quarta-feira, 17 de novembro de 2010

terça-feira, 16 de novembro de 2010

SUINGA - Sorvete de Cajá (Clipe oficial)

Houve um tempo que o Axé era "boca-de-zero-nove"! Falava de faraó, Antônio Conselheiro, Madagascar, Mandela, Ghandi...da zorra toda! Usava expressões vanguardistas como "rebocado", "piripicado" e "quirica na bussanha.". Antes de Daniela louvar a beleza negra do Ilê. Antes do Asa Arrêa.  Antes até de Brown cantar a timbalada oiá e a lua porque ama a lua,  a Bahia gritava com Gerônimo: Eu sou negão. O Axé era assim, uma esculhambação.

De lá pra cá a coisa mudou. Ivete, Cláudia Leite, Jamil e outros cantam Poeira, Festa, Extravasa. Música que é pro Brasil todo. Até porque, se cantasse Iô, Iô Iô Rebentão ou Vou dar o Ziguenáu, muita gente não iria entender nada. Se melhorou ou piorou não me importa. Só sei que li outro dia sobre a banda Suinga (http://ultimobaile.com/?p=2881#comment-3840). Que grata surpresa escutar sobre Mussucity, Doroncity e sorvete de cajá! Só quem já pegou um Estação Mussurunga entederá com perfeição: Se Chegar Meu Estação, Não Empurra Não!  

Aí vai Sorvete de Cajá. Com direito a clipe gravado na Estação da Lapa e dancinha impagável.

O futuro governo Dilma e as lições de Maquiavel.


“Nada é tão fraco e instável quanto a potência
 de quem não se apóia na própria força.”

Como se dará a governabilidade para Dilma? Com tradição em quedas de mandatários, o país conviveu na última campanha com termos como “golpismo”, “autoritarismo”, “risco à democracia e a liberdade”. É preciso considerar que a futura presidente enfrentará interesses que transcendem a disputa partidária. Neste cenário, poucos conselheiros seriam tão precisos quanto o polêmico Maquiavel.
Para o autor de O Príncipe, as tropas de um governante seriam de três tipos: próprias, auxiliares e mercenárias. As primeiras seriam leais, ligadas a facção do líder desde sua origem. As segundas surgem de acordos com grupos externos, sendo mais leais a estes. O terceiro grupo é recrutado pelo dinheiro e age em razão deste.
A base política de Dilma é precária já no que tange as suas próprias tropas. Ela não tem liderança histórica dentro de seu partido. Entretanto, se conseguir contar com a lealdade do PT em razão do prestígio de Lula, terá o apoio da maior bancada na Câmara (88 deputados), segunda maior do Senado (11 senadores) e da militância mais bem estruturada do país.  
A principal força auxiliar do governo, o PMDB (16 senadores e 79 deputados), possui um tamanho compatível ao do PT.  Ambos terão cinco governadores, bancada no congresso e tempo de TV parecidos. PT e PMDB também são os partidos com presença significativa em todas as regiões do país e na grande maioria dos municípios. Há ainda forças importantes como o PSB de Ciro e seus seis governadores e do PR e PP que juntos somam mais deputados federais (82) que o PMDB e 7 senadores (o que representaria a terceira maior bancada da casa).
Sobre o perigo do apoio de forças auxiliares Maquiavel dizia: “Se são vencidas, representam a derrota; se vencem, aprisionam quem as utiliza”.  Para o autor, é preferível perder com as próprias forças a vencer com este tipo de ajuda. O risco é que organizadas e leais a outros, estas forças podem usurpar do governante o poder. É possível verificar que o PMDB apossou-se de um espaço caro ao PT no governo que se encerra. Um exemplo disto foi o desgaste de precisar apoiar Sarney quando ele esteve bombardeado por escândalos. Por outro lado, a força adquirida pelo PMDB obrigou o PT a ceder espaço nos Estados na disputa de agora.
Em tempos de paz, as forças mercenárias são as que se aproximam do líder e lhe dão sustentação por interesses econômicos. Com a força econômica do executivo federal, qualquer mandatário terá este tipo de apoio. Ele está difundido dentro dos diversos partidos políticos e nos demais setores auxiliares a um governante, como sindicatos, movimentos sociais, igrejas, imprensa, empresários, dentre outros setores organizados.
Segundo Maquiavel, aquele de depende de mercenários é “despojado na guerra pelos inimigos, e na paz por eles próprios”. Quem apóia por dinheiro, tende a ser indisciplinado e covarde. Ou seja, costuma a se desmobilizar ou mudar de lado quando muda a perspectiva de poder.
O risco causado por forças mercenárias vem da sua inépcia e das forças auxiliares de sua eficácia. Afinal, os primeiros não ajudam o suficiente nas crises, e os segundos podem ter interesse em causá-las.  
O pensador italiano ensinava que muitas vezes é impossível prescindir dos três tipos de tropa para chegar o poder. Entretanto, o êxito de um governo depende do manejo e ponderação destas forças. Logo, a gestão de Dilma dependerá organização dos partidos auxiliares, especialmente o PMDB. Se este estiver disciplinado e leal a uma liderança alternativa, poderá tumultuar o governo. Caso se porte como um “ajuntamento” mercenário, seguirá a maré de popularidade da presidente. Em todo caso, dependerá sempre do apoio Lula. Sem este sequer terá forças próprias para contrapor adversários fora e dentro do governo.

