sexta-feira, 30 de abril de 2010

B.B. King 2

Top 100 - B.B. King e Eric Clapton


Inauguro a ala estrangeira do meu quase xenófobo Top 100. Faço em grande estilo, com o melhor da música negra americana. Riding With the King reúne B.B. King e Eric Clapton, dois mitos do blues. É ouvir o disco e tomar uma bebida que logo você sentir emoção parecida com a de King na foto. Se descuidar acaba fazendo as mesmas caretas dele.

quinta-feira, 29 de abril de 2010

Ultimo Baile dos Guermantes

Escrevo pra recomendar o site do título deste post: http://ultimobaile.com/

Resolvi que um trecho de um texto seria mais claro que minhas palavras sobre a página.:

Pólis: o Locus do Poder

Quando Lula sair do Planalto, o título de “figuraça latino-americana” vai ficar para o novo Presidente do Uruguai, Pepe Mujica. O cara tem um senso de humor eu diria juceliniano – tipo, para dizer que deixou de fato o extremismo de guerrilheiro Tupamaro de lado ele me sai com essa frase: “Politicamente, virei vegetariano!”. Parece personagem de Machado de Assis!
(...)João Paulo, ex-prefeito de Recife, mantinha uma troça, um bloco de frevo de rua, no qual tocava mesmo enquanto era prefeito. E Célio de Castro, o “Doutor BeAgá”, ia para a preifeitura muitas vezes de bicicleta – enquanto era prefeito, e bem antes da bike-hype atual.
(...)Nenhuma destas cenas é possível no Brasil há quarenta anos. E não apenas por causa de Brasília, em si; muito mais pelo “efeito Brasília”, que causou deformidades urbanas como o Centro Administrativo da Bahia (e não cessa de causar, já que Aécio Neves comete o erro de fazer igual este ano, com a Cidade Administrativa de Minas Gerais). O fato de que a política e o poder no Brasil a rigor saiu das cidades – e justo na época em que as cidades cresceram vertiginosamente em tamanho, gentes, economia e problemas – é apenas mais um sintoma de nossa desgraça urbana.
Cenas como as que tínhamos até 1960 no Rio de Janeiro, ou em Salvador até 1970, ainda são possíveis nos nossos países vizinhos: Mães da Praça de Maio em Buenos Aires, Mujica atravessando a rua para almoçar, protestos de estudantes em frente ao La Moneda no Chile, e a defesa pública de Hugo Chavez quando da tentativa de golpe ao Miraflores. Nestes países não só o poder está no centro das cidades – a população e os políticos não são separados por abismos, carros oficiais, e outros modos de cercear a cidade. Não se encastelaram, e arquitetonicamente nem tem como fazê-lo. A política, afinal, é a prática da cidade, da pólis.
(...) o Regime Militar legou esta chaga a mais: aproveitando-se da expansão excludente e carrocêntrica anterior a ele, nos deixou de herança uma classe política que mais parece a aristocracia da Baviera de Guilherme II. Uma classe que não convive com seu povo por uma impossibilidade espacial, física, urbana – o que não ocorreu nem durante o Império, nem durante o Estado Novo – e nem em boa parte do Regime de 1964.

Crônica do Personagem Ciro 3 - Acabou?

"Presidência é destino":Na eleição de 2002 Ciro ficou em quarto lugar. Atrás de Lula, Serra e Garotinho. Durante a campanha Ciro chegou a ficar em segundo lugar, sendo abatido pelo seu temperamento e pelas críticas de Serra. Ainda ssim, Ciro teve 10.170.000 votos, 2,5 milhões acima de sua votação em 1998.
No ano seguinte o cearense foi do PPS ao PSB por não aceitar ficar na oposição. Foi nomeado para o importante Ministério da Integração Nacional. No primeiro mandato de Lula, Ciro foi de uma lealdade ímpar. Jamais criticara publicamente o presidente, saindo sempre em sua defesa. Durante o episódio do mensalão Ciro compôs o núcleo de articulação mais próximo de Lula. Foi mais fiel e importante na defesa do presidente do que boa parte do próprio PT. Chegou a ser cogitado como candidato a vice-presidente na re-eleição do PTista.
Presidência é destino, já dizia Tancredo Neves. E o destino foi cruel com as pretensões de Ciro. Em 2006 a eleição estava submetida à cláusula de barreira. Os partidos que não tivessem uma votação mínima nacional estariam fadados a desaparecer ou a fundir-se com outro. Para manter vivo o PSB, Ciro candidatou-se a deputado federal, sagrando-se o deputado de maior percentual de votos na história do país.
Para sua ambição presidencial seria muito melhor ser governador, um cargo de maior visibilidade e com um orçamento para administrar. É certo que mesmo para as dimensões do cargo de deputado Ciro teve uma atuação apagada. A eleição de Eduardo Campos ao governo de Pernambuco pelo PSB tirou de Ciro a condição de maior cacique do partido. Além disto, a adesão do PMDB ao segundo governo lulista reduziu o espaço dos PSBistas.
Inventando a roda: Ciro alega que não aceitou ser ministro no segundo governo Lula devido às alianças fisiológicas deste com o PMDB e outros, mas manteve-se governista. Assim o cearense buscou três ineditismos. Primeiro quis manter-se viável sem projetar-se na mídia e criticando alianças ao invés de promovê-las para si. Depois apostou em lealdade como moeda na política. Esperou que sua fidelidade ao partido e ao presidente seria recompensada com um lugar no pleito. Erro estratégico imaginar que o presidente indicaria alguém fora do PT.
Por fim, a falha mais grave de Ciro foi apostar em ser um plano B de Lula. Nunca vi isso em política. Um governante bem avaliado jamais lança dois candidatos. Dividiria forças, além de que todo plano B presume/expõe a fragilidade do plano A. Delegar a terceiros o poder de decidir seu destino nunca é um bom caminho.
Conciliação de interesses: A máxima política de que é preferível ter um perfil conciliador é relativa. Alkimin sempre dividiu o partido para ser candidato. Pode-se dizer que ele perdeu a eleição em 2006 para presidente e para prefeito em 2008 em razão disto. Também em razão disto ele garantiu seu espaço e será candidato ao governo este ano. Serra agora prevaleceu sobre o conciliador Aécio.
A verdade é que nem todos interesses são conciliáveis. Ciro demorou para perceber que objetivos iguais são como dois corpos tentando ocupar um lugar no espaço. No PSDB seu interesse era o mesmo do núcleo paulista e por isso teve de sair do partido. Em 2010 seu interesse é igual ao do PT. Devia ter esticado a corda ou mesmo arrebentado quando Dilma tinha 1% nas pesquisas. Estava clara a opção do presidente. Não havia mais conciliação possível.
O erro de Ciro foi ele mesmo ter plano B ruim, ou não ter um plano B. A alternativa dele era ser uma candidato ainda que inviável. Contar com a sorte para ir ao segundo turno ou ganhar vizibilidade para 2014. Má idéia, mesmo porque com o fantasma da volta de Lula, a hora deveria ser agora.
Ciro se enxergou muito grande. Teve a percepção de que esteve muito próximo da cadeira presidencial em 2002. Avalia que está lhe fugiu por erros táticos e tropeços de campanha. Achou que moderando sua lingua estaria destinado ao sucesso. Só que ninhuém é levado pela inércia aos pleitos seguintes, como ficou claro para Serra em 2006. Podia ter aceitado a saída planejada por Lula que arquitetara uma super coligação para ele em São Paulo. Optou por seus próprios planos que, de tão ruins, lhe deixaram sem batalhas.

terça-feira, 27 de abril de 2010

O que você não vai ver na TV!

