segunda-feira, 31 de maio de 2010

Forças israelenses atacam frota naval de ajuda humanitária em Gaza

O resgate dos morros cariocas

Santander inaugura agência no complexo do Alemão.
Sex, 208 de Maio 2010 21:00. O Santander inaugurou hoje a primeira agência bancária do Complexo do Alemão, comunidade com cerca de 150 mil pessoas, localizada na Zona Norte do Rio de Janeiro. A iniciativa é reflexo do compromisso do banco com a sustentabilidade - que contempla maior acesso à bancarização - e da parceria do Grupo Cultural AfroReggae, organização não-governamental que oferece atividades socioculturais para jovens moradores de áreas carentes. (Fonte: www.investimentosenoticias.com.br)
No Brasil a desigualdade social fere a liberdade de todos. O pobre é privado de passear entre as belas casas dos condomínios fechados, de ver as vitrines e a decoração dos shoppings mais luxuosos. O rico não pode jogar bola na quadra da periferia, não pode a tomar uma cerveja num boteco dentro de uma comunidade. Sempre haverá diferenças entre os que tem mais e menos dinheiro, mas no país isso já afeta a liberdade de ir e vir.
Durante muito tempo houve uma discussão se o problema das favelas deveria ser tratado com repressão policial ou com assistência social. A retórica de que as duas iniciativas deveriam ser simultâneas permeava os discursos políticos, mas jamais se obtivera resultados concretos no Brasil. O momento do Rio de Janeiro é uma esperança para os que acreditavam que o abismo entre pobres e ricos no país aumentaria. As UPPs (Uninades de Polícia Pacificadora) inspiradas em modelos bem sucedidos na Colômbia, junto ao o crescimento econômico e da renda dos mais pobres mudam a perspectiva das grandes cidades. Há no horizonte a possibilidade de redução da divisão entre morro e asfalto, favela e condomínio.

sexta-feira, 28 de maio de 2010

Os Donos da Bahia do Séc. XX - Caribé



Nascido na Argentina em 1911, Hector Bernabó recebeu a alcunha de Caribé quando foi escoteiro no Rio de Janeiro. Apesar destas referências, a obra de Caribé o torna tão baiano quanto outros grandes mestres da arte desta terra. Afinal, não há prova maior de sua baianidade do que as curvas das mulatas que pintava e o fato de ter se tornado um obá de Xangô.
Caribé foi um dos que registraram e se integraram a cultura da Bahia no século passado, ajudando a criar a identidade cultural deste estado. Sua arte ilustrou livros de Jorge Amado e por vezes mimetizou fotos de Pierre Verger. Uma integração cultural tão rica que é impossível medir sua importância para o estado e o país.
Caribé selou seu vínculo com a Bahia falecendo em razão de uma parada cardíaca durante uma sessão em um terreiro de candomblé. Certamente foi acolhido com glória pelos Orixás.

terça-feira, 25 de maio de 2010

Favoritismo além das pesquisas nacionais

O favoritismo de Dilma tem elementos claros exibidos nas pesquisas de opinião. A aprovação recorde de Lula, a liderança da ex-ministra nos últimos levantamentos, sua vantagem nas sondagens espontâneas, baixa rejeição e o fato que muitos ainda desconhecem que ela é a candidata do presidente pesam a seu favor. A PTista tem também a seu favor uma conjuntura de alianças estaduais que ainda não impactaram as sondagens nacionais.
Segundo as pesquisas atuais, candidatos governistas lideram na maioria dos estados, às vezes tendo outro governista em segundo lugar, como no Maranhão e Pará. Nos vinte e sete estados, há cerca de 40 governistas com chances de eleição contra aproximadamente 30 serristas.
Ainda pelas pesquisas atuais, o PSDB leva grande vantagem em São Paulo e no sul do país. Nestes levantamentos, Alkimin tem cerca de 51% contra 19% de Mercadante. Difícil crer que tamanha diferença seja mantida até a eleição. O bom tempo de TV e a eventual candidatura a vice de Suplicy podem melhorar o cenário paulista para Dilma. No Rio Grande do Sul, a Candidata do PSDB está em terceiro nas sondagens, atrás do PT e do PMDB que ainda pode vir a apoiar Dilma.
Em Minas, o candidato de Aécio tem apenas 17% contra 41% do dilmista Hélio Costa. É voz corrente que em Minas pode ser decidida a eleição. Não se deve apostar nisso. Apesar de o estado representar cerca de 10% do eleitorado, a conjuntura política é desfavorável à vitória na escala desejada por Serra. Com um disputa dura na eleição local, Aécio não poderá se dar ao luxo de bater de frente com o eleitor lulista. A eleição de Anastasia é crucial para o futuro político do ex-governador mineiro, mais até que a vitória dos tucanos no plano nacional. Aécio vai topar voto Dilmasia, Marinasia, Serrasia, Dilmécio...tudo menos sair como grande derrotado de 2010.
No Rio de Janeiro, Serra conta com meio palanque de Gabeira contra duas chapas pró-governo. A situação de dois palanques fortes para Dilma contra um para Serra não é exclusividade carioca e gaúcha. Deverá ocorrer no Maranhão, Pará, Rio Grande do Norte, Bahia, dentre outros.
A verdade é que Lula tem três grandes trunfos para eleger sua candidata: Maranhão, Pernambuco e Bahia. Juntos estes estados têm aproximadamente 15,5% do eleitorado nacional. No Maranhão, Lago do PDT tem 46% contra 32% de Rosena Sarney, somando 78% para os dois dilmistas. Em Pernambuco o PSBista Eduardo Campos tem 53%contra 25 do Serrista Jarbas. Campos é um dos maiores favoritos em 2010. Jarbas vai para o sacrifício, sem muita estrutura ou perspectiva. Lula é quase um Deus no estado. Pernambuco cresceu nos últimos anos quase a ritmo chinês.
Na Bahia Dilma terá o apoio de Geddel do PMDB (com 10%) e do governador Wagner do PT (com 41%). Serra terá apenas os herdeiros do carlismo com o DEM de Paulo Souto (com 32%). Souto deve perder espaço com a ascensão de Geddel. Muitos prefeitos eleitos pelo DEM ou seus aliados se filiaram ao PMDB de olho nas verbas administradas pelo então ministro PMDBista. Vale dizer também que ACM Neto não passou do terceiro lugar na eleição da capital baiana. Assim, se Dilma obtiver na média 66% dos votos nestes três estados, terá uma Minas Gerais inteira de frente sobre Serra.