O PSDB precisa ser renovado

Por Alberto Carlos Almeida - Autor de A Cabeça do Brasileiro, livro de política eleitoral mais influente no Brasil nos últimos anos.

A derrota precisa ter consequências. É inacreditável a discussão corrente sobre quem é responsável pela terceira derrota consecutiva do PSDB para presidente e a segunda derrota de José Serra. Uns dizem que o responsável é Aécio Neves, outros dizem que não. Só não vê quem não quer: os responsáveis pela derrota são os dirigentes nacionais do PSDB, a executiva nacional do partido. Nada é mais simples do que essa constatação. Foi a direção nacional do partido que decidiu escolher Serra candidato a presidente, foi a mesma direção que decidiu dar carta branca para Serra e seu exército de Brancaleone fazer a campanha como melhor lhe conviessem. O tempo de TV é do partido, mas Serra o utilizou da forma que quis. O responsável por isso foi o partido.
O desempenho eleitoral de Serra foi pífio: ele teve somente 44% dos votos válidos, isto é, apenas 2,4% a mais de votos do que Geraldo Alckmin teve no primeiro turno de 2006 (41,6%). Alckmin disputou a eleição contra Lula, que disputava uma reeleição. No linguajar político tradicional, Serra perdeu para um poste, o poste que Lula resolveu apoiar. Em 2009 foram inúmeras as vezes que Aécio afirmou que estava à disposição do partido para ser candidato. O partido se dobrou a Serra e deixou o ex-governador de São Paulo anunciar a sua candidatura quando considerasse mais adequado.