O OSAC, órgão americano de aconselhamento a cidadãos americanos no exterior, emitiu um alerta sobre a violência no litoral paulista. link:
Citando os ataques do PCC em 2006, o alerta se refere a onda de ataques e ao clima de guerra vivido na baixada santista nesta última semana. A violência em São Paulo como um todo é considerada crítica.
Oficialmente foram 23 mortos até a segunda 26/04/2010. Há relatos na internet de mais de 100 assassinatos. O clima relatado é de pânico com toques de recolher e inúmeros carros da PM nas ruas com soldados fortemente armados.
Em um primeiro momento o portal da Globo relatou a situação dando ênfase à posição da Secretaria de Segurança de que a situação já estaria controlada:
Agora, de maneira irresponsável o portal faz parecer que o alerta americano surgiu dentro de um contexto da violência usual de grandes centros:

Busque a informação. Ela não chegará a você com uma mídia tão comprometida com o processo político.

Diáspora Negra em Números

- O tráfico de escravos a partir da descoberta das Américas, grande responsável pela dispersão dos negros, durou cerca de 4 séculos, do início do séc. XVI ao fim XIX.
- O tráfico de escravos foi oficialmente proibido no Brasil em 1830, mas ocorreu clandestinamente até o final daquele século. Cerca de 40% dos embarcados morriam na viagem ao país.
-A Conferência de Berlim, realizada entre novembro de 1884 e fevereiro de 1885, dividiu o território africano entre as potências européias. A divisão não respeitou fronteiras históricas, étnicas, ou mesmo laços familiares, sendo o embrião do atual mapa do continente e dos conflitos existentes.
- O Brasil é o país fora da África com o maior número absoluto de descendentes de negros, cerca de 85,8 milhões de pessoas. Em seguida vem os EUA com 38,5 milhões e Colômbia com cerca de 9,5 milhões.
- Os países não africanos com maior percentual de população negra são: São Cristóvão e Nevis com 98%; Haiti com 97,5% e Jamaica com 97,4%. O Brasil possui 6% de negros mais 38,2% de pardos. Os EUA possuem 12,9% de negros.
- A Europa possui 2,1% de negros. Portugal possui 2%, Espanha 1,3% e a França 3%. Esta última registra grande fluxo de imigrantes do norte africano nos últimos anos.
- O mundo deve ter em outubro de 2010 cerca de 7 bilhões de pessoas. 4 bilhões vivem na Ásia. Os negros do mundo inteiro somam cerca de 1 bilhão.

Diáspora 2 - Ziraldo

Diáspora

A palavra diáspora remete quase sempre ao povo judeu. O termo significa a dispersão de povo por motivos políticos, econômicos ou religiosos. Essa identificação imediata com o povo de Israel é o símbolo de como a percepção da história é altamente influenciada por interesses diversos.
Se no mundo ocidental Jesus foi o homem que personificou Deus, Hitler é o mais próximo da representação do mau. A despeito do merecimento da imagem do nazista, o papel de maiores injustiçados da história ocupado pelos Judeus ofusca uma compreensão mais profunda. Não que se deva relativizar o sofrimento de qualquer povo. Entretanto, é preciso ter visão crítica, porque é a compreensão da história que norteia boa parte das decisões políticas no mundo.
Ao longo da história humana, vários povos foram dizimados ou quase extintos Os Armênios foram massacrados pelos turcos, os albaneses pelos sérvios, curdos por iraquianos. A colonização européia deixou um rastro de extinção de povos e etnias. Só na América civilizações inteiras foram eliminadas. Astecas, Maias, Incas, Tupinambás, Apaches, todos foram usurpados no domínio que tinham do continente americano. Não foi diferente em regiões colonizadas na Ásia. Sobretudo, foi a África o palco da maior tragédia produzida. Lá houve massacres semelhantes, mas fundamentalmente lá se instituiu o comércio de seres humanos em dimensão ímpar na história do homem.
É certo que a escravidão já existia desde a antiguidade, inclusive feita de negros por negros. Em geral, ela era resultante de guerras. Existia, a princípio, uma razão lógica para tal prática (lógica, mas não justa). Se um povo vence uma guerra e ocupa as terras de outro, um grande contingente de prisioneiros e nativos se tornam inimigos em potencial. Manter uma nação em cárcere é dispendioso e inviável. Assim como ocorreu com os judeus na segunda guerra, a exploração compulsória da força de trabalho do povo dominado é uma forma de viabilizar sua dominação.
O tráfico de escravos não obedecia a regra de escravização de povos vencidos. Ela foi ampliada à escala continental e mantida por séculos. Comercializou-se o homem como gado sob os diversos pretextos. Um mal irreparável e imperdoável. Somado danos males provocados pelas diferentes formas de exploração do continente africano pelos brancos, tem-se um tragédia que se arrasta aos dias atuais.
É preciso dimensionar corretamente o papel que cada povo ou país desempenhou, desempenha e deve desempenhar. Se o Holocausto da segunda guerra justificou Israel sob forma de reparação, a qual medida tem direito o continente africano?

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Clandestino






"Me dicen el clandestino por non llevar palpel" (Mano Chao)


O estado americano do Arizona aprovou uma lei que transforma em crime a imigração ilegal. Agora a polícia local está autorizada a pedir documentos e prender os suspeitos de estarem ilegalmente no estado. É assim no Arizona, em Israel com relação aos palestinos, bem como é assim em alguns lugares da Europa. Esta foi mais uma lei. Não é um decreto autoritário, é a vontade de uma maioria transformada em norma por seus representantes.
Parte do mundo foge da racionalidade. Friamente, o que definirá no Arizona se alguém deve ou não ir pra cadeia é ter ou não ter um papel.
Estado é uma invenção humana. É razoável quando ele se propõe a organizar a sociedade, a não permitir que a liberdade de um ofenda o direito do outro. Mas até que ponto é legítimo que se diga a um homem que ao cruzar determinada linha sua existência torna-se criminosa?
Mano Chao definiu com precisão o sentimento desta figura cada vez mais frequente no mundo, o imigrante ilegal: Sou uma arraia no mar/Fantasma na cidade/Minha vida é proibida/Disse a autoridade (trecho de Clandestino).
Se algum consolo resta, talvez seja o exemplo brasileiro. Frequentemente estamos anistiando estrangeiro ilegais que poderiam sofrer deportações. Além disto, a tolerância aqui é regra. O país tem uma mensagem para o mundo. Espero que seja ouvida.

domingo, 25 de abril de 2010

Crônica do Personagem Ciro 2

Ambição presidencial em 1998 e 2002: Ciro ingressou no PPS para poder ser candidato a presidente em 1998, uma vez que a emenda da reeleição fora aprovada para beneficiar FHC. Pelo PPS, partido hoje aliado do PSDB e DEM, Ciro foi candidato a presidente em 1998 e 2002. Na primeira vez ficou atrás de FHC e Lula, na segunda atrás de Lula, Serra e Garotinho. Em 2002 Ciro esteve perto de disputar o segundo turno, mas ataques da camapanha de Serra foram decisivos para o resultado final. Em uma entrevista a uma rádio de Salvador, um ouvinte fez uma pergunta que de forma irônica desqualificava o candidato cearense. Sem pensar duas vezes, Ciro chamou o ouvinte de burro e só depois ressalvou que devia ser alguém ligado aos adversários. Na propaganda serrista na TV várias vezes apareceu a parte em que o ouvinte foi ofendido. Ciro imputa a Serra a armadilha. O episódio o levou a apoiar Lula no segundo turno, muito embora Ciro fosse egresso do ninho tucano.
Aqui cabe um paralelo com a atual situação de Ciro. Ele tinha uma carreira ascendente no PSDB, chegando a ocupar o cargo de ministro do Real em 1994. Onde ele errou para não ser indicado a suceder FHC no lugar de Serra em 2002? Uma hipótese é que ele tenha tropeçado em seu próprio voluntarismo ao mudar de partido em 1996 para ser candidato contra o então presidente PSDBista. A hipótese mais provável ficou clara agora em 2010. Desde sua criação o PSDB só teve paulistas candidatos a presidente. Se um mineiro não rompeu esse paradigma, um cearense jamais o faria.
Hoje no PSB, Ciro quis repetir a fórmula fracassada de ganhar notoriedade em uma campanha e disputar com chances 4 anos mais tarde. Não teve a sagacidade política de Brizola. Este percebeu que para liderar o país precisava estar num centro político de maior visibilidade. Brizola saiu do Rio Grande do Sul para ser eleito governador do Rio de Janeiro (uma eleição marcada por uma tentativa de fraude apoiada pela Globo). Ciro podia ser candidato por São Paulo e, ainda que perdesse, se tornaria um político de maior envergadura. Deixou de atuar como um líder nacional para agir como apenas um político conhecido em todo país.
P.S.: Quem gosta de política ou se interessa pela história do país deve assistir a entrevista de Ciro dada ao Kennedy Alencar. Ouça o que ele diz, não inetrpetre o que Ciro quer dizer com base em frases tiradas do contexto. Link:

Top 100 - Jorge Ben



"...Voxê passa e não me olha, mas eu olho pra voxê...."
Jorge Ben Jor é outra pedra no sapato de quem se propõe a escolher um disco de cada artista. Se eu quisesse fugir do óbvio indicaria o disco Ben (à direita). Como meu critério envolve também a importância da obra, fico com o primeiro disco do Zé Pretinho, Samba Esquema Novo (à esquerda). Talvez lá quando tiver falado de uns 70 ou 80 discos eu volte a indicar o próprio Ben ou outro disco de Jorge.