Damário DaCruz - 2


Damário DaCruz

"Gran finale
Avise aos amigos
que preparo o último verso
A vida
dura menos que um poema
e no alvorecer mais próximo
saio de cena."
Damário DaCruz
No último dia 21 faleceu Damário. Seu "Gran finale" dá a dimensão do poeta que foi. O também fotógrafo de Cachoeira lutava pelo resgate e valorização da cultura de sua terra. Localizada no recôncavo baiano, Cachoeira foi o maior palco da luta de fato pela independência do Brasil. Sendo um dos berços do samba, é uma das mais fortes raízes da cultura do país. Talvez tenha sido ali, nas cidades do reconcâvo, onde as influências indígenas, européias e negras fizeram surgir uma cultura brasileira.

sábado, 22 de maio de 2010

As novas pesquisas e o PSDB - 2

O atual cenário eleitoral é muito ruim para Serra. Seu favoritismo vai virando pó enquanto as perspectivas de crescimento de Dilma são enormes. Mas a essa altura o PSDB não tem um plano B. É ganhar ou perder com Serra. Trocar de candidato seria um desastre, equivaleria a assumir a derrota. Além do mais, quem aceitaria o desonroso convite de disputar para perder? Aécio já disse que não aceitaria. Dificilmente aceitará também a vaga de vice na chapa. Esta possibilidade hoje faria do mineiro um herói no PSDB, mas seu êxito eleitoral seria incerto e pouco teria a acrescentar ao próprio Aécio. Candidatos encurralados por números desfavoráveis têm poucas opções. Ou se muda a estratégia ou altera-se o foco.
Para não perder apoios menos convictos, Serra terá que ir para o tudo ou nada. O presidenciável tucano deve se tornar mais agressivo e contundente nas críticas ao governo e ao PT. Vai se despir do jeito paz e amor. Para ele é preferível correr o risco de sair da disputa odiado do que ir mornamente sendo derrotado. Se fosse mais novo, Serra poderia se contentar em sair mais conhecido e sem rejeição. Não é este o caso.
Já oposição como um todo faz outras contas. Em uma eventual derrota de Serra, sua escolha como candidato se revelará um erro desastroso do tucanato. Os adversários da presidente Dilma ficarão sem um pólo de aglutinação claro. As alternativas do PSDB serão mais frágeis. Alkimin é marcado pela derrota em 2006 e não é unanimidade nem no tucanato paulista. Por melhor que se saia a oposição em 2010, dificilmente contará com o que Serra e Aécio representaram nestes últimos quatro anos. Foram governadores muito bem avaliados nos dois estados mais populosos do país.
O PSDB não terá candidato próprio no Rio de Janeiro, Bahia, Ceará e Pernambuco. Não é favorito no Rio Grande do Sul e ainda está mal colocado em Minas. Assim, a vitória de outro partido de oposição em um grande estado pode lhe roubar o protagonismo entre os adversários do governo.
O resultado da conta apresentada é que os tucanos deverão mudar de estratégia e de foco. Se a derrota for provável, será necessário marcar posição com mais agressividade. O PSDB deve deixar claro que continuará sendo o porto dos que estarão contra o governo do PT. Por outro lado, o partido deve passar a mirar com mais ênfase nas disputas regionais, inclusive na distribuição de verbas para campanha. Eleger a maior bancada legislativa da oposição e apostar nas candidaturas mais viáveis a governador deve ser a nova meta PSDBista em 2010. Se Serra conseguir reverter este cenário a ponto de ser eleito, talvez mereça mesmo ser o presidente.

Datafolha Maio


Dilma 37%, Serra 37%, Marina 12%
Segundo turno: Dilma 46%, Serra 45%

Pesquisa de anterior (abril): Dilma 30%, Serra 42%, Marina 12%

Discrepância: É difícil comentar dados de pesquisas brigando com seus números. Os maiores institutos de pesquisa apontam um mesmo padrão, com Dilma crescendo rapidamente desde o fim do ano passado e Serra caindo gradativamente. O próprio Datafolha indicava esta tendência, indicando que entre dezembro e fevereiro, no cenário sem Ciro, a diferença entre Serra e Dilma caíra de 14 para 7 pontos. Ocorre que o instituto que fizera com mais de 65 dias de intervalo aquelas duas pesquisas, resolveu divulgar duas novas em cerca de 20 dias entre o fim de março e o início de abril. Nesta pesquisas, Serra teria invertido a tendência e alcançado a diferença de 12% sobre Dilma. Nenhum outro instituto confirmou esta tendência. Agora, o Datafolha apresenta o empate entre o tucano e a PTista. O Datafolha credita à propaganda do PT a façanha de, em um mês, inverter a suposta tendência anterior e fazer Dilma atingir um patamar inédito. O Instituto sai extremamente desgastado ante o público mais atento, arranhando a imagem da própria Folha de São Paulo que apoiou a discrepância de sua pesquisa com ataques a aferições concorrentes.