O deputados federais em 2006 e somente 53 em 2010. Suponho que não seja possível colocar a responsabilidade de mais essa derrota nas costas de Aécio. Porém, o resultado negativo também se aplica ao Senado. A bancada do PSDB em 1998 era de 16 senadores, foi para 14 em 2002, aumentou um pouco em 2006 indo para 15 senadores e agora o PSDB sofreu um revés histórico: tem apenas 10 senadores. Aliás, destes 10, 2 foram eleitos por Minas, ao passo que em São Paulo foi eleito só um senador. Suponho, mais uma vez, que Aécio não possa ser responsabilizado por isso.
O meu sonho, que, lamento de antemão, não será realizado, é ver publicada na próxima semana uma breve carta dos dirigentes nacionais do PSDB assim redigida: "Nós que defendemos a candidatura de Serra em 2010, nós que aprovamos a estratégia eleitoral do PSDB na última eleição estamos vindo a público para reconhecer que fomos derrotados. O desempenho de nosso partido ficou muito aquém do esperado. Diante desse fato, apresentamos aqui a renúncia de nossos cargos de direção partidária. Com isso esperamos que o partido se renove. Desejamos também que outros políticos possam ocupar os nossos lugares e levar o partido a voltar a crescer nas eleições de 2014. Reconhecemos que foi um erro não realizar prévias, assim como também foi um erro dar a legenda novamente para a candidatura Serra. Mais uma vez o partido perdeu a eleição presidencial e viu suas bancadas no Senado e na Câmara ser reduzidas. Desejamos aos futuros dirigentes de nosso partido boa sorte".
Não adianta tapar o sol com a peneira. É assim que acontece em todo lugar: a derrota eleitoral tem consequências. É assim na Alemanha, na França, nos Estados Unidos e em muitos outros países. Existem responsáveis pela derrota. Se aqueles na direção nacional do PSDB que apoiaram a escolha de Serra não fizerem isso, eles deveriam aproveitar o ensejo e mudar o nome do órgão máximo do comando do partido de executiva nacional para oligarquia nacional. Somente a oligarquização de um partido pode explicar a falta de renovação diante de três derrotas nacionais consecutivas.
É preciso mudar de rumo. Para que isso seja feito, é preciso mudar os dirigentes, em particular os dirigentes serristas. Aliás, a derrota e o fracasso no Brasil têm consequências sempre que se trata da iniciativa privada, sempre que se trata das empresas. É justamente por isso que elas sobrevivem. Se o PSDB não se renovar profundamente agora, corre o sério risco de continuar perdendo terreno eleitoral em 2014.
Fico estarrecido quando vejo logo após a eleição vários deputados serristas de carteirinha falando na mídia com enorme desenvoltura, dizendo o que o partido deveria fazer ou deixar de fazer no futuro, como se eles não tivessem nada a ver com a terceira derrota consecutiva. Eles deveriam ter a mesma dignidade que teve Barack Obama no dia seguinte às eleições legislativas dos EUA e irem para a mídia dizer que fracassaram, se equivocaram, tomaram a decisão errada ao escolher Serra e dar a ele carta branca para fazer a campanha eleitoral que fez. Obama é presidente em meio de mandato, eles não são. Assim, deveriam abrir mão de seus cargos de dirigentes partidários e dar a vez para os mais jovens.
Aqueles que quiserem objetar os argumentos acima com o fato de Lula ter disputado e perdido três vezes a eleição presidencial eu contra-argumento afirmando que o PT não tinha outra opção naquelas eleições que não fosse Lula. Agora em 2010 o PSDB pode escolher entre Serra e Aécio. Além disso, nas três eleições em que Lula foi derrotado o PT cresceu na Câmara e no Senado. Há ainda a objeção de que o PSDB tem agora mais governadores do que tinha há quatro anos. Mais uma vez se trata de uma objeção falaciosa: a direção nacional do partido não tem influência sobre as disputas regionais. Serra e seus dirigentes preferiam que Álvaro Dias tivesse sido o candidato no Paraná, Beto Richa se impôs e venceu (cabe aqui a observação que mesmo depois de o PSDB do Paraná não ter dado a candidatura a governo para Álvaro Dias, mesmo assim Serra o quis como seu candidato a vice). Geraldo Alckmin nunca foi do mesmo grupo político de Serra. Serra preferia ganhar com Kassab, como fez na eleição para prefeito de 2008. Alckmin se impôs e venceu. Em Minas nem se fala: a direção nacional do partido não teve nenhuma influência na estratégia de sucesso de Aécio, que foi coroada com a eleição de Antônio Anastasia com 28 pontos percentuais de vantagem sobre Hélio Costa, sem falar dos dois senadores.
Mudando de partido, duvido que alguém considere que o bom desempenho eleitoral do PSB ao eleger um número recorde de governadores possa ser atribuído à direção nacional do partido. Foi a lógica regional que regeu o sucesso dos governadores do PSB. A lógica partidária no Brasil respeita a lógica da federação, com exceção do PT. A estratégia nacional do PT foi abrir mão de candidaturas aos governos estaduais em troca de eleger senadores. Ao que tudo indica, funcionou. Os senadores eleitos agora serão candidatos ao governo de seu Estado daqui a quatro anos. Não há o que corrigir quando se vence, mas é preciso mudar a rota quando se perde.
Façamos uma caricatura e proponhamos que a direção nacional do PSDB seja a mesma que é hoje em 2014. Além disso, sugiro que Serra seja novamente candidato com o mesmo marqueteiro. Pode ser que assim o PSDB venha a vencer Dilma, Lula e um PT mais forte. Alguns dirão "nem tanto ao mar nem tanto à terra". Ora, mas não vem sendo justamente essa, do nem tanto ao mar nem tanto à terra, a estratégia do PSDB nos últimos anos? Não me consta que ela tenha funcionado. A direção do PSDB não tem se renovado ou tem se renovado de maneira insuficiente. Passadas duas eleições, por exemplo, esta mesma direção que não se renova de forma adequada não se preparou para lidar com o tema das privatizações.
Pode ser que para a executiva nacional do PSDB tenha sido uma surpresa o fato de o PT ter utilizado o tema das privatizações na eleição de 2010. A propósito, vale aqui um aviso baseado no mais tosco senso comum: em 2014 o PT utilizará novamente o tema das privatizações na eleição presidencial. O PT fez isso uma vez no segundo turno de 2002, fez isso a segunda vez no segundo turno de 2006 e agora repetiu a fórmula de sucesso. Onde estavam os dirigentes nacionais do partido que não o prepararam para esse embate? Eles vão dizer que estavam dirigindo o partido. Hei de concordar: dirigindo o partido rumo a mais uma derrota eleitoral.
Lutar é preciso, diriam os militantes de esquerda. Navegar é preciso, diria Ulisses Guimarães. A necessidade depende das circunstâncias. Neste momento, renovar é preciso. É preciso coragem com C maiúsculo ao PSDB. A direção partidária não é patrimônio, em que pese nossa tradição patrimonialista, deste ou daquele dirigente. Aliás, quanto a isso, valeria a pena ver que dirigentes nunca perderam assento nos cargos de direção nos últimos oito anos de derrotas consecutivas. O PSDB precisa mostrar para a sociedade, precisa mostrar para aqueles que se preocupam com o seu destino, que ele não é dominado por uma oligarquia partidária. Precisa mostrar de fato e não ficar simplesmente falando que não é. Vão se os nomes, ficam as instituições. Vão se os derrotados, ficam os vencedores. Em algum momento o PSDB derrotará o PT. Para tornar isso mais tangível, para antecipar no tempo esse desfecho, seria fundamental que o PSDB fizesse a mais profunda possível renovação em sua direção partidária, uma renovação que eliminasse todos os serristas e desse a direção do partido a políticos jovens alinhados com Aécio Neves e Beto Richa. Não custa repetir, Aécio não é o responsável pela derrota para presidente, para deputados e senadores. O grande responsável pela derrota é a direção nacional do PSDB, que deu a legenda a Serra e não utilizou uma estratégia adequada para enfrentar Lula, Dilma e o PT.

