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segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Dilma Presidente - A "decisiva" batalha de Minas

Hoje temos a primeira mulher presidente do Brasil. Quais as razões para mais este marco no rol do "nunca antes na história deste país"? Há explicações pautadas na economia, no carisma de Lula, nos erros da oposição, dentre outras. Chama atenção, mais uma vez, a distribuição geográfica dos votos. Serra venceu nos estados do sul, centro-oeste (exceto em Brasília) e em São Paulo. Dilma venceu no nordeste, no norte (com exceção de Roraima e Acre) e em Minas Gerais. Ou seja, a eleição foi novamente dividida entre eixos sudoeste e nordeste de forma clara. - http://eleicoes.uol.com.br/2010/raio-x/2/presidente/votacao-por-estado/
Esta divisão enseja as mais variadas análises. De um lado há a idéia de que o país se divide entre ricos e pobres, entre eleitores mais conscientes e os mais susceptíveis ao populismo. De outro existe o pensamento que o país se divide entre classe ascendente no norte e elite decadente no sul. Esta divisão era prevista. Dela decorreu a tese de que a eleição deveria ser decidida em Minas. Este pensamento demonstra o quanto o país ainda se vê sob a perspectiva da rica região sudeste. Esta visão ofusca a compreensão do processo vivido no Brasil, incluído o entendimento da eleição de Dilma.
Em seu discurso ao fim da apuração, Serra não mencionou o nome de Aécio (mencionou de outros líderes tucanos como Alkimin). Analistas viram neste silêncio a mensagem de que Serra atribui a Minas Gerais peso decisivo em sua derrota. Revelou compartilhar da incompreensão do país que debilitou a oposição nos últimos anos.
Escrevi aqui (http://livrepraque.blogspot.com/2010/05/favoritismo-alem-das-pesquisas.html) que, a despeito do desfecho em Minas, a vitória de Dilma poderia estar garantida por três grandes trunfos - Pernambuco, Bahia e Maranhão. Na Bahia Dilma venceu por 70,85% a 29,15%. Em Pernambuco por 75,65% a 24,35%. No Maranhão por 79,9% a 20,91%. Só nestes estados Dilma obteve uma vantagem de  6.820.910 votos. O quarto trunfo que não antevi foi o Ceará, onde a vitória petista foi de 77,35% a 22,65%, numa diferença de  2.325.841 votos. Assim, nestes quatro estados Dilma obteve uma margem de mais de 9 milhões e cem mil votos de uma vantagem total de 12 milhões de votos no país. Considerando que em Minas se teve cerca de 10,5 milhões de votos válidos, nem se Serra tivesse 100% disto estaria eleito.
O que ocorre é que as sucessivas candidaturas de Lula, seu governo e ampla aliança partidária tornaram a candidatura de Dilma efetivamente nacional. A massacrante vitória nos estados citados são apresentadas aqui apenas como demosntração de como o Brasil é muito muito maior que o sudeste. Atribuir a Minas ou a Aécio o fracasso da oposição é insistir numa visão míope. Qualquer pessoa que deseje se tornar presidente precisa primeiro construir pontes com todo este país de dimensões continentais. Isso vale para a acreana Marina, para o "ceaense" Ciro e certanente valerá também para o mineiro Aécio.  

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Nem Onda, Nem Marola Verde - ou - O Peso das Outras Vias