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Crônica do personagem Ciro 1

Ciro vinha tendo um discurso forte, criticando a postura ética do PT e PSDB em suas alianças. Registrei que era fácil tecer esse tipo de crítica quando não se têm aliados. O fim da quase candidatura do cearense foi melancólico. A entrevista ao IG foi desastrosa, quase infantil. Inadmissível a um político experiente que almeja ser presidente. Ele já havia criticado também o PMDB e seu próprio PSB. Agora criticou Lula e resvalou em Dilma. A essa altura suas críticas o fazem parecer destemperado, ambicioso e despreparado.
Curioso com o desfecho que Ciro deu à sua pretensão, resolvi escrever sobre sua trajetória em dois ou três post´s. Começo aqui a tentativa de entender e explicar o resultado obtido pelo ex-presidenciável.

Da ARENA ao Tucanato: Ciro ingressou na política em 19982, ano que foi eleito pelo PDS. O PDS sucedeu o ARENA, partido de apoio ao regime militar. Como deputado migrou para o PMDB e posteriormente para o PSDB, onde foi eleito prefeito de Fortaleza em 1988.
Em 1989 apoiou Mário Covas (PSDB) e, seguindo este, Lula no segundo turno contra Collor. Em 1991 sucedeu Tasso Jereissati (eleito pelo PMDB, saiu já no PSDB) no governo do Ceará. Ciro foi o primeiro governador eleito pelo partido tucano no país. No fim de 1994 deixou o governo para ser Ministro da Fazenda (ainda não havia reeleição).
A indicação de Ciro para o ministério revela o prestígio que ele tinha no partido. Aquele era o ministério do Plano Real. Após a saída de FHC a pasta da Fazenda foi assumida por Rubens Ricupero. Este último deixou o cargo após o escândalo da famosa entrevista dada a Carlos Monforte da Globo. Sem saber que estava no ar nos canais de parabólica, Ricupero admitiu falhas no plano. Disse ainda a célebre frase: "Eu não tenho escrúpulos, o que é bom a gente fatura, o que é ruim a gente esconde".

Dois anos mais tarde chegaria ao fim o casamento com o partido de FHC e Serra, justamente devido às ambições presidenciais de Ciro.

Ciro - O Pequeno



Na noite da última quinta-feira (22/04) Ciro chutou o balde. Isolado dentro e fora do partido, deu uma entrevista para o portal IG no melhor de seu estilo. Apesar de ressalvar que seguirá o partido apoiando Dilma, saiu disparando coisas como:

"Lula está navegando na maionese. ...acha que vai batizar Dilma presidente."

"Minha sensação agora é que o Serra vai ganhar. ...é mais preparado, mais legítimo, mais capaz. ...inclusive de enfrentar a crise que conheceremos em um ano ou dois."

"Não me peça para ir à televisão declarar meu voto (a Dilma)"

"(os aloprados do PT) Veremos algo assim de novo!"

Concordava que a candidatura de Ciro seria importante em 2010. Agora que ele sai de cena de maneira tão mesquinha, só me resta concordar com a declaração do líder do governo Romero Jucá:

"As declarações de Ciro são a prova da razão pela qual o PSB não o indicou a candidato a presidente."

Os Donos da Bahia do Sec. XX - Fatumbi

Foto: Pierre Verger (http://www.pierreverger.org/)

Foto: Adenor Gondin (apenasbahia.blogger.com.br)

Pierre Verger era parisiense de nascimento, mas escolheu a Bahia para viver e morrer. Para nós é mais um baiano ilustre, pois tudo que genial queremos baiano. No Benin, ao se tornar babalawo, foi renomeado Fatumbi - "ele que é renascido pelo Ifá".
Verger é sinônimo do que há de mais belo na fotografia. Seu estilo influenciou outros nomes consagrados como Adenor Gondin, acima referenciado.
Fatumbi foi um dos nomes que mais projetaram imagem da Bahia. Ele e outros grandes mestres das artes retrataram e se integraram ao estado. São criaturas e criadores da nossa rica manifestação cultural. Pertence à Bahia e ela lhe pertence.

quinta-feira, 22 de abril de 2010

A Dança


"Eu só poderia acreditar num Deus que soubesse dançar."
"E quando vi meu demônio, pareceu-me sério, grave, profundo, solene. Era o espírito da gravidade. Ele é que faz cair todas as coisas." (Friedrich Nietzche)

O homem se vê no centro e crê que seu mais legítimo sentimento de justiça e lógica seria aplicável a Deus. Produziu-se no mundo e em cada indivíduo um Deus, ente superior que segue ou aplica uma moral, um padrão um objetivo nobre. "Vaidade, tudo vaidade". Estamos órfãos. A proteção divina se baseia em anseios psicológicos e só seria atendida por uma entidade de igual estrutura mental. O homem fez Deus sua imagem e semelhança.
Entretanto, se distinguir a figura divina é tão difícil, o demônio é reconhecido facilmente. A tristeza desprovida de fé é o próprio inferno.
Sem fé em Deus não se crê no mundo. Quem não vê lógica e justiça torna-se refém das frustrações. A solidão é o destino de todos notado por alguns.
É na antítese do demônio que está o divino alento. Desvia-se da dor e busca-se a alegria. Se Deus existe é um ser dançando com o mundo aos seus braços. Não é conduzido por anseios humanos, mas pela música que só ele escuta. Ao homem resta dançar a dança do mundo. Bailar tentando não pisar em falso e rir-se de seu passo desajeitado.

quarta-feira, 21 de abril de 2010

Pesquisa Ibope - abril 2010

Nova pesquisa Ibope. Serra 36%, Dilma 29%. Variação dentro da margem de erro da pesquisa anterior (35% a 30%).
Serristas dirão que a pesquisa confirma tendência apontada pelo Datafolha de inversão da curva de aproximação dos candidatos. Dilmistas dirão que a variação é uma manipulação para atender a campanha adversária. Ainda segundo a pesquisa Ciro e Marina empatam em 8%
Minha opinião: Jogue o Ibope no lixo. Como variou na margem de erro, poderia apresentar 34% a 31%, confirmando as demais pesquisas e desmentindo o Datafolha. Há um patrulhamento grande na internet de nos partidos sobre as pesquisas. Se estivéssemos em um jogo de dominó o Ibope teria batido na mesa e dito "passo", sem deixar de dar um tapinha nas costas do parceiro da Folha e dizer "estou com você".

terça-feira, 20 de abril de 2010

Política Externa - Itamaraty por Sun Tzu


"Todos podem ver as táticas de minhas conquistas, mas ninguém consegue discernir a estratégia que gerou as vitórias" (A Arte da Guerra - Sun Tzu)

"O Brasil tornou-se importante na comédias das nações, quase sem ninguém perceber" (Financial Times -abril de 2010)


O Brasil inegavelmente se tornou um ator mais relevante no cenário internacional. Muitos creditam isto ao carisma do presidente Lula, à força de nossa economia ou tradição de nossa diplomacia. Os críticos do governo, diriam que o país ganhou relevância apesar das decisões do Itamaraty, ao qual atribuem viés ideológico de esquerda na atualidade.

