: rejeição e voto espontâneo.
A Rejeição de Serra e Dilma são quase iguais (25/27%). Com destaque para o fato de que a de Dilma caiu de 41%. É normal que menos conhecidos tenham grande rejeição. O eleitor menos informado pensa que é um nanico destes que sempre aparecem.
Na espontânea que estão os dados mais preocupantes para o PSDB. Lula aparece com 20% e Dilma com 14%. Serra apenas com 10%. Somando os PTistas temos 34%. É um base muito sólida à essa altura. Certamente é daí pra cima a votação de Dilma no primeiro turno. Mesmo ignorando a intenção de voto em Lula, Dilma tem 40% a mais de voto espontâneo que Serra. Isso considerando que 42% sequer sabem que ela é a candidata do Lula.
Aqui volto a campanha de 1998 para fugir da frieza dos números. Como disse, entre março e maio daquele ano Lula crescia e FHC despencava. Ocorre que naquela eleição Lula só conseguiu o apoio do PCdoB e do PDT. Ficou com pouco tempo de Tv e palanques estaduais frágeis. Hoje há uma megacoligação a favor de Dilma e Serra tente a ter apenas DEM e PPS. Inverter a tendencia nestas circunstância será um feito histórico.