Análise: O saldo das pesquisas de maio é de empate técnico entre os candidatos com firme tendência de subida de Dilma e queda de Serra. Marina pode comemorar um patamar respeitável em face do seu desconhecimento pelo eleitor e pouca estrutura de campanha. Na média, a verde ostenta cerca de 10%. As sondagens espontâneas são largamente favoráveis à candidata governista e isso começa a se traduzir no aumento da rejeição de Serra. Para este, pior que os números é a constatação de que seu discurso não está funcionando, afinal, pesquisa não faz previsão, faz diagnóstico.

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Top 100 - Refazenda


Gilberto Gil tem mais de 50 discos gravados. É e sempre será lembrado como um dos maiores artistas da música brasileira. Se não indico agora o melhor de seus discos, aponto um que com certeza levaria à prateleira do meu Top 100: Refazenda. É impressionante a força da canção Lamento Sertanejo ao traduzir o jeito cismado dos que migram do interior para as grandes cidades. O disco é todo muito bom e a referência a Gil já é tardia na minha humilde lista.

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Vox Populi - Bahia

Wagner: 41%
Paulo Souto: 32%
Geddel: 8%

As novas pesquisas e o PSDB

As primeiras pesquisas divulgadas em maio (Vox e Sensus) são recheadas de más notícias para o PSDB. Além de mostrar que Dilma assumiu a liderança, existem uma série de dados ruins para os tucanos. Dilma continua crescendo, já superando 35%. Serra oscila pouco, mas confirma certa tendência de queda quando olhamos o fim do ano passado. Os votos espontâneos consolidam o favoritismo governista, já que Dilma e Lula pontuam com cerda de 30% contra 15% de Serra. A Rejeição de Serra supera a de Dilma (28,4% X 29,5% na Sensus e 15% X 20% na Vox Populi). E esses são apenas os dados mais aparentes.
A pesquisa da Vox indica que Serra é conhecido por 76% dos eleitores e Dilma por apenas 56%. (Marina por apenas 33%). 4% ainda acham que Serra é o candidato de Lula e 1% pensam que é Marina. 33% dizem que só votarão no candidato de Lula e 30% dizem que podem votar no indicado pelo presidente.
A Sensus aponta que 55,4% disseram que não votariam "de jeito nenhum" no candidato de FHC, enquanto 60,8% dizem que votam com certeza ou poderiam votar no candidato de Lula. A aprovação de Lula é de 83,7%. FHC tinha 29,5% de aprovação em maio de 2002, ano em que seu candidato (o mesmo Serra) teve 23,2% de votos no primeiro turno e quase 39% no segundo. Logo, é gritante a margem para crescimento de Dilma neste cenário.
O que fará o PSDB diante destes números? De imediato tentará desqualificá-los e se apoiar em outras pesquisas. Ocorre que os números podem ser diferentes, porém o Ibope tem confirmado a tendência de Dilma assumir a liderança da corrida presidencial. O Datafolha não poderá sozinho contrapor as demais pesquisas, além de também ratificar que há mais espaço para crescimento da PTista. Brigar com os números pode ser uma necessidade retórica, mas não muda o panorama.
Serra, muito cedo e antes mesmo do início da campanha oficial, está ficando num beco sem saída. Mais uma vez precisa de um novo fato político para permanecer viável aos olhos de seus aliados. Na última vez, conseguiu fôlego com seu lançamento turbinado por pesquisas questionadas e um Aécio vibrante. Ensaiou um fortalecimento de suas alianças que não vingaram na prática. Àécio como vice volta a despontar como tábua de salvação dos tucanos. A essa altura as próprias pesquisas põem em xeque essa possibilidade. Dilma cresceu em Minas Gerais possivelmente em face do ressentimento ao tratamento dado ao neto de Tancredo pelo PSDB. Assumir a candidatura a vice pode ser inútil ou mesmo nocivo para o próprio Aécio. O ninho tucano deve estar fervilhando de análises e questionamentos.

Pesquisa Sensus - Maio


Estimulada;

Dilma: 35,7%
Serra: 33,2%
Marina: 7,3%

Espontânea: Dilma: 19,8%; Serra 14,4%; Lula 9,7%; Marina 2,7%
Margem de erro de 2,2 p.p.