Nos últimos anos o país se viu envolvido em uma série de delicados episódios e em temas de grandeza absoluta.

O país atuou em conflitos como as greves na Venezuela (o governo brasileiro abasteceu o vizinho de petróleo enfraquecendo a posição dos que exigiam a renúncia de Chavez) a crise em Honduras, a tentativa de divisão da Bolívia e a invasão de tropas colombianas ao território equatoriano. Enfrentou duras disputas comerciais na questão do gás da Bolívia, da energia de Itaipu comprada do Paraguai e das tarifas de importação da Argentina. Notadamente nas disputas com vizinhos o país adotou retórica moderada e negociação "solidária", recebendo críticas internas de fraqueza nestas situações.

O Brasil também procurou ser ouvido em questões de interesses globais. O combate à pobreza e ao aquecimento global, a promoção da paz no oriente médio e a exaustão do uso da diplomacia com países como o Irã, Cuba e Síria foram bandeiras de nossa diplomacia.

As táticas verde-amarelas na conquista de maior voz são visíveis como pregava Sun Tzu. O país utilizou o prestígio de Lula e a curiosidade internacional sobre o ex-metalúrgico. Adotou discursos supranacionais e inquestionáveis como combate à pobreza e a paz. Posicionou-se como porta-voz não só de nações sulamericanas, mas como de todo mundo em desenvolvimento. Aliou às viagens de comissões diplomáticas comissões empresariais que ajudaram na diversificação dos parceiros comerciais.

Em análises simplificadas, o objetivo brasileiro não está oculto e é quase um fetiche: assumir uma cadeira permanente no Conselho de Segurança da ONU. Vejo ambições mais complexas e sutilezas no discurso do ministro das relações exteriores, Celso Amorim. Em síntese, enxergo detalhes táticos, mas fico animado ao não discernir a estratégia.

A diplomacia brasileira se move para direita e esquerda como na ginga de um capoeirista. Critica as base americanas na Colômbia, mas fecha um acordo militar com os EUA. Amplia cooperação com o Irã ao tempo em que o faz com a França. Dialogou com Chavez e Bush com igual desenvoltura. A política externa chegou a ser definida como do "arco-íris" pelo Financial Times. Na base desta suposta ambiguidade está, paradoxalmente, a coerência.

A autoridade moral foi o maior cacife do Itamaraty. Para pleitear espaço na ONU o país disponibilizou tropas à entidade no Haiti. Ao buscar anistia de dívidas a países africanos abdicou de crédito que tinha com alguns deles. Recuou em algumas posições para tentar fechar a rodada Doha. Não só abriu mão de ajuda financeira como se dispôs a contribuir com um fundo de ajuda a paísses em desenvolvimento na tentativa de salvar o encontro ecológico de Copenhagen. Na questão de Honduras, ao trombar com a administração Obama, o Brasil estava alinhado à posição da ONU e OEA. Até mesmo na questão nuclear o país tem um discurso coerente alertando para os erros cometidos no Iraque, defendendo que o desarmamento deve alcançar efetivamente grandes potências e, por fim, fazendo sempre a ressalva que a palavra final da ONU será respeitada pelo Brasil.

É a palavra final da ONU o grande castelo que o Brasil pretende assentar em outros alicerces. Em recente sabatina no Senado, o ministro Celso Amorim, em meio a resposta sobre supostos erros de sua atuação destacou duas alianças brasileiras. Fora do contexto, o diplomata deixou escapar que os grupos denominados BASIC (Brasil, África do Sul e Índia e China) e BRIC (este sem África do Sul e com a Rússia) são os grandes saltos estratégicos do país.

O país não conseguirá um papel à altura dos membros permanentes do Conselho de Segurança como gesto de boa vontade dos membros existentes. O mero assento permanente como concessão dos países desenvolvidos traria apenas uma igualdade formal. Sebe também que pouco importa fazer parte de um Conselho se os EUA o ignorar sempre que desejar como fez na guerra do Iraque.

O Brasil trabalha de forma articulada para que a nova ordem econômica se converta em nova ordem política. Os BRIC´s terão cada vez mais peso, mas não adianta medir forças com as potências estabelecidas. Por isso a simpatia da França é importante, assim como é relevante reformar a ONU por dentro. Discurso firme com os EUA é necessário, mas radicalização bolivariana é contraproducente.

O país avança em seus objetivos com acertos e erros táticos. Entretanto, segundo Sun Tzu, suas vitórias são geradas porque sua estratégia não é visível, como atesta a declaração do Financial Times.

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Que Zorra é essa?



Muito embora a proposta deste blog seja tratar também de política e do papel da mídia, eu por vezes quero permear estes assuntos com outros de maneira mais frequente. Não estava pensando em escrever sobre política por esses dias, mas eis que me deparo com a Globo e a Veja.

A Globo lançou ontem na cara de pau uma "campanha comemorativa" de seus 45 anos. Não me lembro de campanha pelos 44 ou 35 anos da emissora. 45 é o número de Serra e o Brasil pode mais é seu slogan. Não é que a emissora calma por mais educação, segurança, etc. No youtube o vídeo da Globo é imediatamente relacionado ao discurso de Serra. Um abuso da emissora que goza uma concessão pública. Link para ver o vídeo:


A capa da VEJA é quase um cartaz de Serra exposto nas bancas de jornal e prateleiras de caixas de mercado.
Esses caras querem nos meter numa Venezuela. Estão doidos para o governo reagir e criar um crise, acusando o governo de autoritário. O que fazer diante de tais provocações? Como não temer que, assim como a mídia de lá em 2002 e a própria mídia daqui em 64, não estejam conspirando, articulando ou apoiando um golpe?
*Nota pós-post: Na segunda-feira, dia 20, a Globo recuou e divulgou nota dizendo que a exibição do jingle comemorativo não se repetirá. Alegou que o vídeo fora produzido em novembro passado e que seria uma coincidência as semelhanças com a campanha de Serra. Circula na internet que o recuo se deu por pressão de atores que se sentiram lesados no uso da sua imagem e ameaçaram externar publicamente essa insatisfação. Hoje atores não precisam mais se submeter a tudo na emissora, eles têm alternativas.

Top 100 - Roberto Carlos


Neste dia de tristeza para o rei (funeral de sua mãe), trago para minha lista um disco que sempre soube que citaria: Roberto Carlos Em Ritmo de Aventura. A foto da capa à direita é tamém uma imagem do filme homônimo ao disco de 1967.
Uma boa definição do que representa o cantor para o brasileiro é dada no blog Musica Em Prosa (link na coluna à direita). "Traduzindo" a definição dada por Afonso Romano de Sant´anna, o blogueiro afirma que Roberto Carlos agrada o lado sofisticado dos ouvidos ditos "populares" e o lado popular dos ouvidos ditos "sofisticados".
Falar de artistas com carreiras tão longas e consagradas é tarefa árdua e sempre injusta. A melhor fase do rei foi vivida na virada dos anos 60/70. O disco Roberto Carlos de 1966 traz pérolas como Eu Te Darei o Céu, Negro Gato, Namoradinha de Um Amigo Meu, Querem Acabar Comigo, Não Precisa Chorar. O Inimitável de 1968 é outra porrada! Traz músicas como Não Vou Deixar Você Tão Só, Se Você Pensa, Quase Fui Lhe Procurar, Eu Te Amo, Te Amo, Te Amo, As Canções que Você Fez pra Mim e Ciúme de Você. Em 1971 outro disco com nome do cantor traz Detalhes, Todos Estão Surdos, Traumas, Amada Amante e Debaixo dos Caracóis de Seus Cabelos. O líder da jovem guarda estaria bem representado em qualquer destes LP´s.
O disco Em Ritmo de Aventura é para mim o melhor. É desses que escuto sem pular uma música. As canções mais famosas do álbum são Eu Sou Terrível, Como é grande Meu Amor por Você (esqueça a versão de Osvaldo Mote negro) e Por Isso Eu Corro Demais. Mas a faixa top do top é Você Não Serve Pra Mim. A bateria com batidas seca, aliás, todo o arranjo faz da música um rock um tom acima da comportada jovem guarda. Quase chego a bater cabeça...
P.S.: Quem não conhece ouça e preste atenção na letra de O Divã (Roberto Carlos 1972), disponível na rádio Uol. O rei expõe livremente lembranças como a descrever imagens. Algo totalmente diferente do resto de sua obra, com uma profundidade e beleza bem peculiar.