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

A Conquista do Espaço - Torre de Babel

Segundo a Bíblia, os descendentes de Noé resolveram criar uma torre capaz de atingir os céus. Enfurecido, Deus fez com que os envolvidos na construção passassem a falar línguas diferentes, impedindo assim o sucesso da empreitada. Milhares de anos após a tentativa dos herdeiros de Noé, o mundo ignora a diversidade linguística na construção de um novo projeto de alcançar os céus. 
Um consórcio de 15 países estão participando da construção e das experiências científicas na Estação Espacial Internacional (International Space Station- ISS): Os Estados Unidos, Rússia, Canadá, Japão e a Agência Espacial Européia (Bélgica, Dinamarca, França, Alemanha, Itália, Holanda , Noruega, Espanha, Suécia,Suíça e o Reino Unido).
A Principal atividade desenvolvida na estação é a pesquisa científica, em grande parte atrelada à própria exploração espacial. Um objetivo é melhorar o conhecimento do efeito da exposição de longa exposição do corpo humano no espaço. Fatos como a atrofia muscular, perda óssea e bombeamento de fluidos são estudados com a intenção utilizar os dados obtidos durante viagens de longa duração num futuro próximo.
Além disso, pesquisadores esperam examinar a combustão na presença de baixa gravidade fora da Terra. Muitas buscas envolvendo a eficiência de queima ou a criação de produtos secundários poderiam melhorar o processo de produção de energia. Afinal, um dos grandes entraves à viagens ao espaço é a questão da eficiência energética.
A ISS é um grande laboratório de pesquisas e testes. Ou seja, ainda não é um modulo de suporte para futuras missões. Deste modo, se trata de um ensaio de colonização do espaço. Não é verdadeiramente a fixação de uma base de exploração permanente. Mal comparando, estamos próximos das viagens de Vasco da Gama na “órbita” da África, mas distantes das conquistas pós-Colombo.   
Ocorre que assim como em Babel, a ambição espacial atual enfrenta suas divergências entre falantes de línguas diferentes. A China sempre enfrentou resistência dos EUA em participar da ISS. Ela, que inicialmente desenhou suas naves com mecanismos de acoplagem apropriados para a Estação Espacial Internacional e construiu seus centros de lançamento em latitudes próprias para facilitar esta acoplagem, anunciou a intenção de construir sua própria estação. Os EUA não puderam abrir mão do know-how da cambaleante Rússia da década de 90 e do dinheiro da Europa. Entretanto, foi mais fácil se reconciliar com concorrentes do passado do que dividir o futuro com a potência emergente do oriente.