Um Nome na História


Dizem que um homem pode ser medido pelo tamanho de seus sonhos. O retirante Lula sonhou em ter um emprego decente, um sindicato forte, um partido grande e, por fim, sonhou em ser presidente. Alcançou seus sonhos e continuou a olhar pro alto. Acabar com a fome no Brasil e no mundo, promover o equilíbrio e paz mundial. Dizem também que o importante na vida não é onde se quer chegar, mas o caminho que se trilha. Lula continua trilhando o caminho de seus nobres anseios. A despeito dos dizeres piegas e lugares comuns, o fato é que Lula neste momento enche seu povo de orgulho. Este brasileiro escreve seu nome na história do país e do mundo.
O Acordo alcançado no Irã tem a marca do otimismo e persistência de Lula. Às potências ainda cabe ratificar o entendimento, mas Brasil já rompeu o ciclo de omissão que existiu na guerra do Iraque. O presidente teima em crer no improvável e conquistar o impensado. Exemplo para sua nação. Prova do que preconizou Darci Ribeiro ao dizer que a "raça mestiça" deste país tem muito a ensinar ao planeta.

domingo, 16 de maio de 2010

Vox Populi - Maio


Espontânea: Dilma 19% (16%); Serra 15% (12%); Lula 10% (16%)

Estimulada por região:

Sudeste: Dilma 35% (27%); Serra 34% (43%)
Nordeste: Dilma 44% (44%); Serra 29% (30%)
Norte: Dilma 41% (33%); Serra 32% (39%)
Centro-Oeste: Dilma 33% (34%); Serra 44% (31%)
Sul: Dilma 30% (34%); Serra 44% (38%)

Rejeição: Dilma 15% (15%); Serra 20% (18%); Marina 21% (17%)

( ) números da pesquisa de abril.

sábado, 15 de maio de 2010

Pesquisa - Vox Populi maio/2010

Estimulada:

Dilma 38%
Serra 35%
Marina 8%

Segundo turno: Dilma 40%, Serra 38%
(Margem de erro 2,2 p.p.)

Pesquisa anterior (03/04/2010):

Serra 38%
Dilma 33%
Marina 7%

Segundo turno (jan 2010): Serra 46%, Dilma 35%

Política Econômica e Matemática Política

A partir dos anos FHC, sob o "consenso" neoliberal, a economia ganhou papel ainda mais destacado na política. O debate entre a oposição e o governo passou a ser fundamentalmente de calibragem das medidas econômicas. Dos botecos ao Congresso Nacional, discute-se dólar, juros, valor do salário, gastos do governo, etc... A política virou meio. A governabilidade se tornou ferramenta de implementação das políticas públicas. O resultado na economia justifica, em tese, alianças ortodoxas. A ideia de que a economia condiciona a política colocará sempre à oposição uma única aposta, a de que as coisas não funcionem.
A bússola econômica na matemática política atingiu negativamente o PSDB no papel de adversário do governo. Num primeiro momento apostou-se que as divergências do PT e o mercado seriam insanáveis. Com a continuidade dos eixos de política econômica por Lula, os tucanos se viram compelidos a alternar entre críticas às doses e elogios às fórmulas dos remédios aplicados.
Com o crescimento econômico e da popularidade de Lula, sobretudo no segundo mandato, a oposição resolveu esperar. Uma hora uma crise viria e então chegaria o momento de pregar a alternância.
Confusos e intimidados com a popularidade do presidente, em 2008, mesmos os candidatos de partidos de oposição evitaram trombar com o lulismo, chegando a querer pegar carona em sua popularidade. A "marolinha" desfez os planos de propor mudança. O site do atual presidente do PSDB, Sérgio Guerra, em que ele aparece vinculado às obras do PAC é um exemplo da dificuldade do discurso na oposição.
Recentemente Serra declarou, sem ironia, que Lula está acima do bem e do mal, merecendo a popularidade que tem. Em seus cálculos, não é vantajoso criticar o popular governante. A lógica é de que se a economia vai bem o presidente torna-se bem avaliado e, portanto, não deve ser confrontado.
Qual alternativa restaria à oposição? Brigar com os números? Profetizar crises? Não. A responsável pelo não fechamento das contas da oposição é a própria lógica matemática. As cabeças tecnocratas se afastaram da atividade política mais genuína. Prioriza-se a eleição de maior número de prefeitos ou deputados em detrimento da construção de um projeto de nação. Os candidatos preferem repetir o pensamento majoritário indicado em pesquisas do que entender o país e propor caminhos. Quanto antes se perceber que a política é atividade humana, mais cedo emergirão líderes autênticos. Assim, será possível legitimar-se ante a população, inclusive, quando os números da economia não sejam favoráveis.

quarta-feira, 12 de maio de 2010

Nossa Imprensa 2


Nossa imprensa!

A liberdade de expressão é o argumento da mídia para refutar qualquer tipo de controle pelo Estado ou órgão de classe. Mas a própria mídia não tem o mesmo apreço pela livre manifestação do pensamento quando ela é contrária a seus interesses:

Do blog Vi o Mundo (link na coluna à direita)

Abril demite editor que criticou Veja no twitter
do blog do Altino Machado no Terra Magazine, via twitter
A National Geographic Brasil, da Editora Abril, demitiu nesta terça-feira (11) o editor-assistente Felipe Milanez pelas críticas em seu Twitter contra a revista Veja, da Abril, por causa da reportagem “A farra da antropologia oportunista” sobre delimitação de reservas indígenas e quilombos no país.
- A decisão me foi comunicada pelo redator-chefe Matthew Shirts. Ela veio lá de cima e ainda estou zonzo ainda porque não imaginava que minha opinião fosse resultar nisso – disse Milanez.
Bastante conhecedor da Amazônia, especialmente das tribos indígenas, o repórter-fotográfico Felipe Milanez estava com viagem marcada para o Amazonas na quinta-feira (13). Ele iria percorrer durante 15 dias a BR-319, que liga Manaus (AM) a Porto Vellho (RO), acompanhando uma equipe da Embratel que dá suporte às torres de telefonia.
Ele usou o Twiter para avisar seus seguidores sobre a demissão:
- To destruido, muito chateado. Acabo de ser demitido por causa dessa infeliz conta de Twitter. Sonhos e projetos desmancharam no ar virtual