sábado, 17 de abril de 2010

Datafolha - Abril 2

Sem Ciro: Serra 42%, Dilma 30%, Marina 12%, Zé Maria (PSTU) 1%

Segundo Turno: Serra 50%, Dilma 40%

Espontânea: Dilma 13%, Serra 12%, Lula, 7%, candidato de Lula 3%

Rejeição: Ciro 27%, Serra 24%, Dilma 24%, Marina 10%*


Outros números: 14% indicam que com certeza votarão no candidato de Lula, mas não sabem quem é Dilma; 54% não escolheu ainda seu candidato; 73% é a aprovação do governo de Lula. 2% é a margem de erro.
* Qual será o papel de Marina na eleição? Sem Ciro na disputa ela pode amealhar cerca de até 20% apenas surfando na rejeição dos dois principais candidatos. E quem ela apoiaria no segundo turno? Ciro pode estar mais certo do que julgam os petistas quando diz que sua candidatura é estratégica.

Datafolha - Abril

Serra - 38%
Dilma - 28%
Marina - 10%
Ciro - 9%

O último levantamento do instituto apontava Serra 36, Dilma 27, Marina 8 e Ciro 11. Divulgado há 20 dias, aqueles números foram contestados até por jornalistas da própria Folha de São Paulo, dona do Datafolha. Apresentada sem prévio anúncio de sua realização e às vésperas do lançamento oficial de Serra, os números da pesquisa anterior mostravam o crescimento do tucano em discrepância com dados de outras pesquisas.
Em meio aos questionamentos da credibilidade do Datafolha, a Folha passou a atacar pesquisas da Sensus e Vox Populi, antes mesmo da divulgação delas. Este comportamento tornou ainda mais suspeitos os números da pesquisa criticada.
Agora, a nova pesquisa traz variações apenas dentro da margem de erro, como a ratificar a anterior, levemente confirmando as tendências indicadas. Se os números anteriores apresentavam o crescimento do tucano sem fato político que o justificasse, os números de agora negam efeito ao lançamento feito com pompa pelo PSDBista e amplamente repercutido na mídia. Para se ter uma idéia, no dia do lançamento de Serra, a Globo sequer mencionou evento com Lula e Dilma ocorrido no ABC paulista na mesma data. O Datafolha derrapa, mas seus números estão aí para serem analisados.

sexta-feira, 16 de abril de 2010

Empurrado Eu Não Vou 2

Empurrado Eu Não Vou

Pressionado a assumir a vaga de vice na chapa de Serra, Aécio chegou a dizer: "Empurrado eu não vou". Soaria mais decidido se tivesse dito que não vai nem empurrado, mas o astuto mineiro não cometeria tal gafe.
A fé dos próprios aliados do ex-governador paulista em sua candidatura pode ser medida pela sua dificuldade em encontrar um vice. Além de Aécio, já teriam recusado a honraria Tasso Jereissati, Agripino Maia, Paulo Souto. Publicamente Itamar Franco também declinou da missão. Alguns não querem trocar uma disputa fácil a outros cargos. Outros simplesmente não querem ocupar a cadeira da vice-presidência e, principalmente, não querem disputá-la e perder.
A condição de Aécio é oposta. O neto de Tancredo mira o cargo mais alto do Executivo. Se for candidato a vice e ajudar na vitória, terá o próprio Serra como grande obstáculo à sua pretensão. Se figurar numa chapa derrotada terá se tornado mais conhecido nacionalmente e terá o PSDB compelido a trabalhar por seu nome.
Por outro lado, de que adiantará a Aécio ser mais um senador de oposição? A ele só seria interessante a cadeira de presidente do Senado, mas é difícil consegui-la sendo oposição. Talvez por isso o mineiro ainda possa reverter a decisão de não figurar na chapa nacional, embora continue claro que empurrado ele não vai.

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Oposição Verde Amarela

Já tratei da polarização eleitoral entre PT e PSDB sob a ótica de azuis contra vermelhos citada por Serra. Amplio a metáfora para falar da verde Marina e do Ciro, aqui tachado de amarelo por conveniência da mensagem que apresento.
A última pesquisa Sensus me chamou atenção para o crescimento de Marina. Embora ela não tenha ainda empolgado, parece viável que a candidata supere a marca de um dígito no decorrer da campanha. Já Ciro, isolado até em seu partido, tem caído sistematicamente. Há notícias dando conta de que ele deve desistir da candidatura já na próxima semana. Será uma pena pois as candidaturas do PV e PSB, juntas ou separadas, poderiam representar uma oposição verde-amarela.
Verde-amarela é uma composição que remete ao patriotismo. Marina tem uma biografia quase impecável. Ciro tem externado com coragem fragilidades da aliança governista que o PSDB não tem autoridade moral para criticar. Ambos os candidatos desempenharão (ou desempenhariam) um papel benéfico à política nacional.
Ciro e Marina são complementares. Marina tem optado por um discurso construtivo, apontando méritos dos governos ptista e tucano. Ciro é franco-atirador, crítico no limite do agressivo. A verde dá ênfase à preservação e o amarelo invoca o crescimento. A candidata tem a simpatia de muitos, mas lhe falta a vibração do cearense. Ela abriu mão de uma aliança mais à esquerda com o Psol em prol da aliança de Gabeira com o PSDB e o DEM. Ele pode até deixar de ser candidato para seu irmão ter o apoio do PT e é inimigo pessoal de Serra.
Marina tirou alguns trunfos de Dilma. É mais uma mulher no páreo, "roubou" o apoio de algumas legendas da base governista e, ainda que timidamente, expõe discordâncias do projeto Lula. Já a candidatura de Ciro desarrumaria o ninho tucano. Aécio tem afinidades explícitas com o PSBista, além de o tucano Tasso já tê-lo apoiado em detrimento do então candidato Alkimin.
Se a política brasileira não fosse tão engessada pelas alianças estaduais, uma chapa verde-amarela seria uma opção muito interessante ao eleitorado. Juntos, Ciro e Marina já teriam cerca de 20% nas pesquisas e um tempo razoável na TV. Já pensou como seria a disputa?

Top 100 - Fruto Proibido

Fruto Proibido da Rita Lee é mais um dos 100 discos que eu levaria pra ouvir no além. Os anos oitenta não fizeram muito bem para a eterna rainha do rock brasileiro. Ela que transbordou criatividade e transgressão musical com Os Mutantes, passou a fazer um som meio morno. Já com a banda Tutti Frutti em 1975 foi Rock´n Roll da melhor qualidade.
As guitarras sobressaem em Esse Tal Roque Enrow (de Paulo Coelho), Luz Del Fuego, Dançar Pra Não Dançar e Agora Só Falta Você. Dentre outras canções, o disco ainda conta com o sucesso Ovelha Negra e a faixa título que é um blues clássico. Vale a pena ouvir a roqueira em uma de suas melhores fases.

