segunda-feira, 26 de julho de 2010

Presidência é Destino


Presidência é destino. A frase tão repetida por Aécio ajudou a criar em parte da imprensa a sensação de que um dia ele chegaria lá. Entretanto, creio que em 2010 o cavalo passou selado e o mineiro o deixou escapar.

O PSDB conseguiu um cenário muito bom para um partido de oposição que almeja a presidência. Governa 3 dos 5 maiores colégios eleitorais, incluindo a dobradinha café-com-leite, responsável por cerca de um quarto do eleitorado nacional. Além disto, ainda que desgastado, o DEM é um parceiro de boa penetração no Nordeste, região onde os tucanos não tem boa penetração. Vale dizer também que Dilma pode até ser uma grande candidata, mas chegou ao posto sem agregar quase nenhuma densidade eleitoral ao projeto governista. É obvio que não favorece aos tucanos a popularidade de Lula, porém é preciso reconhecer que ela foi construída também sobre os erros da oposição.

Ocorre que Aécio foi atropelado pela história. Maquiavel poderia dizer que o mineiro contou com a fortuna, tendo se esquecido de exercer sua virtude. Quem busca uma meta como a presidência não põe seu destino no colo de determinados cardeais, nem acata outra indicação tão mansamente. Em suma, quem está fadado ao topo não morre sem pelejar.

Aécio tinha que fazer por onde. É o ano do centenário de Tancredo e de sua despedida do governo mineiro. É o pleito sem Lula e ele tinha efetivamente capacidade de agregar maior apoio à oposição. Alkimin dobrou Serra em 2006 porque estava disposto a arrebentar a corda e não só a esticá-la. Se o mineiro confiasse que seu gesto traria a vitória de seu partido teria sido nobre. Não foi o caso.

Ainda em 2009, antes do fim do prazo para mudança de partido Aécio teria que ter dado sua última cartada se quisesse ser um dia presidente. Ser aclamado candidato pelo PSDB, vociferando contra o predomínio de São Paulo na política do país. Bradando contra o dedaço na indicação de Dilma. Criticando os erros de FHC e Lula e exaltando os êxitos de nossa fase constitucional. Do contrário, deveria ter rompido. Tinha obrigação de perceber que seu futuro no PSDB seria estar sempre a reboque do núcleo paulista.

Em 2006 a candidatura de Alkimin prevaleceu sobre a de Serra, mas também sobre o então governador Aécio. Se Alkimin for eleito, o que faz crer que abrirá espaço para o senador Aécio? O que leva a crer que o PMDB permitirá a Aécio uma candidatura que não permitiu a Itamar e a Garotinho? Estando confortável sob o consórcio governista, o PMDB só oferecerá a alguém uma candidatura tão sólida quanto a de Ulisses em 89.

Creio que o neto de Tancredo já começa o declínio de sua carreira política. Se isto for verdade, pagará pela falta de ousadia ou de visão política.

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