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Os Novos Ventos

Finda a bipolaridade da guerra-fria, foi imposto ao mundo o liberalismo moldado no modelo econômico americano. A globalização comercial não foi um fenômeno moderno. Antes da revolução Russa de 1917, o mundo era predominantemente liberal, com grande liberdade de fluxo de capitais e pessoas. É evidente que o avanço tecnológico incorporou outros elementos ao liberalismo.
Aparentemente o auge do liberalismo moderno, sobretudo em seu componente ideológico, se deu na última década do século passado. O consenso de Washington trazia a premissa de que através da ampla liberdade aos mercados as fronteiras nacionais deixariam de ser um óbice ao aumento da riqueza e bem estar dos cidadãos. Supostamente, no futuro liberal as pessoas nascidas na Suiça ou no Haiti teriam as mesmas oportunidades de ascensão social.
Se no comunismo o controle político da economia produziu ineficiência, no liberalismo o predomínio do interesse privado sobre o público gerou crises e conflitos. Este começo de século ratifica a tese de Marx de que o aprofundamento do capitalismo fomenta a subversão e colabora para seu declínio. As contradições capitalistas provocaram uma onda de reações ao neoliberalismo. A América Latina talvez seja o melhor laboratório deste movimento.
De uma maneira geral, os países latinos americanos saíram de ditaduras militares apoiadas ou promovidas pelos EUA diretamente para sua nova cartilha, o neoliberalismo. Assim, Fujimori no Peru, Pinochet no Chile, Carlos Menen na Argentina, Fernando Henrique no Brasil, foram alguns dos que aplicaram a receita de ajuste fiscal severo, privatizações e estímulos ao capital financeiro. Dos citados, apenas o brasileiro não acabou preso ao deixar o poder.
A difusa reação social varreu a América Latina. Panelaço na Argentina, sem-terras em marcha no Brasil, manifestações indígenas na Bolívia. Foram muitas as formas as quais preconizavam a mudança política aprofundada na região. Candidatos mais identificados com as demandas sociais e as esquerdas sagraram-se vitoriosos num nítido movimento de antagonismo às políticas neoliberais. Kirchner na Argentina, Chavez na Venezuela, Vasquez no Uruguai, Lugo no Paraguai, Correa no Equador, Ortega na Nicaragua, Lula no Brasil, foram exemplos dessa onda. Este movimento pode ser visto como um todo orgânico que se traduz no fortalecimento do Mercosul, na criação da ALBA e da UNASUL.
Na virada do século o fortalecimento da esquerda e do sentimento antiamericano na América Latina contrastava o fortalecimento da direita nos EUA. W. Bush assumiu a presidência após uma eleição até hoje contestada. O 11 de setembro deu maior ímpeto à direita norteanericana. Em abril de 2002 os ianques estiveram envolvidos na tentativa de golpe na Venezuela. Em março de 2003 invadiram o Iraque contra as resoluções da ONU.
O desrespeito aos fóruns internacionais como a não assinatura do protocolo de Kyoto, violação das regras da OMC e as guerras de Bush minaram a autoridade ideológica americana. Outro abalo no domínio de Washington foi produzido pela crise econõmica de 2008/2009.
A maré política que inundou o continente chegou ao rico país do norte. A eleição de Obama foi fruto do mesmo fenômeno latino-americano. O recrudescimento liberal gerou crise econômica e promoveu a chegada ao poder de uma figura mais identificada com as bases sociais. Foi assim com o primeiro presidente negro americano, com o índio boliviano, com os mestiços Chavez e Lula. A plataforma de governo amparada em propostas sociais também é marca desse processo. Com Obama fechou-se um ciclo de declínio da radicalização de direita liberal na América.
Na Ásia, as duas últimas décadas tiveram a emergência de três atores principais. A China e a Índia se adaptaram muito bem à fase do novo capitalismo. Ganharam um peso econômico capaz de abalar o status quo. A China, em especial, tornou-se um contrapeso ao poderio americano que não existiu logo após a guerra-fria. A Russia, terceiro ator de relevância, afundou em sua crise pós-soviética e andou de lado na fase neoliberal. A crise russa de 1998 foi o fundo do poço.Vladmir Putin resgatou o orgulho russo e, tal como os latino-americanos, adotou posturas políticas e econômicas nacionalistas. A guerra na Geórgia e o recuo americano na instalação do sistema antimissil no leste europeu provaram a capaciade da Rússia de frear os interesses americanos. Não atoa o país de Putin é aliado da Venezuela e contido na questão do Irã. Ainda sobre a Ásia vale destacar que o Japão encerrou o domínio de 50 anos do conservador Partido Liberal Democrático.