Israelenses e Palestinos


Sei que a imagem à direita é forte. Pode parecer ofensiva aos judeus, mas é a mais adequada ao que venho falar. Desde a última semana santa cristã que ensaio escrever sobre a postura do Estado de Israel. No feriado santo em boa parte do ocidente, foi realizada a maior ofensiva contra territórios palestinos desde o grande massacre ocorrido em Gaza ano passado. Naquela ocasião até armas proibidas em guerras pela ONU como o napalm foram usadas pelos judeus.
Como muitos fico impressionado com a brutalidade de Israel. Mais ainda, fico sem entender como os judeus reproduzem contra os palestinos práticas tão semelhantes às usadas pelos nazistas.
Esta semana foi aprovada uma nova lei de deportação aplicável praticamente a quase todos os palestinos residentes na Cisjordânia. Abre-se uma brecha para deportações em massa de palestinos. Para não ser deportado, o indivíduo deve comprovar que tem autorização para residir nos território palestino. Esta comprovação é feita apresentando um documento de identidade.
A prática lembra muito o controle feito pelos nazistas dos judeus na Polônia. Os filmes "O Pianista e "Insurreição" (Uprising) retratam bem essa prática. Mostram também os nazistas erguendo muros de separação e usando pretextos burocráticos para atingir o povo perseguido como fez Israel para destruir construções palestinas em Jerusalém Oriental.
A forma como a Faixa de Gaza foi isolada lembra em tudo o gueto de Varsórvia na Polônia. O massacre de palestinos também lembra muito o ocorrido no gueto e retratado no filme Insurreição.
Difícil entender a reprodução de barbáries justo por um povo que as sentiu tanto na pele. Ter fé no mundo e na natureza humana é quase impossível. Parece que a condição de vítima e ou opressor depende exclusivamente do pólo de poder ocupado. Triste "terra santa".

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Jogo do Mico

No Jogo do Mico existiam cartas de "x" pares de animais. Após embalharadas e ditribuidas entre os jogadores, cada um ia passando uma carta para o adversário. Quem conseguisse juntar os pares ia descartando as respectivas cartas. Perdia quem ficasse com o mico que não tinha um par. Assim tem parecido a política baiana.
Waldir era PMDB hoje PT. Nilo era PMDB hoje apóia Souto. César Borges era carlista, "namorou" Wágner e foi parar nas mãos de Geddel que já teve a primeira-dama de Salvador, hoje tendendo apoiar o PTista. Resta saber quem juntará o maior número de pares e quem ficará com o mico nas urnas.

terça-feira, 13 de abril de 2010

Sensus - Rejeição

Sensus - Sem Ciro


Sensus - Estimulada


Pesquisa - Sensus

Serra - 32,7 %
Dilma - 32,3 %
Ciro - 10,1 %
Marina - 8,1 %

Mais uma pesquisa indicando a tendência de Dilma ultrapassar Serra antes da campanha de TV. Mais uma pesquisa que mostra que o Datafolha fez bobagem ao indicar que Serra apliara a vantagem sobre a PTista.
Por hora, os votos de Ciro continuam migrando majoritariamente pra Serra. Sem Ciro, ele pontua com 36,8% conta 34,0% de Dilma, restando 10,6% para Marina. Na simulação para segundo turno o placar é de 41,7 a 39,7 a favor do tucano. Os resultados de primeiro e segundo turno podem ser considerados empate técnico entre os líderes, tendo em vista a margem de erro de 2,2%.

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Jornalismo Imparcial

A Revista Veja em fevereiro de 2010 destacou as chuvas em São Paulo, administrada por Serra e Kassab do DEM na capital: "Uma rara combinação de fatores atmosféricos é a causa do dilúvio que há mais de 40 dias o Sul e o Sudeste do Brasil".
Em abril de 2010 a Veja mandou às favas a coerência ao cobrir as chuva no Rio de Janeiro, governada pelos PMDBistas Dilma Sérgio Cabral e Eduardo Paes na capital, ambos apoiadores de Dilma: "Culpar as chuvas é demagogia. Os mortos do Rio de Janeiro que o Brasil chora foram vítimas da política criminosa de dar barracos em troca de votos."
O contraste da cobertura dos fatos fala por si.

O Siciliano


Faço uma pausa nas minhas recomendações de discos para sugerir a leitura do livro O Siciliano de Mário Puzo. A imagem acima não tem muito a haver com o livro, mas aproveito o post sobre uma obra do autor de O Poderoso Chefão para exaltar também o Marlon Brando. Sua atuação foi tão memorável que sua imagem virou um ícone pop, sendo talvez a mais forte referência à obra do escritor americano.
Voltando ao livro, destaco que é uma trama paralela à saga do Don Corleone. O enredo, ambientado na Sicília, tangencia a história mais famosa. Os que conhecem o Poderoso Chefão podem se lembrar que Michael Corleone ficou "exilado" por um tempo na ilha ao sul da Itália. Em O Siciliano ele interage em breve passagens com o protagonista, Salvatore Giuliano. Seria audácia minha dizer que o livro supera ao que relata saga dos Corleones, mas me permito afirmar que é tão bom quanto.
P.S.: Jamais assista o filme baseado no livro estrelado por Christofer Lambert. Este sim é muito, muito ruim!

domingo, 11 de abril de 2010

José Serra - Azuis contra Vermelhos

Serra fez um discurso competente em seu lançamento como candidato. Aos ouvidos mais críticos, a virtude de seu discurso é também seu defeito. Foi uma ótima peça de publicidade, mas um pobre instrumento da verdadeira política.
Serra procurou calibrar seu discurso a todos os ouvintes. Quis parecer um estadista. Enfatizou a união, um contraponto à fama de desagregador que lhe é imputada. Fugiu de fazer repreensões mais duras ao governo, não só em razão da popularidade do presidente. Serra evitou críticas que o fizesse ser visto como porta voz da direita que se opõe a Lula. Em alguns momentos pareceu ter se inspirado no então candidato petista em 2002, ao pregar que o Estado tem que ouvir de trabalhadores a empresários, do mercado produtivo ao financeiro.
O presidenciável tucano sabe que não será eleito apenas com voto dos insatisfeitos. Que para ele não serve ser o mais forte adversário. Precisa agradar também os aliados do governo. Não por outra razão disse que refuta a disputa de "azuis contra vermelhos". Sabidamente, o azul é a cor do PSDB e vermelho do PT. Essa metáfora de cores retrata com perfeição o dilema de Serra.
No país há historicamente uma disputa entre liberalismo e trabalhismo. A depender do analista, essa disputa pode ser vista como entre social-democracia e populismo ou até entre elite golpista e povo. O fato é que o pós-FHC consolidou a força dos "vermelhos" no imaginário popular. Neoliberal virou um termo ofensivo, ao passo que estatizante soa quase nacionalista ante a forma como foram feitas as privatizações. Os azuis - PSDB, DEM e PPS- perderam força nas últimas eleições. Para Serra é indispensável fugir da polarização nestes parâmetros.
O discurso do PSDBista estava adequado às suas pretensões. O diabo é que ele não conseguiu fundamentar na prática sua retórica. Em São Paulo a PM do ex-governador entrou em conflito com estudantes, professores e até com a polícia civil. Seu governo vendeu o banco do estado e tentou vender a companhia energética. O próprio evento de lançamento não teve a benção popular, sendo um evento restrito a correligionários de uma aliança restrita a partidos hoje distanciados ideologicamente da massa trabalhadora.
Para os mais exigentes, o tom do discurso derrapa ao copiar a máxima de Obama: "nós podemos". Repedido diversas vezes, o bordão "o Brasil pode mais" não deixará de soar uma imitação oportunista aos mais esclarecidos. E atento, Lula ontem mesmo avisou: "Não adanta imitar o Obama porque ele já disse que EU sou o cara!"

sábado, 10 de abril de 2010

José Serra - Discurso de Lançamento


José Serra lançou hoje oficialmente sua candidatura. Antes de comentar sobre o tucano, deixo aqui o link da íntegra de seu discurso:

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Em que mentira você prefere acreditar?