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

A Conquista do Espaço - Operação Clipe de Papel

(Von Braun, o gênio nazista!)


Originalmente chamada de Operação Overcast, a Operação Paperclip foi o nome de código da operação realizada pelo Serviço de Inteligência Militar dos Estados Unidos para extrair cientistas especializados em foguetes (V-1, V-2), eletro-gravitação (Discos Voadores/OVNIs), armas químicas, e medicina da Alemanha após o colapso do governo nacional-socialista na Segunda Guerra Mundial. Esses cientistas e suas famílias foram secretamente levados para os Estados Unidos, sem o conhecimento ou aprovação do Departamento de Estado norte-americano. Nenhum deles tinha qualificação para um visto de entrada nos EUA, pois todos haviam servido a causa nazista durante a Segunda Guerra Mundial.
Particularmente importante para os EUA foi a captura de Wernher Von Braun, um dos principais projetistas alemães que trabalharam no desenvolvimento do foguete V-2. Von Braun participou ativamente do programa de mísseis balísticos dos EUA e depois dos primeiros passos do programa espacial estadunidense.  Foi ele o líder da equipe que projetou o lançador Saturno V que levou as naves Apollo para a Lua. Como se vê, há um sotaque alemão e méritos de moral questionável na raiz do programa espacial americano.  

A Conquista do Espaço - A Força Soviética



Quando se pensa em tecnologia de conquista do espaço logo é lembrado o nome da NASA – Agência Espacial Americana. Mesmo a maioria dos filmes de ficção tratam a agência como a única capaz de agir para proteger o mundo de perigos do espaço, sejam eles representados por asteróides ou ET´s.
O sucesso de imagem da NASA tem haver com o domínio da cultura ocidental moderna pelos EUA e  do protagonismo no maior feito do homem no espaço: a chegada à Lua. Porém, a hegemonia da agência americana na conquista espacial não é assim tão verdadeira.
Dentre os maiores feitos na corrida espacial, pertencem aos soviéticos foram pioneiros ao: lançar um satélite artifical – Sputnik (1957); colocar em órbita o primeiro ser vivo- a cadela Laika (1959); colocar em órbita o primeiro homem -  Yuri Gagari. (1961). Atualmente a Estação Espacial Internacional ( International Space Station'' ou simplesmente ISS), em órbita desde 1998, é o maior símbolo da ambição de conquista do espaço. Entretanto, em 1986 a URSS colocou no espaço a MIR, estação espacial que ficaria 15 anos ativa. É, por enquanto, dela o recorde de permanência de uma estação em órbita. Em um jargão típico de filmes de ficção científica, a MIR pode ser considerada a primeira base espacial da humanidade!