A rica Europa Ocidental convive com a alternância de governos liberais e trabalhistas. A Europa foi um dos vetores da globalização moderna com sua U.E.. A adoção de medidas liberais foi requisito para redução de assimetrias aos que ingressaram no bloco. O modelo de integração europeu virou exemplo para outros blocos do mundo. Ocorre que o processo vivido no resto do mundo chegou à Europa. O ensaio deste movimento ocorreu nas duas décadas anteriores. A direita conservadora chegou à Itália com Berlusconi, à Inglaterra com Blair, a Espanha com Aznar. A França tomou um susto ao ver a força do ultranacionalista Le Pen em 2007 e a Áustria elegeu o seu mega-direitista Haider.
As mentiras da guerra do Iraque precipitaram o fim do governo Blair. A França pendeu por Sarkozy. A crise na Grécia em 2010 traz nova etapa. A única saída visualizada para os países mais atingidos é a velha receita do FMI. Novamente impõe-se a países em crise o remédio do ajuste fiscal, arrocho salarial, contenção de gastos públicos e endividamento. A reação da população é semelhante da América Latina em anos anteriores. É possível prever consequências semelhantes, ou seja, ascensão de líderes populares e plataforma de governo menos liberal.
A África continua sendo um caso particular, mas também há sinais de mudança neste continente. Cada vez mais se fala da diferentes Áfricas. Alguns países despontam como pólos mais promissores. A África do Sul busca estreitar laços com Índia, China e Brasil para ter peso semelhante a estes no cenário internacional. Os países do norte africano tem um desenvolvimento moderado como Egito, Líbia, Argélia. Na parte ocidental destacam-se as economias da Nigéria, Costa do Marfim e Senegal. A parte centro-oriental do continente continua bastante pobre e instável.
Duas potências emergentes podem estar contribuindo para um futuro de melhor destaque para o continente negro. A China tem realizado grandes investimentos em infra-estrutura e expande sua influência a partir do nordeste africano. Já o Brasil atua partindo dos países lusófonos. A bandeira de combate à fome adotada por Lula tem sido importante para a influência brasileira no continente. A Embrapa tem apoiado o desenvolvimento da agricultura africana, e agora o bolsa-família deve ser implantado no continente através da FAO. O governante brasileiro tem buscado fazer dos biocombustíveis uma ferramenta de desenvolvimento da região.
Não está clara a composição de forças neste mundo multipolar. As recentes crises tiveram o curioso efeito de redução das assimetrias globais. Se existiu freios ou encolhimentos expressivos de países ricos, países emergentes continuaram crescendo ou se recuperaram rápido. O aumento da cooperação dos excluídos do G7 tirou deste o monopólio na definições das políticas mundiais.
Existem pressões para reforma da ONU. Independentemente de uma eventual mudança formal da organização, seria possível visualizar um panorama diferente de 2003, quando a instituição foi ignorada por Bush?
A despeito da relativa perda de poder dos EUA, o país tem musculatura econômica e militar para repetir a dose do Iraque. Mas os ventos da mudança atravessaram os muros da maior potência global. É difícil crer que a opinião pública americana aceite outra guerra sem o aval da ONU.
Viveu-se no mundo a suposta crise das ideologias. Certamente essa foi uma crise de rótulos, que costumam ser melhor definidos a posteriori. Toda ação de um governante precisa estar legitimada em um pensamento perante seus governados. Desde a evangelização dos índios, à tese de ausência de alma dos negros, passando por doutrinas fascistas e comunistas, as idéias justificaram atitudes de pessoas ou nações. Olhando agora, se percebe como o mercadismo justificou a farra dos financistas no mundo. Por outro lado, a democracia como valor universal e a doutrina do medo apoiaram a invasão do Iraque, do Afeganistão e outras ingerências americanas no mundo.
O planeta experimenta uma nova fase de construção difusa do pensamento dominante. Como se vê, há uma tendência de consolidação de políticas sociais historicamente identificadas com a esquerda. Obama chega a ser tachado de comunista estando no comando da Meca do capitalismo. Por sua vez, a Europa promove a outra ponta do ideário que se consolida. Através de políticas públicas e alteração de hábitos de consumo de seus cidadãos, a agenda verde é exportada pelo velho continente.
Assim sopram os ventos para o futuro. Quando os eixos políticos, ideológicos e econômicos do mundo mudam, mudam também seus protagonistas. O país que pretende ampliar seu espaço precisa elevar suas velas na direção correta. Os cidadãos das diversas nações clamam por um modelo de maior eficiência social e ambiental. O dinheiro costuma entender essas tendências antes mesmo que haja consciência da mudança de seu fluxo. O futuro está sendo construído sob matizes ideológicas entre o vermelho e o verde. O discurso ambiental que será introduzido na próxima eleição e bandeira de esquerdistas empunhadas pelos principais concorrentes podem ser bons presságios para o Brasil.