Toda verdade é uma versão dos fatos. Para cada olhar há um ângulo, portanto existe uma verdade exclusiva para cada visão. É estranho que diante de fatos tão controvertidos quanto os episódios envolvendo os "presos políticos" cubanos a mídia nacional escolha só uma versão.
Em março de 2003, Bush invadiu o Iraque contrariando as resoluções da ONU. No mês seguinte, em Cuba forma presos 75 pessoas sob a acusação de conspirarem, com apoio do governo americano, contra o regime cubano. Já em 2002, houvera um grande número de prisões de dissidentes supostamente financiados pelo diplomata americano em Cuba James Cason.
Não é difícil crer que Bush Jr. estivesse intensificando ações contrárias ao governo dos Castro após o 11 de setembro. Também não é difícil supor que Fidel tenha aproveitado a falta de autoridade moral americana perante a ONU para prender adversários.
Neste ano de 2010 faleceu após greve de fome Orlando Zapata. Houve uma grita na imprensa por Lula ter comparado o "dissidente" a um preso comum. Ocorre que Zapata tinha uma longa ficha criminal, iniciada em 1988. Tivera sido preso por crimes como invasão de domicílio e lesão corporal (portando uma faca). Em 2002 Zapata foi novamente preso, sendo solto em 9 de março de 2003. Voltou a ser preso 11 dias depois. O agora mártir da luta política, não figurou na lista da Comissão de Direitos Humanos da ONU que condenou as 75 prisões de março de 2003. Apesar de ter ocorrido no mesmo mês, a prisão de Zapata não ocorreu nas mesmas circunstâncias. Condenado então a 3 anos, sua pena fora aumentada por "conduta agressiva na prisão".
De um lado, existia a contra-revolução ávida em mobilizar o maior número possível de supostos ou reais correligionários. Do outro, diante das vantagens materiais que envolvia uma "militância" fomentada pelas embaixadas estrangeiras, provavelmente Zapata Tamayo adotou o perfil "político" quando sua biografia penal já era extensa.
O que se pode dizer sobre presos políticos em Cuba hoje? Segundo a Anistia Internacional, o número de presos políticos na ilha chegou a ser de 112 mil em 1986. Teria caído para 80 mil em 2006. Em 2008 o número teria sido reduzido para 205 presos. A drástica redução me leva crer que ou os números estavam exagerados, ou Raúl Castro realmente flexibilizou o regime. Acredito na primeira hipótese, uma vez que a liberação de cerca de 80 mil presos em 2 anos teria sido um acontecimento de grande repercussão. É certo que além de pessoas que são mantidas em cárcere, há um número incerto de detenções rápidas por motivos políticos.
Não existem registros pela Anistia Internacional de tortura ou desaparecidos, tão comuns a outras ditaduras que varreram a américa latina no século passado. O mesmo não se pode falar do governo dos EUA. Há uma série de denúncias de prisões ilegais ao redor do mundo por conta da guerra ao terror. Muitos dos presos não são acusados formalmente. Muitos somem sem que seus parentes sejam avisados.
Em Guantánamo a tortura e maus tratos são de conhecimento do mundo. Agora se descobre que Bush Jr. e seus colaboradores sabiam que muitos presos da base americana em Cuba eram inocentes. Não fizeram nada porque temiam que sua eventual libertação fosse prejudicial para a "guerra contra o terrorismo".
O erro americano não justifica o erro cubano. Mas o que não dá pra entender é o porquê de a mídia nacional abraçar eufórica a versão da imprensa conservadora dos EUA no caso dos presos políticos na ilha caribenha. Mesmo sem ideologismos é difícil aceitar tamanho equívoco.
http://g1.globo.com/Noticias/Mundo/0,,MUL1563369-5602,00-BUSH+SABIA+QUE+HAVIA+INOCENTES+PRESOS+EM+GUANTANAMO+DIZ+JORNAL.html

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Top 100 - Da Lama ao Caos


(Chico Science por Baptisto)

O mangue beat talvez seja o maior movimento musical brasileiro desde o tropicalismo. Aliás, nos anos 90 a turma de Recife divulgou toda uma estética que vai além da música. Elegi "Da Lama ao Caos" do Chico Science & Nação Zumbi pela sua qualidade e importância. Recomendo também as bandas Mundo Livre S/A e Mestre Ambrósio. Vale a pena também ouvir Nação Zumbi comandada por Du Peixe no disco "Fome de Tudo" e nos demais.

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Eu vi o futuro...

Qual cenário político emergirá das próximas eleições? Segundo o livro Fundação de Isaac Asimov, famoso escritor de ficção científica que inspirou o filme Eu Robô, analisando as premissas necessárias é possível prever o futuro. Faço agora o pretensioso exercício de expor minhas previsões.
Parto de algumas premissas. 1- Segundo as recentes pesquisas, Lula tem alcançado mais de 83% de aprovação popular. Sua aprovação é altíssima em todas as classes de renda. Ou seja, ele é quase uma unanimidade. 2- Partidos e candidatos conservadores perderam gradativamente espaço. Maluf por pouco não foi presidente em 86 e hoje é coadjuvante nacionalmente. ACM já tinha amargado graves derrotas quando veio a falecer. Aliás, O DEM que só tinha o comando de Brasília ficou ainda menor após a prisão de Arruda. Sarney (com sua filha) perdeu nas urnas o comando do Maranhão (recuperou apenas na justiça) e ano passado sofreu um massacre de denúncias que reduziu seu peso político. 3 - A escolha de Serra para candidato do PSDB levou ao estreitamento de sua aliança a praticamente PPS e DEM. Serra também é uma figura muito ligada a FHC, um dos políticos mais rejeitados pelo eleitor.
Traçadas as premissas, enumero consequências imediatas. a) A eleição para presidente pode se tornar no imaginário brasileiro um embate entre bons e maus. Os bons são capitaneados por Lula. Quanto mais anti-Lula, mais inimigo do Brasil. b) Serra e seus aliados levarão a pecha do que deve ser expurgado na política. Por que? "Porque Serra manda bater em manifestantes". "Porque persegue jornalistas". "Porque é amigo da Globo". "Amigo do Arruda, do FHC". Esqueçam dizer que Lula também tem aliados ruins, que tem defeitos. Aos olhos do brasileiro, Lula fez o possível. Para Lula tudo é justificável. Se baterem no Lula será pior. c) Apoiar Serra vai ser um peso. No norte e nordeste será como uma traição. Provavelmente apenas em São Paulo isso não ocorra. Talvez em Minas, Rio de Janeiro e no Sul o fenômeno seja atenuado. Na minha Bahia, será ruim para Paulo Souto. Será ruim para os aliados de Paulo Souto.
Trato então do quadro político que vislumbro para 2011. Os apoiadores de Serra sairão abatidos, desorientados. "Não ganhamos do Lula, nem da Dilma, tampouco teremos forças para enfrentar Lula em 2014." Os demais candidatos sairão mais animados. Se Dilma ganhar, foi Serra quem perdeu. Marina e eventualmente Ciro terão ganhado mais visibilidade nacional. Também poderão passar pela campanha sem chamar para si a antipatia dos lulistas. Navegará Dilma então por mares tranquilos em seus 4 anos de governo? Grandes alianças cobram grandes preços. Haverá sob sua asa muita insatisfação. Ela não terá a blindagem de Lula e brigar com Dilma não será o mesmo pecado político. A oposição dispersa procurará um pólo de aglutinação para 2014. Este pólo pode ser de ex-petistas como Heloísa Helena, Cristóvão Buarque e Marina. Pode sair do seio da aliança governista. Pode ainda surgir da aliança de nomes conhecidos como Ciro e Aécio. Dificilmente voltará para o PSDB paulista. Serra, se derrotado, terá perdido sua última cartada, até mesmo por sua idade. Os principais nomes ao seu redor estarão marcados pelo apoio à chapa tachada da má por boa parte do eleitorado. Alkimin, ainda que seja governador, terá dificuldades com seus adversários dentro e fora de seu partido.
Assim eu vejo o pós-Lulismo. Minhas previsões são tão exatas quanto as que emergem da mesa de tarô, de um grande mapa astral ou da borra de café no fundo da xícara. Asimov mesmo lembrou que para prever o futuro seria preciso estar cercado de todas premissas envolvidas (quase infinitas), além da capacidade de processá-las em velocidade maior que a ocorrências das mesmas. Um dia quem sabe eu chego lá...

terça-feira, 6 de abril de 2010

Novo Nordeste 2 - Já dizia Henfil...



A Globo por seu ex-repórter


Luiz Carlos Azenha hoje é repórter da Record. Por anos foi repórter de ponta da Globo. O site "Vi o mundo" (link na coluna ao lado) pertence a ele. Em coluna inserida hoje em seu site ele trata da cobertura política parcial da Globo. Trago alguns trechos:

"Em 2005 e 2006 eu era repórter especial da TV Globo. Tinha salário de executivo de multinacional. Trabalhei na cobertura da crise política envolvendo o governo Lula.