Antes da eleição escrevi sobre Ciro e Marina, dois personagens de destaque neste pós 1° turno (http://livrepraque.blogspot.com/2010/04/oposicao-verde-amarela.html). Ciro foi elevado à condição de coordenador político de Dilma. Marina é disputada como grande trunfo para o 2° turno.
Na análise feita em abril, eu destacava que Ciro e Marina poderiam quebrar a polarização PT/PSDB, enriquecendo o debate de forma benéfica para nossa democracia. Dizia que se pudessem disputar unidos as eleições, partiriam de um bom patamar nas pesquisas e razoável tempo de TV. Mesmo limitada no horário eleitoral gratuito e sem Ciro, a candidata verde obteve um excelente resultado.
A candidatura de Marina trouxe um simbolismo ainda não completamente compreendido no meio político. Por um lado, mostrou que o eleitor é mais plural que as duas opções que os gabinetes de Brasília (e São Paulo) tentaram impor ao país. Por outro lado, o cidadão se mostrou sensível ao discurso da ética, do crescimento sustentável, da política pautada em ideias. Porém, o saldo mais parente da surpreendente votação de Marina não está à altura dos méritos apontados.
A "onda verde" talvez seja a pior definição sobre os resultados da eleição. Pressupõe a ideia de um movimento brusco, impensado. Não se pode ter certeza de que os votos a Marina foram deste ou daquele "tipo de eleitor". A única certeza é sobre a distribuição geográfica dos votos. Nem mesmo as pesquisas, tão imprecisas para o caso, servem de parâmetro para traçar o perfil deste eleitorado. Ainda que seja verdade que a candidatura do PV foi impulsionada por conservadores e jovens urbanos, não há razão para considerar que decisão destes seja menos qualificada que a dos demais. 
A tese da "onda verde" mascara a compreensão do processo político vivido. A julgar pelas notícias e análise recentes, o legado da terceira força na eleição é um neo-ambientalismo um tanto hipócrita e uma religiosidade fora de lugar. Muito pouco, senão um equívoco.
As pesquisas de abril deste ano já apontavam a soma das intenções de voto em Marina e em Ciro em cerca de 19% (http://noticias.uol.com.br/fernandorodrigues/pesquisas/2010/1turno/presidente.jhtm). Este dado é relevante na desconstrução da ideia de que uma onda levou o país ao segundo turno. Talvez não seja atoa o chamamento feito a Ciro pela campanha de Dilma. Mesmo diante da polarização de 2006, o jovem e radical Psol obteve ao lado do Cristóvão Buarque (cuja base política, Brasília, representa 1,35% do eleitorado nacional) quase 10% dos votos. Há na sociedade mais espaço para opções fora do cardápio restrito oferecido por Lula e pelo PSDB paulista nesta eleição. Compreender as razões deste espaço é a chave para moldar a política nacional nos próximos anos. A outra opção é aceitar que para além das praias tucanas e PTistas só existem passageiras marolas.  

sábado, 28 de agosto de 2010

Ibope - Agosto (Bahia/Brasil)

Nacional:

Dilma: 51%
Serra: 27%
Marina: 7%

Estadual:

Wagner: 49%
Souto: 18%
Geddel: 12%
Bassuma: 1%

Senador:
César: 35%
Lídice: 32%
Pinheiro: 29%
José Ronaldo: 9%
Edvaldo Brito: 7%
Aleluia: 6% 
Edson Duarte: 2%

domingo, 1 de agosto de 2010

Pesquisas - Julho

Na eleição americana que levou Obama à Casa Branca as pesquisas eleitorais se destacaram pela imprecisão. Houve distorção para todo lado. A história recente das pesquisas no Brasil atesta que a metodologia dos institutos permite uma aferição com alto grau de confiabilidade. Só a título de exemplo, é possível verificar que as pesquisas de boca-de-urna dificilmente divergem muito do resultado das urnas. 
O que comprometeu a credibilidade das pesquisas no Brasil foi a suspeita de uso político. Muitos institutos, dentre eles o Ibope, erraram nos últimos anos quase sempre contra candidatos de esquerda. O Ibope é ligado a rede Globo e muitos donos de afiliadas desta são filiados ao DEM ou PMDB. Atualmente o Datafolha tem sido questionado por divergir dos demais institutos e por sua ligação com a Folha de São Paulo. O jornal é acusado de ter uma cobertura parcial da campanha. A suspeita é, no mínimo, natural. Especialistas, entretanto, afirmam que o índice de acerto no Brasil é muito bom. Muito melhor que o índice americano.
Nos EUA uma prática de cobertura jornalística pouco científica se revelou eficaz. Muitos veículos passaram a divulgar a média das principais pesquisas de opinião. Tanto em relação às prévias quanto à eleição presidencial, a média das pesquisas se aproximou muito do resultado das urnas. Aplicando a mesma lógica às pesquisas brasileiras temos a seguinte evolução nas intenções de voto:


O gráfico acima é praticamente ajustável à margem de erro de todos os institutos. Há maior discrepância é com o Datafolha, segundo o qual Dilma ainda não pontuou acima de Serra. 
O Vox Populi apresenta um panorama mais coerente com a média destacada. Segundo este instituto, Dilma passou Serra e vem aumentando a vantagem de forma mais lenta do que se aproximara do tucano.
De um modo geral, o Ibope vem confirmando o Vox Populi na trajetória dos principais candidatos. Este foi o instituto que divulgou a pesquisa mais recente, apresentando Dilma com 39%, Serra com 34% e Marina com 7%.      
Estas informações revelam o seguinte:
1. Marina está há muito estagnada. Com pouco tempo de TV e pouca estrutura vai ter dificuldade em criar embaraços aos outros principais candidatos.
2. Dilma passou Serra em meados de maio e segue à frente. O empate técnico só se sustenta apenas no Datafolha.
3. Se a tendência de afastamento de Dilma e Serra se mantiver, há grandes chances de a eleição ser definida no primeiro turno. Considerando a popularidade de Lula, as notícias sobre as dificuldades na campanha de Serra e o maior tempo de TV da petista, este não é um mal palpite.

quinta-feira, 3 de junho de 2010

A implosão de uma candidatura

Começam a sair dados de novas pesquisas. Encomendadas por partidos, elas, por enquanto, referem-se ao cenário em alguns estados. O Ibope aponta que em Minas Gerais Dilma já tem 42% contra 34% de Serra. O Sensus aponta 35,9% a 34,9% a favor da petista (6,9% para Marina). Nas contas do tucano seria preciso uma grande vitória em Minas para derrotar Dilma.
No Rio de Janeiro o Ibope aponta 46% para Dilma e 21% para Serra. Desta forma, a tese da vitória de Serra no Sul-sudeste para se opor a força de Lula no Norte-nordeste se esvazia.
Dizem que sentar na cadeira de governante antes da eleição dá azar. Uma alusão uma foto tirada por FHC na cadeira de prefeito de São Paulo na véspera da eleição de 1985. Jânio Quadros venceu aquela eleição e a foto de FHC, tirada para ilustrar sua esperada vitória, estampou as páginas dos jornais no dia seguinte à sua derrota, entrando para o folclore político. Entretanto, "assumir" a presidência antecipadamente não é mau negócio para Dilma.
À medida que Dilma vai consolidando seu favoritismo, sua capacidade de angariar apoios vai aumentando. O PMDB pendia para Serra no Rio Grande do Sul e no Paraná e Santa Catarina. Mesmo na Bahia chegou a flertar com o DEM e o PSDB. Ocorre que se opor agora a candidata começa a soar como se opor à presidente, ou seja, ficar de fora da divisão do bolo de cargos e verbas do governo nos próximos 4 anos. Uma ameaça mortal para os tão fisiológicos PMDBistas que hoje já pendem fortemente para a PTista.
O problema na composição da chapa de Serra é emblemático. Ninguém quer deixar de se eleger para qualquer cargo legislativo para ser derrotado na inexpressiva candidatura a vice. Com isso a campanha serrista vai se mostrando mais fraca e perdendo apoio, num ciclo amargo para o ex-governador de São Paulo. Certamente a saída para o impasse tucano será a escolha de alguém sem pretensões políticas, como algum empresário, ou um político com poucas chances na disputa ao senado ou câmara federal e que não deseje retroceder à candidatura de deputado estadual. O DEM baiano tem alguns nomes assim. Assim seguirá Serra, pagando o preço de ter assumido o papel de se opor ao fenômeno de popularidade Lula da Silva.