Vista do Farol

(Foto: Sheila Lima)
A foto acima registra o pôr-do-sol visto do Farol da Barra em Salvador. No verão, são comuns reuniões diárias de baianos e turistas para acompanhar o espetáculo. A imagem, capturada pelas lentes de uma câmera de celular, dá uma amostra da beleza da cena.

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Top 100 Recapitulando

Sempre indico no blog discos que para mim fazem parte dos 100 melhores do mundo. São discos que gostaria de ter em uma prateleira da sala um dia. Obviamente subjetivo, meu critério é a qualidade musical, mas também a importância do disco para do artista ou gênero. Me considero bem criterioso, portanto, mesmo que não conheça ou não goste do artista, recomendo que o leitor do blog se dê uma chance de escutá-los. Até aqui já indiquei dez discos, que não são nem o topo nem a base da lista, uma vez que não pretendo trazer um rol hierarquizado. São eles:

1. Raul Seixas (poderia ser Gita, mas dele eu não consegui escolher um. Indiquei a música Novo Aon como símbolo do que Raul tem de muito bom e ainda pouco conhecido.)
2: Saltimbancos Trapalhões - Trilha sonora do filme do quarteto.
3: Transa - Caetano Veloso
4: Construção - Chico Buarque
5: Nada Como Um Dia Após o Outro Dia - Racionais Mc´s.
6: Da Lama ao Caos - Nação Zumbi
7: Fruto Proibido - Rita Lee e Banda Tutti Frutti
8: Em Ritmo de Aventura - Roberto Carlos
9: Samba Esquema Novo - Jorge Ben
10: Riding With the King - B.B. King e Eric Clapton

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Sabedoria Persa



Em uma entrevista exibida hoje pelo canal americano ABC, o presidente iraniano Mahmud Ahmadinejad que está em Washington esclareceu uma grande dúvida. Ao ser questionado se Bin Laden estava escondido no Irã, chamou de risível a suposição e afirmou:
"Fiquei sabendo que está em Washington! Fiquei sabendo...ele está lá. Porque era um antigo parceiro do Sr. Bush. Eles eram colegas, de fato, nos bons tempos. Você sabe disso. Eles estavam juntos no negócio do petróleo. Eles trabalharam juntos. Bin Laden nunca cooperou com o Irã, mas cooperou com o Sr. Bush."
"Pode ter certeza que está em Washington. O governo americano invadiu o Afeganistão para prender Bin Laden. Eles provavelmente sabiam onde Bin Laden estava. Se não sabiam, por que invadiram? Podemos conhecer as informações de inteligência?"
"Primeiro eles deveriam conhecer a localização e, então, invadir. Não conhecer a localização, invadir e tentar descobrir onde ele esta, isto faz sentido?

segunda-feira, 3 de maio de 2010

O Triângulo Baiano

A eleição na Bahia vai ser disputada por três pólos. A aliança PSDB/DEM com Paulo Souto, o PT e com Wagner e o PMDB concorrerá com Geddel. A disputa pode ser analisada na metáfora de um triângulo. Os lados representam os votos de cada candidato. A soma dos lados totaliza 100%, tendo em vista que votos não destinados aos três são desprezados neste raciocínio. É evidente que os candidatos podem crescer angariando indecisos, mas como quem vota em "A" deixa de votar em "B", os votos válidos no final são um único bolo a ser dividido principalmente entre os três.
Pesquisas recentes* apontam hoje o lado de Wagner com cerca de 54%, o de Souto 33% e o lado de Geddel tem 13% do triângulo. Apesar dos dois adversários fortes, Wagner desponta com chances de vencer no primeiro turno. Considero pouco provável a manutenção deste quadro. Muito embora as duas últimas eleições baianas tenham sido decididas no 1° turno, nem Souto em 2002, nem Wagner em 2006 superou a marca de 54% dos votos válidos. Ou seja, mesmo em eleições polarizadas apenas no DEM x PT não houve folga na disputa.
Em 2002, pouco estruturado, o PMDB obteve com Prisco Viana 4,2% dos votos válido. Já em 2006 a diferença de Wagner para Souto foi inferior a 10%. Isto demonstra que o PMDB foi decisivo para a eleição de Wagner. Se tivesse apoiado o DEM poderia inverter o resultado final. Agora com o PMDB robusto, a disputa deve ir para segundo turno.
O triângulo baiano deve mudar de forma de acordo com a rigidez ou flexibilidade de seus lados.
O lado de Wagner é o mais engessado. Seu percentual de intenção de votos reflete a aprovação do seu governo. O crescimento é relativamente mais difícil para o atual governador. É bastante conhecido e já está bem posicionado. Por outro lado, Wagner tem base sólida. Desde março de 2009 não apresentou menos de 36% nas pesquisas mais importantes. De lá pra cá sua aprovação melhorou com o arrefecimento da crise internacional e com o ganho de popularidade de Lula. O PTista vem apresentando cerca de 40% de voto espontâneo.
Geddel é o lado mais flexível. É o candidato com menor nível de conhecimento entre os eleitores, possui baixa rejeição e terá um bom tempo de TV. Contará ainda com o apoio significativo de prefeitos do estado. Tem potencial e deve crescer no decorrer da campanha. Entretanto, se a campanha assumir a polarização das anteriores, seu eleitor pode optar pelo voto útil em um dos outros concorrentes. Há, portanto, risco de esvaziamento da chapa PMDBista.
A candidatura de Paulo Souto não tem as deficiências das adversárias, mas também não tem as mesmas vantagens. Se Wagner larga como protagonista, Souto é seu natural antagonista. A possibilidade de crescimento deste é proporcional ao aumento da rejeição ao candidato do PT. Hoje a rejeição de Wagner é tão pequena quanto a de Geddel e menor que a do próprio candidato do ex-PFL. Ao soutismo não é viável propor um pós-Wagner (como Serra busca o pós-Lula), dada a presença do governador na disputa. Contudo, a herança carlista e o papel de principal foco de oposição nos últimos 4 anos devem garantir um piso ao democrata maior que 20%. Souto aparece com cerca de 25% nas pesquisas espontâneas e teve 43% na última eleição.
O confronto nacional também influenciará a disputa na Bahia. Em 2002 Lula teve 61% dos votos na Bahia, tendo alavancado a campanha do então pouco conhecido Wagner. A força do carlismo fez com que Souto freasse uma vitória maior de Lula como no restante do Nordeste. Já em 2006 a influência de Lula foi reconhecida pelo carlismo. Nos últimos dias de campanha de TV o DEM veiculou imagens de ACM com Lula defendendo o fundo de combate a pobreza.
Nesta eleição os reflexos do cenário nacional são novamente favoráveis a Wagner. Dilma já vem alcançando cerca de 15% de frente sobre Serra no Nordeste. A rejeição do tucano é de 28% na região contra 18% da ex-ministra. Nas espontâneas, o voto em Dilma, Lula e candidato do Lula somam cerca de 30% na Bahia contra cerca de 12% de Serra.
Se a imagem de Paulo Souto estiver associada a Serra, ele terá dificuldade de subtrair eleitores do lado de Wagner. Souto terá que se sobrepor a Geddel como candidato de oposição, mas deve contar que esse consiga tirar votos do PTista, se não sequer haverá segundo turno.
O dilema de Geddel não é mais fácil. Se fizer campanha confrontando Wagner tende a ganhar a simpatia de eleitores de Souto. Só que dividir eleitores da oposição não lhe interessa, uma vez que é necessário encolher o lado governista do triângulo. Porém, confrontar com Souto pode lhe tirar do segundo turno, pois pode acentuar o papel do democrata como antagonista.
Na síntese da rigidez dos lados tem-se, aproximadamente, Wagner com 35% e Souto com 20%. Há espaço para Geddel ir para o segundo turno, mas dificilmente se excluirá o PTista. Assim, a campanha na TV em algum momento assumirá o embate entre PMDB e DEM. O papel que Geddel aspira nesta eleição é de protagonista e não de coadjuvante. Se não puder ser eleito, é imprescindível para ele ser o maior nome de oposição nos próximos anos.
Este é o panorama da eleição na Bahia. Não há céu de brigadeiro pra ninguém, mas Jaques Wagner tem tudo para seguir com mais tranquilidade no primeiro turno.