O Fim da MIR
  • Fev/1997: uma vela de lítio, usada para gerar oxigênio, dá início a um incêndio a bordo. A tripulação consegue controlar o fogo e evitar uma catástrofe.
  • Jun/1997: durante uma operação de atracação, uma nave de carga Progress se choca com o Módulo Spektr, abrindo um rombo na fuselagem. A tripulação isola o módulo evitando que todo o ar escape da Mir. Superar os dois incidentes é prova da consistência do projeto soviético.
  • Jul/1998: A agência espacial russa anuncia que vai desativar a MIR. É possível imaginar a defasagem tecnológica da estação inaugurada em meados da década de 80. Ainda assim, a tecnologia desenvolvida a partir da MIR tornou-se vital para o desenvolvimento da ISS.
  • Jan/2000: a empresa privada MirCorp anuncia uma campanha de arrecadação de fundos para arrendar a estação espacial e transformá-la no primeiro hotel espacial.
  • Nov/2000: A agência espacial russa, alegando que a MirCorp não cumpriu o combinado, anuncia que a estação será destruída em fevereiro.
  • Mar/2001: Moscovitas protestam contra o fim da estação. A Mir queima na atmosfera na madrugada do dia 23. É o fim de uma era na astronáutica.

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

O Pecado Capital do PSDB/FHC

Do Blog do Josias

Em sessão realizada nesta terça (9), a 6ª turma do STJ determinou o trancamento de ação penal que corria contra Ricardo Sérgio de Oliveira.
Ex-diretor do Banco Brasil, Ricardo Sérgio respondia no processo à acusação de “gestão temerária”.
O caso foi investigado num inquérito aberto no Rio, em 2002, pelo Ministério Público Federal. Conduziu-o o procurador Gino Liccione.
Envolve a concessão de fiança bancária de R$ 874,2 milhões para que a empresa Solpart participasse do leilão das estatais de telefonia, em 1998.
Há no processo um relatório do Banco Central. O texto tachou o aval, liberado por Ricardo Sérgio na antevéspera do leilão, de “irregular”.
A Solpart havia sido criada um mês antes pelo Banco Opportunity, contralado por Daniel Dantas. Tinha capital social miúdo: R$ 1.000.
A despeito disso, o BB liberou a fiança sem exigir nenhuma garantia real dos acionistas da Solpart.
Em diálogo captado pelo célebre grampo do BNDES, uma escuta clandestina, Ricardo Sérgio falou sobre a fiança.
Conversava com Luiz Carlos Mendonça de Barros, à época ministro das Comunicações da gestão FHC.
A certa altura, Ricardo Sérgio informa a Mendonça de Barros que havia liberado o aval à Sopart. E declara: "Estamos no limite da nossa irresponsabilidade".
No relatório em que analisou a operação, O BC anotou, em dezembro de 2001:
"A carta de fiança foi concedida baseando-se apenas em critérios subjetivos, sem atentar para princípios da boa técnica bancária, [...] demonstrando imprudência na gestão dos negócios da instituição financeira".
Relatora do caso, a ministra Maria Thereza de Assis Moura, do STJ, anotou no seu voto que os réus não agiram com a atenção e a seriedade devidas.
A despeito disso, escreveu que o crime de gestão temerária só pode ser punido quando é comprava a intenção de dolo. Algo que, para ela, não se configurou.
Assim, Ricardo Sérgio livrou-se, 12 anos depois da privatização das ex-estatais telefônicas, da acusação que lhe pesava sobre os ombros.
O ex-diretor do BB é personagem ligado ao tucanato. Antes de ser acomodado na direção do banco, coletara fundos para uma campanha de José Serra ao Senado.


Comentário:Assim foram feitas as privatizações por FHC. Escolheu-se, sabe-se lá a que preço, quem seriam os novos barões do Brasil. Neste caso, uma empresa com capital de R$ 1.000,00 (mil reais) obteve um empréstimo de quase um bilhão e virou uma grande empresa de telecomunicação!   Você não gostaria de poder investir assim? 

sábado, 6 de novembro de 2010

Michael Jackson II

Top 100 - Michael Jackson - Thirller

Tardo em mencionar em meu Top 100 alguns discos que obrigatoriamente devem ser incluídos em qualquer lista semelhante. São do tipo  "hors concours".Como meu parâmetro é mais ou menos extrair uma amostra respeitável dos melhores discos, não falar do óbvio distorceria tudo. Então, vamos a um clichê:  


Tão inevitável quanto citar Michael Jackson, é reconhecer a importância do álbum Thriller para sua carreira e para o pop mundial. Com ele o artista ultrapassou a barreira do fenômeno que foi na infância para se tornar um mito. É difícil entender como em um só álbum foram parar músicas como Billie Jean, Beat It e  Thriller. Cada um destes hits segurariam a venda de um disco inteiro.  Creio que foi a partir do clipe da faixa título que Michael começou a ter sua imagem associada a algo que vai além do excêntrico.  Dali até sua morte, a vida do cantor esteve envolta por mistérios polêmicas e o que houve de mais moderno e fantástico no show biz. Tudo isto fez dele um ícone tão forte que há uma infinidades de imagens que remetem ao artista de imediato.