terça-feira, 25 de maio de 2010

Favoritismo além das pesquisas nacionais

O favoritismo de Dilma tem elementos claros exibidos nas pesquisas de opinião. A aprovação recorde de Lula, a liderança da ex-ministra nos últimos levantamentos, sua vantagem nas sondagens espontâneas, baixa rejeição e o fato que muitos ainda desconhecem que ela é a candidata do presidente pesam a seu favor. A PTista tem também a seu favor uma conjuntura de alianças estaduais que ainda não impactaram as sondagens nacionais.
Segundo as pesquisas atuais, candidatos governistas lideram na maioria dos estados, às vezes tendo outro governista em segundo lugar, como no Maranhão e Pará. Nos vinte e sete estados, há cerca de 40 governistas com chances de eleição contra aproximadamente 30 serristas.
Ainda pelas pesquisas atuais, o PSDB leva grande vantagem em São Paulo e no sul do país. Nestes levantamentos, Alkimin tem cerca de 51% contra 19% de Mercadante. Difícil crer que tamanha diferença seja mantida até a eleição. O bom tempo de TV e a eventual candidatura a vice de Suplicy podem melhorar o cenário paulista para Dilma. No Rio Grande do Sul, a Candidata do PSDB está em terceiro nas sondagens, atrás do PT e do PMDB que ainda pode vir a apoiar Dilma.
Em Minas, o candidato de Aécio tem apenas 17% contra 41% do dilmista Hélio Costa. É voz corrente que em Minas pode ser decidida a eleição. Não se deve apostar nisso. Apesar de o estado representar cerca de 10% do eleitorado, a conjuntura política é desfavorável à vitória na escala desejada por Serra. Com um disputa dura na eleição local, Aécio não poderá se dar ao luxo de bater de frente com o eleitor lulista. A eleição de Anastasia é crucial para o futuro político do ex-governador mineiro, mais até que a vitória dos tucanos no plano nacional. Aécio vai topar voto Dilmasia, Marinasia, Serrasia, Dilmécio...tudo menos sair como grande derrotado de 2010.
No Rio de Janeiro, Serra conta com meio palanque de Gabeira contra duas chapas pró-governo. A situação de dois palanques fortes para Dilma contra um para Serra não é exclusividade carioca e gaúcha. Deverá ocorrer no Maranhão, Pará, Rio Grande do Norte, Bahia, dentre outros.
A verdade é que Lula tem três grandes trunfos para eleger sua candidata: Maranhão, Pernambuco e Bahia. Juntos estes estados têm aproximadamente 15,5% do eleitorado nacional. No Maranhão, Lago do PDT tem 46% contra 32% de Rosena Sarney, somando 78% para os dois dilmistas. Em Pernambuco o PSBista Eduardo Campos tem 53%contra 25 do Serrista Jarbas. Campos é um dos maiores favoritos em 2010. Jarbas vai para o sacrifício, sem muita estrutura ou perspectiva. Lula é quase um Deus no estado. Pernambuco cresceu nos últimos anos quase a ritmo chinês.
Na Bahia Dilma terá o apoio de Geddel do PMDB (com 10%) e do governador Wagner do PT (com 41%). Serra terá apenas os herdeiros do carlismo com o DEM de Paulo Souto (com 32%). Souto deve perder espaço com a ascensão de Geddel. Muitos prefeitos eleitos pelo DEM ou seus aliados se filiaram ao PMDB de olho nas verbas administradas pelo então ministro PMDBista. Vale dizer também que ACM Neto não passou do terceiro lugar na eleição da capital baiana. Assim, se Dilma obtiver na média 66% dos votos nestes três estados, terá uma Minas Gerais inteira de frente sobre Serra.