U-Boats - A matilha de Hitler

A História de uma guerra, pelo menos a versão predominante, é contada pelo vencedor. Foi assim com a Segunda Guerra Mundial. Qual a batalha decisiva, povo que sofreu mais e qual nação foi fundamental para a vitória? Dia D, judeus e EUA, é a resposta contada na maioria dos filmes. Stalingrado, russos e União Soviética, é a resposta mais aceita hoje pelos historiadores. Os EUA emergiram da Segunda Guerra como a maior potência do mundo e tinham a necessidade estratégica de fincar um aliado permanente no Oriente Médio criando Israel. Por outro lado, o mundo viveu quase meio século na Guerra Fria, tornando as análises do conflito tão díspares.
Sem me aprofundar nas distorções sobre a imagem do maior conflito do século passado, resolvi apontar a importância de uma arma de gurra: o submarino, ou o U-Boat.
U-Boat`s (Unterseeboot-"barco debaixo-de-água" em alemão literal) é o termo como ficaram conhecidos os submarinos da poderosa frota de Hitler. Também receberam o respeitável apelido de "lobos-do-mar".
A alcunha de lobo se deveu à forma de ataque dos submarinos alemães. Inicialmente eles atuavam de forma isolada, se aproximando furtivamente de navios inimigos e os atingindo antes de serem percebidos. Posteriormente, quando as esquadras aliadas passaram a ser escoltadas por contratorpedeiros, os "lobos" atuaram em duplas ou trios, com ataques rápidos e quase imediata dispersão.
Mais do que provocar baixas na marinha aliada, o uso estratégico dos U-Boat`s foi tentar isolar a Grã-Bretanha. Na fase crítica, a Inglaterra viu seu abastecimento comprometido, sendo isto tão danoso quanto os ataques aéreos a Londres e outras cidades. Depois da guerra Churchil chegou a declarar que temeu mais os submarinos que a Luftwaffe, Força Aérea alemã que castigou a Inglaterra com bombardeios.
Os U-Boat`s só puderam ser contidos pelo avanço tecnológico com aprimoramento de radares, sonares, cargas de profundidade (para defesa contra torpedos), além de avanços táticos nos comboios marítimos. A entrada do EUA na guerra também colocou o tráfego marítimo em uma escala superior à capacidade de destruição dos submarinos alemães. Foram ataques dos lobos-do-mar que justificaram a entrada do Brasil na guerra.

domingo, 2 de maio de 2010

Submarinos brasileiros

Começa a ser produzido o primeiro dos quatro submarionos Scorpéne, de tecnologia francesa, no dia 27 de maio. Deverá estar pronto em 2016. Outros três submarinos devem estar prontos em 2021. Todos produzidos aqui. Também foi adquirido da França um submarino nuclear que deve ser entregue em 2022.
Junto com a compra de novos caças para a força aérea, as aquisições da marinha colocarão nossa defesa em um novo patamar. A transferência de tecnologia que é exigida representa também imenso ganho para o país. O Brasil se insere com força no cenário internacional. Seu crescimento econômico estará um pouco melhor respaldado por suas Forças Armadas. As Guerras do Iraque e a pressão americana sobre o Irã e Venezuela dão a dimensão da necessidade de um país com grandes reservas de petróleo ter um poder militar respeitável.