...já em 2006, houve um pequena revolta de profissionais da Globo paulista contra a cobertura política que atacava o PT mas poupava o PSDB. Mais tarde, alguns dos colegas sairam da emissora, outros ficaram. Na época, como resultado de um encontro interno ficou decidido que deixaríamos de fazer uma cobertura seletiva das capas das revistas semanais.
Funciona assim: a Globo escolhe algumas capas para repercutir, mas esconde outras. Curiosamente e coincidentemente, as capas repercutidas trazem ataques ao governo e ao PT. As capas “esquecidas” podem causar embaraço ao PSDB ou ao DEM. Aquela capa da Caros Amigos sobre o filho que Fernando Henrique Cardoso exilou na Europa, por exemplo, jamais atenderia aos critérios de Ali Kamel, que exerce sobre os profissionais da emissora a mesma vigilância que o cardeal Ratzinger dedicava aos “insubordinados”.

...fui encarregado de fazer uma reportagem sobre as ambulâncias superfaturadas compradas pelo governo quando José Serra era ministro da Saúde no governo FHC. Havia, em todo o texto, um número embaraçoso para Serra, que concorria ao governo paulista: a maioria das ambulâncias superfaturadas foi comprada quando ele era ministro.
Ainda assim, os chefes da Globo paulista garantiram que a reportagem iria ao ar. Sábado, nada. Segunda, nada. Aparentemente, alguém no Rio decidiu engavetar o assunto. E é essa a base do que tenho denunciado continuamente neste blog: alguns escândalos valem mais que outros, algumas denúncias valem mais que outras, os recursos humanos e técnicos da emissora — vastos, aliás — acabam mobilizados em defesa de certos interesses e para atacar outros.

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Top 100 - Racionais MC´s

O que é, o que é? Clara e salgada,
cabe em um olho e pesa uma tonelada.
Tem sabor mar, pode ser discreta.
Inquilina da dor, morada predileta.
Na calada ela vem, refém da vingança,
irmã do desespero rival da esperança.
Pode ser causada por vermes e mundanas,
ou pelo espinho da flor cruel que você ama.
(...)
No momento, deixa eu caminhar contra o vento.
Do que adianta eu ser durão e o coração ser vulnerável?
O vento não, ele é suave, mas frio e implacável
(...)
Diz que homem não chora.
Tá bom, falou...não vai pro "grupo" irmão,
aí...Jesus chorou!
Quem quiser entender porque Racionais MC´s é o maior grupo de rap do país deve ouvir "Nada como um dia após o outro dia - Chora agora/Ri depois" (disponível na rádio Uol). Ouça a música acima, Jesus Chorou. Imperdível também são as músicas Negro Drama, Vida Loka 1 e 2. Mano Brow, líder do grupo, é um poeta tão bom quanto qualquer outro grande nome da música brasileira. O disco, em especial nas canções destacadas, é o tipo de obra que transcende o estilo. Ou seja, é bom até para os ouvidos não habituados ao rap.

Lula X FHC

Neste domingo foram veículadas entrevistas do Lula (Canal Livre da Band) e FHC (jornal Estado de SãoPaulo):

Impressiona a repercurssão na mídia, principalmente da entrevista de FHC. Li em alguns sites que teria sido criticado o viés chinês no Estado sob Lula. Teria se afirmado que estávamos sob ameaça de uma burocracia capitalista amparada no populismo. Li a entrevista. Há críticas à atual situação da nossa democracia. Também ao que ele chamou de busca de um "líder tutor" nas democracias de massa. Todavia as proposições foram colocadas em tese, em um contexto amplo. Não encontrei as críticas direcionadas que me fizeram acreditar terem existido.

Parte da mídia, especialmente a ligada à mídia impressa, parece ter mais voracidade na destruição da imagem do Lula que a própria oposição.

Apesar da consistência das idéias apresentadas por FHC, ele derrapa nos principais alertas que fez sobre nossas instituições. Disse que "nas decisões reais no Brasil estão se constituindo um golpe de poder a união de setores do Estado, setores empresariais e fundos de pensão". Disse ainda que não é progresso transformar o monopólio público em monopólio privado. Ocorre que foi na privatização que os fundos de pensão ganharam a força que têm e que empresas como a Vale e Telemar (telefonia fixa) viraram monopólios privados.

Lula foi cobrado como se fosse uma ameaça. Parece que oito anos de governo moderado não arrefeceu o temor de certos setores. Ante as insinuações de que tentara cercear a imprensa, o presidente foi contundente: "Houve (durante o governo Lula) mais censura dos seus donos (dos veículos de imprensa) do que do governo". "Tem três setores que podem controlar a imprensa: na TV o telespectador, no rádio o ouvinte e no jornal o leitor". Neste momento invocou Datena como exemplo e testemunha. Disse que o jornalista certa vez foi demitido por apresentar Lula em uma redação. Que apesar da amizade entre os dois, ele Lula jamais telefonara pedindo para atenuar crítica alguma.
Duas boas entrevistas. Até mesmo pela embate mais duro com os entrevistadores preferi a do atual presidente.

domingo, 4 de abril de 2010

Eclesiastes

"Vaidade de vaidades! - diz o pregador, vaidade de vaidades! É tudo vaidade."

Na primeira metade do século XX, Gandhi pregava sobre o autocontrole. O controle de seus desejos como forma de promover mudança no mundo exterior. - "Seja em você a mudança que quer para o mundo." No início do século XX, Freud teorizou sobre o ego e sua influência no comportamento humano. Mas já dizia o Eclesiastes há dois mil anos atrás: "Nada há novo debaixo do sol." dizia também:
"Atentei para todas as obras que se fazem debaixo do sol, e eis que tudo era vaidade e aflição de espírito."
"E apliquei o meu coração a conhecer a sabedoria e a conhecer os desvarios e as loucuras e vim a saber que também isso era aflição de espírito. Porque, na muita sabedoria, há muito enfado."
"Vaidade de vaidades, é tudo vaidade!"

Pesquisa - Vox Populi

Em campo nos dias 30 e 31 de março a pesquisa traz:

Serra: 34%
Dilma: 31%
Ciro: 10%
Marina: 5%

Sem Ciro o resultado é: Serra 37, Dilma 33, Marina 7. MArgem de erro 2,2 pontos.
A pesquisa distoa da última Datafolha, principalmente ao retratar a manutenção da tendência de inversão de posição entre Serra e Dilma (em janeiro Serra tinha 34 e Dilma 27). Daqui até outubro será assim, pesquisa pra todo gosto. Na minha análise, a última pesquisa Datafolha é um ponto fora da curva. Fico com a lógica apresentada nas demais pesquisas até que fatos político justifiquem ou embasem números diferentes.

sexta-feira, 2 de abril de 2010

Top 100 - Chico Buarque



Chico Buarque foi um dos alvos prediletos da censura militar. Pos isso aproveito a referência feita ao golpe no post abaixo para citar o disco Construção. Evidente que escolher um disco entre uma obra tão respeitada é uma decisão temerária. O disco traz além da faixa título, clássicos como Deus lhe Pague, Cotidiano e Minha História (Gesùmbambino). Só a música Acalanto serviria para afirmar que o disco é genial.

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Resquício de Ditadura

A foto acima é emblemática. Seria de um professor carregando uma policial feminina agredida após o confronto com professores grevistas do estado de São Paulo em 26/03/2010. Seria o retrato de um momento de caos do governo paulista que ano passado também teve que convinver com o confronto entre a PM e a polícia civil. Infelizmente, a foto representa mais que isso.
O homem na foto é, segundo a própria PM, um policial a paisana. Os professores informaram que ele foi à manifestação em um ônibus fretado pelos sindicatos. Estava infiltrado no movimento grevista. Para que? Identificar seus líderes ou fornercer um pretexto para repressão agredindo a PM é a resposta mais provável.
Neste 1° de Abril, aniversário do Golpe Militar de 64 e dia da mentira, a imagem é uma triste referência às duas coisas.