sábado, 22 de maio de 2010

Datafolha Maio


Dilma 37%, Serra 37%, Marina 12%
Segundo turno: Dilma 46%, Serra 45%

Pesquisa de anterior (abril): Dilma 30%, Serra 42%, Marina 12%

Discrepância: É difícil comentar dados de pesquisas brigando com seus números. Os maiores institutos de pesquisa apontam um mesmo padrão, com Dilma crescendo rapidamente desde o fim do ano passado e Serra caindo gradativamente. O próprio Datafolha indicava esta tendência, indicando que entre dezembro e fevereiro, no cenário sem Ciro, a diferença entre Serra e Dilma caíra de 14 para 7 pontos. Ocorre que o instituto que fizera com mais de 65 dias de intervalo aquelas duas pesquisas, resolveu divulgar duas novas em cerca de 20 dias entre o fim de março e o início de abril. Nesta pesquisas, Serra teria invertido a tendência e alcançado a diferença de 12% sobre Dilma. Nenhum outro instituto confirmou esta tendência. Agora, o Datafolha apresenta o empate entre o tucano e a PTista. O Datafolha credita à propaganda do PT a façanha de, em um mês, inverter a suposta tendência anterior e fazer Dilma atingir um patamar inédito. O Instituto sai extremamente desgastado ante o público mais atento, arranhando a imagem da própria Folha de São Paulo que apoiou a discrepância de sua pesquisa com ataques a aferições concorrentes.

Análise: O saldo das pesquisas de maio é de empate técnico entre os candidatos com firme tendência de subida de Dilma e queda de Serra. Marina pode comemorar um patamar respeitável em face do seu desconhecimento pelo eleitor e pouca estrutura de campanha. Na média, a verde ostenta cerca de 10%. As sondagens espontâneas são largamente favoráveis à candidata governista e isso começa a se traduzir no aumento da rejeição de Serra. Para este, pior que os números é a constatação de que seu discurso não está funcionando, afinal, pesquisa não faz previsão, faz diagnóstico.

sábado, 17 de abril de 2010

Datafolha - Abril 2

Sem Ciro: Serra 42%, Dilma 30%, Marina 12%, Zé Maria (PSTU) 1%

Segundo Turno: Serra 50%, Dilma 40%

Espontânea: Dilma 13%, Serra 12%, Lula, 7%, candidato de Lula 3%

Rejeição: Ciro 27%, Serra 24%, Dilma 24%, Marina 10%*


Outros números: 14% indicam que com certeza votarão no candidato de Lula, mas não sabem quem é Dilma; 54% não escolheu ainda seu candidato; 73% é a aprovação do governo de Lula. 2% é a margem de erro.
* Qual será o papel de Marina na eleição? Sem Ciro na disputa ela pode amealhar cerca de até 20% apenas surfando na rejeição dos dois principais candidatos. E quem ela apoiaria no segundo turno? Ciro pode estar mais certo do que julgam os petistas quando diz que sua candidatura é estratégica.