Incluo neste post um vídeo de uma música cantada pelo jovem Michael muito antes dele pensar em lançar seu disco de maior sucesso. Assim homenageio a grandeza de sua carreira, me dou a impressão de fugir do lugar comum, e ainda registro no blog uma das melhores interpretações de uma música que gosto bastante. 


segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Dilma Presidente - A "decisiva" batalha de Minas

Hoje temos a primeira mulher presidente do Brasil. Quais as razões para mais este marco no rol do "nunca antes na história deste país"? Há explicações pautadas na economia, no carisma de Lula, nos erros da oposição, dentre outras. Chama atenção, mais uma vez, a distribuição geográfica dos votos. Serra venceu nos estados do sul, centro-oeste (exceto em Brasília) e em São Paulo. Dilma venceu no nordeste, no norte (com exceção de Roraima e Acre) e em Minas Gerais. Ou seja, a eleição foi novamente dividida entre eixos sudoeste e nordeste de forma clara. - http://eleicoes.uol.com.br/2010/raio-x/2/presidente/votacao-por-estado/
Esta divisão enseja as mais variadas análises. De um lado há a idéia de que o país se divide entre ricos e pobres, entre eleitores mais conscientes e os mais susceptíveis ao populismo. De outro existe o pensamento que o país se divide entre classe ascendente no norte e elite decadente no sul. Esta divisão era prevista. Dela decorreu a tese de que a eleição deveria ser decidida em Minas. Este pensamento demonstra o quanto o país ainda se vê sob a perspectiva da rica região sudeste. Esta visão ofusca a compreensão do processo vivido no Brasil, incluído o entendimento da eleição de Dilma.
Em seu discurso ao fim da apuração, Serra não mencionou o nome de Aécio (mencionou de outros líderes tucanos como Alkimin). Analistas viram neste silêncio a mensagem de que Serra atribui a Minas Gerais peso decisivo em sua derrota. Revelou compartilhar da incompreensão do país que debilitou a oposição nos últimos anos.
Escrevi aqui (http://livrepraque.blogspot.com/2010/05/favoritismo-alem-das-pesquisas.html) que, a despeito do desfecho em Minas, a vitória de Dilma poderia estar garantida por três grandes trunfos - Pernambuco, Bahia e Maranhão. Na Bahia Dilma venceu por 70,85% a 29,15%. Em Pernambuco por 75,65% a 24,35%. No Maranhão por 79,9% a 20,91%. Só nestes estados Dilma obteve uma vantagem de  6.820.910 votos. O quarto trunfo que não antevi foi o Ceará, onde a vitória petista foi de 77,35% a 22,65%, numa diferença de  2.325.841 votos. Assim, nestes quatro estados Dilma obteve uma margem de mais de 9 milhões e cem mil votos de uma vantagem total de 12 milhões de votos no país. Considerando que em Minas se teve cerca de 10,5 milhões de votos válidos, nem se Serra tivesse 100% disto estaria eleito.
O que ocorre é que as sucessivas candidaturas de Lula, seu governo e ampla aliança partidária tornaram a candidatura de Dilma efetivamente nacional. A massacrante vitória nos estados citados são apresentadas aqui apenas como demosntração de como o Brasil é muito muito maior que o sudeste. Atribuir a Minas ou a Aécio o fracasso da oposição é insistir numa visão míope. Qualquer pessoa que deseje se tornar presidente precisa primeiro construir pontes com todo este país de dimensões continentais. Isso vale para a acreana Marina, para o "ceaense" Ciro e certanente valerá também para o mineiro Aécio.