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Oposição Verde Amarela

Já tratei da polarização eleitoral entre PT e PSDB sob a ótica de azuis contra vermelhos citada por Serra. Amplio a metáfora para falar da verde Marina e do Ciro, aqui tachado de amarelo por conveniência da mensagem que apresento.
A última pesquisa Sensus me chamou atenção para o crescimento de Marina. Embora ela não tenha ainda empolgado, parece viável que a candidata supere a marca de um dígito no decorrer da campanha. Já Ciro, isolado até em seu partido, tem caído sistematicamente. Há notícias dando conta de que ele deve desistir da candidatura já na próxima semana. Será uma pena pois as candidaturas do PV e PSB, juntas ou separadas, poderiam representar uma oposição verde-amarela.
Verde-amarela é uma composição que remete ao patriotismo. Marina tem uma biografia quase impecável. Ciro tem externado com coragem fragilidades da aliança governista que o PSDB não tem autoridade moral para criticar. Ambos os candidatos desempenharão (ou desempenhariam) um papel benéfico à política nacional.
Ciro e Marina são complementares. Marina tem optado por um discurso construtivo, apontando méritos dos governos ptista e tucano. Ciro é franco-atirador, crítico no limite do agressivo. A verde dá ênfase à preservação e o amarelo invoca o crescimento. A candidata tem a simpatia de muitos, mas lhe falta a vibração do cearense. Ela abriu mão de uma aliança mais à esquerda com o Psol em prol da aliança de Gabeira com o PSDB e o DEM. Ele pode até deixar de ser candidato para seu irmão ter o apoio do PT e é inimigo pessoal de Serra.
Marina tirou alguns trunfos de Dilma. É mais uma mulher no páreo, "roubou" o apoio de algumas legendas da base governista e, ainda que timidamente, expõe discordâncias do projeto Lula. Já a candidatura de Ciro desarrumaria o ninho tucano. Aécio tem afinidades explícitas com o PSBista, além de o tucano Tasso já tê-lo apoiado em detrimento do então candidato Alkimin.
Se a política brasileira não fosse tão engessada pelas alianças estaduais, uma chapa verde-amarela seria uma opção muito interessante ao eleitorado. Juntos, Ciro e Marina já teriam cerca de 20% nas pesquisas e um tempo razoável na TV. Já pensou como seria a disputa?

terça-feira, 13 de abril de 2010

Pesquisa - Sensus

Serra - 32,7 %
Dilma - 32,3 %
Ciro - 10,1 %
Marina - 8,1 %

Mais uma pesquisa indicando a tendência de Dilma ultrapassar Serra antes da campanha de TV. Mais uma pesquisa que mostra que o Datafolha fez bobagem ao indicar que Serra apliara a vantagem sobre a PTista.
Por hora, os votos de Ciro continuam migrando majoritariamente pra Serra. Sem Ciro, ele pontua com 36,8% conta 34,0% de Dilma, restando 10,6% para Marina. Na simulação para segundo turno o placar é de 41,7 a 39,7 a favor do tucano. Os resultados de primeiro e segundo turno podem ser considerados empate técnico entre os líderes, tendo em vista a margem de erro de 2,2%.

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Eu vi o futuro...

Qual cenário político emergirá das próximas eleições? Segundo o livro Fundação de Isaac Asimov, famoso escritor de ficção científica que inspirou o filme Eu Robô, analisando as premissas necessárias é possível prever o futuro. Faço agora o pretensioso exercício de expor minhas previsões.
Parto de algumas premissas. 1- Segundo as recentes pesquisas, Lula tem alcançado mais de 83% de aprovação popular. Sua aprovação é altíssima em todas as classes de renda. Ou seja, ele é quase uma unanimidade. 2- Partidos e candidatos conservadores perderam gradativamente espaço. Maluf por pouco não foi presidente em 86 e hoje é coadjuvante nacionalmente. ACM já tinha amargado graves derrotas quando veio a falecer. Aliás, O DEM que só tinha o comando de Brasília ficou ainda menor após a prisão de Arruda. Sarney (com sua filha) perdeu nas urnas o comando do Maranhão (recuperou apenas na justiça) e ano passado sofreu um massacre de denúncias que reduziu seu peso político. 3 - A escolha de Serra para candidato do PSDB levou ao estreitamento de sua aliança a praticamente PPS e DEM. Serra também é uma figura muito ligada a FHC, um dos políticos mais rejeitados pelo eleitor.
Traçadas as premissas, enumero consequências imediatas. a) A eleição para presidente pode se tornar no imaginário brasileiro um embate entre bons e maus. Os bons são capitaneados por Lula. Quanto mais anti-Lula, mais inimigo do Brasil. b) Serra e seus aliados levarão a pecha do que deve ser expurgado na política. Por que? "Porque Serra manda bater em manifestantes". "Porque persegue jornalistas". "Porque é amigo da Globo". "Amigo do Arruda, do FHC". Esqueçam dizer que Lula também tem aliados ruins, que tem defeitos. Aos olhos do brasileiro, Lula fez o possível. Para Lula tudo é justificável. Se baterem no Lula será pior. c) Apoiar Serra vai ser um peso. No norte e nordeste será como uma traição. Provavelmente apenas em São Paulo isso não ocorra. Talvez em Minas, Rio de Janeiro e no Sul o fenômeno seja atenuado. Na minha Bahia, será ruim para Paulo Souto. Será ruim para os aliados de Paulo Souto.
Trato então do quadro político que vislumbro para 2011. Os apoiadores de Serra sairão abatidos, desorientados. "Não ganhamos do Lula, nem da Dilma, tampouco teremos forças para enfrentar Lula em 2014." Os demais candidatos sairão mais animados. Se Dilma ganhar, foi Serra quem perdeu. Marina e eventualmente Ciro terão ganhado mais visibilidade nacional. Também poderão passar pela campanha sem chamar para si a antipatia dos lulistas. Navegará Dilma então por mares tranquilos em seus 4 anos de governo? Grandes alianças cobram grandes preços. Haverá sob sua asa muita insatisfação. Ela não terá a blindagem de Lula e brigar com Dilma não será o mesmo pecado político. A oposição dispersa procurará um pólo de aglutinação para 2014. Este pólo pode ser de ex-petistas como Heloísa Helena, Cristóvão Buarque e Marina. Pode sair do seio da aliança governista. Pode ainda surgir da aliança de nomes conhecidos como Ciro e Aécio. Dificilmente voltará para o PSDB paulista. Serra, se derrotado, terá perdido sua última cartada, até mesmo por sua idade. Os principais nomes ao seu redor estarão marcados pelo apoio à chapa tachada da má por boa parte do eleitorado. Alkimin, ainda que seja governador, terá dificuldades com seus adversários dentro e fora de seu partido.
Assim eu vejo o pós-Lulismo. Minhas previsões são tão exatas quanto as que emergem da mesa de tarô, de um grande mapa astral ou da borra de café no fundo da xícara. Asimov mesmo lembrou que para prever o futuro seria preciso estar cercado de todas premissas envolvidas (quase infinitas), além da capacidade de processá-las em velocidade maior que a ocorrências das mesmas. Um dia quem sabe eu chego lá...

domingo, 4 de abril de 2010

Pesquisa - Vox Populi

Em campo nos dias 30 e 31 de março a pesquisa traz:

Serra: 34%
Dilma: 31%
Ciro: 10%
Marina: 5%

Sem Ciro o resultado é: Serra 37, Dilma 33, Marina 7. MArgem de erro 2,2 pontos.
A pesquisa distoa da última Datafolha, principalmente ao retratar a manutenção da tendência de inversão de posição entre Serra e Dilma (em janeiro Serra tinha 34 e Dilma 27). Daqui até outubro será assim, pesquisa pra todo gosto. Na minha análise, a última pesquisa Datafolha é um ponto fora da curva. Fico com a lógica apresentada nas demais pesquisas até que fatos político justifiquem ou embasem números diferentes.

domingo, 28 de março de 2010

Datafolha - Março

A análise de pesquisas eleitorais tem se tornado ainda mais subjetiva ante a perda de credibilidade de boa parte dos institutos. Lembro que recentemente o diretor do Ibope afirmou que Dilma não teria chances, numa entrevista que transpareceu sua predileção por Serra. Já o grupo Folha vem adotando uma linha editorial no mínimo rigorosa na avaliação do governo Lula. Assim, os analistas apontam as incoerências para desqualificar números que não concordam, mas preservam de críticas os números favoráveis à sua interpretação do momento eleitoral. Feita a ressalva, sigo na trilha do caminho defeituoso que acabo de apontar.
A última pesquisa Datafolha expõe suas inconsistências. Aponta crescimento de Serra e queda de Dilma entre fevereiro e março. Uma inversão da tendência dos últimos meses difícil de compreender. Não há fato político de impacto a que se possa atribuir tal fenômeno. Mais intrigante ainda são os dados referentes ao Rio Grande do Sul. Lá Serra teria aumentado em 14% sua dianteira sobre Dilma apenas em um mês. Também lá não há causa aparente para tanto. Por outro lado, a mesma pesquisa aponta crescimento da avaliação positiva do governo, além do crescimento de Dilma e estagnação de Serra na pesquisa espontânea (quando o eleitor diz em quem vai votar sem ver uma lista prévia).
Apesar das críticas aos números da pesquisa, destaco mais uma vez os números da espontânea: Lula 8%, Dilma 12%, "candidato do Lula" 3%, "candidato do PT" 1%, Serra 8%, Ciro 1%, Marina 1%. Somando-se as quatro primeiras indicações, temos 24% pró governo contra 8% de Serra.
Vislumbro no horizonte uma nova "onda Lula" com consequências desastrosas para a oposição formada por PSDB, DEM e PPS. Trato disto mais tarde.

sábado, 27 de março de 2010

Datafolha - números e fatos

Nova pequisa Datafolha: Serra 36%, Dilma 27%, Ciro 11%, Marina 8%.
A última pesquisa do instituto foi divulgada a conta-gotas pela Band. A justificativa é que os dados coletados estavam sendo totalizados. Esta nova pesquisa foi realizada entre 25 e 26 de março, e às 3:30 do dia 27 (sábado) já estava divulgada em alguns sites e blogs. Coincidência ou não, na anterior Dilma havia crescido bastante. Nesta Serra que apresenta crescimento.

quarta-feira, 17 de março de 2010

IBOPE - Nuvens que Vejo


Análisar tendência em pesquisas é um exercício temerário. A dinâmica da política é tão grande que Tancredo Neves a comparava à efemeridade das formas em nuvens. Há ainda um histórico de erros, particularmente do Ibope, que a credibilidade das sondagens é questionada. Mesmo assim me arrisco a falar de dados tão precários.
Quem acompanha política de perto sabe que os números finais da pesquisa estimudala (como os acima apontados) não servem para análises profundas, especialmente tão antes do pleito. Animam as torcidas, mas dizem pouco. Segundo o Datafolha, em março de 1994 Lula tinha cerca de 30% contra 12% de FHC e perdeu a eleição. Em março de 2002, Lula tinha apenas 28% (menos do que Dilma hoje) e ganhou a eleição.
É comum dizer que o importante é acompanhar a evolução. As seguidas quedas de Serra e a ascensão constante de Dilma parece certificar vitória desta. A simplicidade dos números também nega a pressa desta observação. Entre março e maio de 1998 FHC dispencou quase 10 pontos enquanto Lula subiu mais de 5. Evidentemente a tendência foi revertida.
Agora quem já acompanhou os bastidores de uma campanha sabe o que os canditatos olham com atenção: rejeição e voto espontâneo.
A Rejeição de Serra e Dilma são quase iguais (25/27%). Com destaque para o fato de que a de Dilma caiu de 41%. É normal que menos conhecidos tenham grande rejeição. O eleitor menos informado pensa que é um nanico destes que sempre aparecem.
Na espontânea que estão os dados mais preocupantes para o PSDB. Lula aparece com 20% e Dilma com 14%. Serra apenas com 10%. Somando os PTistas temos 34%. É um base muito sólida à essa altura. Certamente é daí pra cima a votação de Dilma no primeiro turno. Mesmo ignorando a intenção de voto em Lula, Dilma tem 40% a mais de voto espontâneo que Serra. Isso considerando que 42% sequer sabem que ela é a candidata do Lula.
Aqui volto a campanha de 1998 para fugir da frieza dos números. Como disse, entre março e maio daquele ano Lula crescia e FHC despencava. Ocorre que naquela eleição Lula só conseguiu o apoio do PCdoB e do PDT. Ficou com pouco tempo de Tv e palanques estaduais frágeis. Hoje há uma megacoligação a favor de Dilma e Serra tente a ter apenas DEM e PPS. Inverter a tendencia nestas circunstância será um feito histórico.